Um policial militar foi denunciado à Justiça do Espírito Santo após agredir um delegado e um policial civil, ambos da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito, em uma blitz da Lei Seca realizada em Vitória.
Em sua denúncia o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) aponta que o militar Renato do Amaral Pereira cometeu, em conjunto, crimes como lesão corporal grave e leve, ameaça, dano qualificado, desobediência, resistência e desacato.
Ele é cabo da PM desde 2007, segundo informações da transparência estadual.
O caso aconteceu em novembro de 2024, na Enseada do Suá, após o motorista do veículo em que estava o PM se recusar a fazer o teste do bafômetro. O alvo da agressão foi o delegado Maurício Gonçalves da Rocha, atingido por um soco no rosto que o fez cair. Segundo o MP, na queda a sua arma foi danificada.
Já o policial civil Anderson Simões de Mattos recebeu um soco que alcançou sua mão. À Justiça foi informado que ele precisou ser submetido a um procedimento cirúrgico e foi afastado de suas atividades por 90 dias.
A defesa de Amaral não retornou aos contatos, mas o espaço segue aberto à sua manifestação.
Para o advogado Fábio Marçal, que representa as vítimas, a denúncia foi assertiva. “É vergonhoso um operador de segurança agir com violência e praticar atos para impedir a execução legal dos agentes públicos e em favor de uma pessoa que praticou uma infração”, assinalou.
A expectativa, segundo Marçal, é de que Renato seja condenado e que promova reparação de danos para o policial agredido. “Ele ficou impossibilitado de exercer as suas funções. O PM também vai responder na Justiça cível por estes fatos”, acrescentou.
O conflito
O militar estava de carona em um veículo que foi parado durante a blitz. O conflito teve início quando o motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi informado que seria feito o auto de infração. Foi o momento em que Renato fez uma intervenção ao se identificar como PM.
A denúncia relata que ele pediu uma “cortesia” para que o registro não fosse feito. Como o pedido não foi aceito, ele teria se exaltado e xingado os policiais, que estavam acompanhados de integrantes da Guarda Municipal de Vitória.
Fatos que levaram o delegado a determinar sua prisão por desacato. “Tendo o denunciado resistido ativamente à prisão, dificultando que fosse algemado”, informou o MP.
Após ameaças, resistência e empurrões que levaram todos ao chão, Renato acabou sendo contido, mas permaneceu exaltado. O relato feito pelo órgão ministerial é de que, quando a situação parecia estar mais calma, com o PM conversando com os demais policiais, houve uma reação de surpresa, com a agressão ao delegado e ao policial.
Renato acabou sendo contido com a ajuda de cinco pessoas. Momento, diz a denúncia, em que ele teria feito ameaças, afirmando que “guardou a cara de todo mundo”.
Após ser detido, ele foi encaminhado ao presídio Militar, no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar. Foi solto em audiência de custódia após o pagamento de fiança no valor de R$ 4 mil.
Posteriormente, a Justiça estadual negou um pedido do delegado e do policial civil de suspensão cautelar do porte de arma de fogo de Renato.
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