O dia 4 de novembro ficará marcado na história como o dia em que um juiz abusou mais uma vez da influencier Mariana Ferrer. A Justiça abusou da moral, abusou da feminilidade, abusou da decência, abusou da lei. É agoniante acompanhar o vídeo divulgado pelo The Intercept Brasil na última terça-feira (03). O pior é que, desde setembro, Mariana Ferrer guarda a agonia da injustiça e só agora ela pode conviver com a solidariedade e com tantas vozes de apoio se levantando contra a injustiça que sofrera. A cada dia e em cada capítulo, o Brasil da impunidade se desvela, e coloca inúmeros inocentes sentados no banco dos réus.
Mariana Ferrer representa a multidão de mulheres que precisam conviver com o grito do sofrimento preso às entranhas, representa a estapafúrdia injustiça no trato com as mulheres, que tentamos dizer que no mundo de hoje possuem direitos iguais. Eis o retrato da hipocrisia. Por outro lado, o juiz Rudson Marcos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, representa a insensatez de magistrados que desonram a lei e os direitos humanos, aliás, por baixo da toga, alguns só possuem a “magistratura”, que muitas vezes preza pelo suborno.
Acredito, sem menos, que a tortura vivida por Mariana, na sessão jurídica, tenha sido uma tortura tanto quanto o estupro que sofrera. O ministro Gilmar Mendes chegou a tuitar: “As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram”. A justiça precisa urgentemente reparar o dano que a Justiça causou. A inércia não pode tomar conta da situação, pois a situação envergonha o nosso país e trai a nossa vocação de brasileiros.
Por fim, precisamos ter a ousadia de parafrasear o perfil @entreparabrisas: “estupro culposo é quando não há a intenção de condenar o estuprador”. A revolta faz parte dos brasileiros e deve fazer parte de todos nós. Ao juiz que abusou com sua atitude insana da dignidade de Mariana deve ter a toga pega, sua sentença precisa ser anulada, e o advogado humilhador precisa ser punido. Os envolvidos precisam se retratar e se reconhecerem como autores da impunidade.
Embora haja juristas justificando a sentença, ou isso ou aquilo, acredito que a situação vai além do “estupro culposo”, a questão repugnante da história são os maus-tratos de lideranças jurídicas para com a vitimada. Assistir ao julgamento revolta as vísceras, as agressões verbais de um advogado à vítima são inaceitáveis. Se a Justiça não corrigir a injustiça, as ruas precisarão ser tomadas por clamores, afinal Mariana é apenas uma mulher que representa as milhares de brasileiras que são abusadas por homens brancos, empresários, magnatas e são obrigadas a se calar sob ameaças. No quadro da audiência temos quatro homens julgando uma mulher. O o que mais é preciso dizer sobre isso?! Não há justificativa jurídica, nem posts explicativos, a imoralidade foi escancarada. Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça!