O dia 17 de janeiro de 2020 ficou impregnado no ser de cada Iconhense. Os traumas ainda são latentes, mas a reconstrução é a grande marca desse acontecimento. No próximo domingo, vamos fazer memória de um ano da enchente que avassalou a pequena cidade capixaba. Fazer memória da lama e das mãos enlameadas que nos tomaram, nos reergueram e nos ajudaram a dar os primeiros passos rumo a uma nova história.
E assim foi. Hoje, passado esse tempo, nossa mente rebobina tudo que aconteceu, nossos olhos contemplam reconstrução, mas o coração sente que Iconha precisa de olhos mais focados e discernidos capazes de ver a dor e provocar políticas de segurança estrutural para a população.
A noite do dia 17 de janeiro volta e meia reaparece em nossas consciências. Os sufocos vêm à tona, os traumas nos acompanham. As cenas de pessoas aflitas quase que sendo levadas pelas águas, ruas arrancadas, casas soterradas, tudo isso ainda continua presente em nossas mentes. As marcas desse momento ainda são significativas em pontos da cidade quando se vê casas abandonadas, estruturas totalmente arruinadas que por pouco se mantêm em pé.
Com uma receita pequena, Iconha foi aos poucos edificando suas pontes no interior, organizando estradas, fazendo acessos, dando vida às praças, recompondo a sua história cultural. Hoje, quem passa pela avenida principal já vê beleza e organização também no comércio que com muito esforço foi se reerguendo, se refazendo, se reinventando. Precisamos levar em conta que a pandemia ainda prejudicou muito os nossos comerciantes, mas com esforço e garra, conseguiram levar adiante.
Diante de tudo isso, nesse dia de memória, o coração Iconhense ainda clama por políticas eficazes que provoquem um pouco mais de segurança na população sofrida e traumatizada. Infelizmente, algumas obras “após desastre” que foram realizadas, não possuem engenharias que conversem com a realidade vivida. Recentemente, uma ponte edificada pelo governo do Estado, no centro da cidade, tem possibilidade de colocar em risco a vida de muitas outras pessoas caso uma nova enchente venha a acontecer.
A população se manifestou, mas foi feito o mínimo e não o necessário. As justificativas de engenharia não têm espaço numa mente que viveu o drama. Outra urgência é o desassoreamento do rio que corta a cidade. Passaram um ano e nada foi feito. O município sozinho se apresenta como impossibilitado de executar a benfeitoria que tende a custar milhões de reais. Então, precisamos mais do governo do Estado ou ainda, do governo federal. É urgente! As lentes pelas quais o poder executivo vê Iconha precisam ser ajustadas e focadas.
Nesse dia em que nossos olhos e nossas mentes fazem memória, nossa voz precisa se levantar. Se por uma lado temos consciência que a geografia e disposição urbana da cidade é inadequada, por outro precisamos compreender que a cidade se desenvolveu a partir do seu rio, portanto, não se corrige comportamentos com julgamentos de outrora.
Agora é preciso de projetos que amenizem os impactos e garanta vida, um pouco mais de vida e de tranquilidade para um povo que ao ver nuvens no céu se faz impaciente e preocupado, ou ainda, que diante de qualquer chuva, não é mais capaz de pôr a cabeça no travesseiro. Somente com políticas eficazes seremos capazes de ter condições de superar o drama do dia 17 de janeiro de 2020.