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Dono de hotel no ES sobrevive a facadas, mas morre sem ver júri de criminosos

Crime foi em 2022; em abril  deste ano o julgamento foi anulado após jurados terem ficado sem dormir por hospedagem ruim, mas data foi remarcada

Publicado em 03 de Junho de 2025 às 03:30

Públicado em 

03 jun 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Morte de dono de hotel - espanhol
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
O dono de um hotel no bairro Andorinhas, em Vitória, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato com várias facadas, não conseguiu ver concluído o julgamento dos quatro acusados pelo crime. O espanhol Juan Aurélio Gomez Fernandez, 67, morreu no último dia 23. No início de abril o júri foi anulado no segundo dia, após o conselho de sentença relatar que não havia dormido em decorrência das condições ruins da hospedagem.
Uma nova data foi agendada para o próximo dia 30. A expectativa é de que ele seja realizado, mesmo com a morte da vítima.
Por nota, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), autor da denúncia contra os quatro réus, lamentou a morte de Juan Aurélio.
“É uma notícia triste que aumenta a nossa responsabilidade de entregar justiça para familiares e a comunidade, mostrando que crimes desta natureza não ficarão impunes. E muitas vezes uma tentativa de homicídio acaba se tornando um homicídio, porque é impossível não pensar que a morte de Juan não tenha relação com as lesões por ele sofridas”, assinalou o órgão ministerial.
No júri que foi realizado no início de abril foram ouvidas as testemunhas, assim como Juan, em depoimentos que foram gravados. A informação é de que houve um acordo entre as defesas e o Ministério Público de que as imagens vão ser reproduzidas para o novo corpo de jurados.

Sem familiares

Juan morreu sem realizar seu último sonho, que era retornar para Espanha onde residem seus familiares. No Espírito Santo ele contava apenas com o apoio de uma amiga, Sheila Cavalcanti.
“A vida dele piorou muito após a tentativa de assassinato. Foram 17 facadas. Ele levou nove meses para se recuperar, mas sentia muitas dores e os médicos não conseguiam descobrir o motivo. Deixou de ser uma pessoa forte e ativa e passou os últimos quatro meses praticamente internado”, relata.
O enterro ainda não foi realizado porque está sendo aguardado uma autorização da Justiça, considerando a ausência de familiares. Ficou para a Sheila fazer o reconhecimento do corpo.
“O que planejo é oferecer a ele um enterro digno, já que não poderá voltar para a terra dele”, conta a amiga.
Ela relata que ele aguardava com ansiedade o julgamento e que o último depoimento ele prestou por videoconferência, do hospital onde estava internado. Foi lá que ele também comemorou o último aniversário, em 28 de abril.

A tentativa de assassinato

O crime ocorreu no dia 31 de março de 2022, no Hotel da Ilha, de propriedade de Juan, à época com 64 anos. Segundo o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), a vítima não teve como se defender de um crime motivado por vingança.
Na ocasião, os réus Carlos de Matos Lopes, Davi da Purificação Neves e Gabrielly de Paula Batista (companheira de Carlos), a mando de Macário Almeida Souza da Silva, deram várias facadas contra a vítima.
Conforme a denúncia do MPES, Macário possuía dívidas com Juan Aurélio referentes ao aluguel de um bar na parte térrea do hotel. Insatisfeito com as cobranças, ele teria planejado o assassinato para se livrar da obrigação financeira.
As investigações apontam que no dia do crime, Macário desligou toda a iluminação do hotel, já que o disjuntor de energia se localizava no bar, para facilitar a ação dos comparsas. Carlos, Davi e Gabrielly entraram no local e foram até o quarto da vítima, que imaginou serem hóspedes reclamando da falta de energia.
Ao abrir a porta, Gabrielly teria iluminado o local com a lanterna do celular. As facadas contra a vítima teriam partido de Carlos, enquanto Davi ficava na contenção para garantir a execução do crime. Além da faca, Carlos também estava com uma arma de brinquedo.
Após ser ferida, a vítima se fingiu de morta e conseguiu ser socorrida posteriormente por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
As defesas dos acusados pelo crime não foram localizadas, mas o espaço segue aberto a suas manifestações.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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