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Tráfico lidera casos de julgamentos por mortes no ES, revela pesquisa

Estudo considerou julgamentos realizados por uma promotoria durante um ano; se somadas, todas as condenações aplicadas totalizam  1.667 anos

Vitória
Publicado em 12/03/2024 às 05h00
Júri popular
Júri popular. Crédito: Arte: Geraldo Neto

Dados de uma pesquisa realizada pela atuação de uma promotoria criminal do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em júris populares – onde são julgados os casos de assassinato –, revela o impacto da violência urbana nas cidades capixabas. Em um ano, 65% dos casos que levaram as pessoas ao banco dos réus tem uma relação direta ou indireta com o tráfico de drogas.

São crimes que decorrem de brigas, disputa por território, acordos mal resolvidos, um olhar para a namorada do traficante e até por ordens não cumpridas. Conflitos frequentes no cotidiano do tráfico que resultam em ações dos envolvidos com as facções criminosas onde pouco valor tem a vida. 

É o caso de um traficante que emprestou uma arma para um outro criminoso, que a vendeu. Motivo que levou o dono da arma a matá-lo. Um outro exemplo vem de uma mulher que não gostava do primo e o denunciou ao tribunal do crime, acusando-o de ter estuprado seu filho menor. O primo foi morto pelos traficantes, mas a violência contra o menor não foi comprovada.

Perfil

A pesquisa foi realizada no ano de 2023, quando 45 júris foram realizados pela 14ª Promotoria de Justiça Criminal de Vitória. A soma das condenações de todos os casos alcançaram 1.667 anos. As penas aplicadas pela Justiça estadual foram severas. Em um dos casos os réus foram condenados a 111 anos, 110 anos e 91 anos. Em outro alcançam 69 anos, 65 anos e 32 anos.

Entre as condenações estão algumas de famosos na criminalidade, como a de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, preso na última sexta-feira (08) em operação da Polícia Civil. Foi a sua primeira condenação por homicídio, pelo assassinato de dois rivais do crime em uma disputa de território.

Em 2023 também foram julgados os denunciados pelo assassinato dos irmãos Ruan e Damião Reis, ocorrido em 2018, na Piedade, em Vitória. Eles não tinham participação no tráfico, mas foram vítimas da disputa de território por traficantes em seu bairro. Houve ainda o julgamento de outras lideranças de destaque nas organizações criminosas, que também receberam condenações elevadas.

Além do tráfico, chamou a atenção os casos de violência contra a mulher. Um Estado que, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o 5° do país com a maior proporção de mulheres com 18 anos ou mais vítimas de agressões variadas.

Foram julgados 5 casos de feminicídio, o ato extremo da violência praticada contra a mulher, no ano passado. Os réus receberam penas  elevadas, de 11, 12 e até 15 anos. Houve um caso em que o réu foi absolvido das acusações.

E há os que foram condenados por crimes variados, como as situações envolvendo disputas no trânsito, em que a pessoa recebeu dez anos de prisão. E ainda as situações de brigas entre moradores de rua, em uma festa e até crimes passionais que resultaram em pessoas assassinadas.

Mais de 80% dos julgamentos ocorreram em Vitória, mas houve registros em cidades do Norte e Sul do Espírito Santo.

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