A empresa de Américo Buaiz Filho, a Meca Imobiliária Participações e Investimentos S.A., saiu da Apex um dia após a crise no grupo resultar no afastamento do presidente. A comunicação aos sócios foi feita no mês passado e o conjunto das ações foi vendido por R$ 1.
Em nota, a Meca confirmou ter “formalizado definitivamente a sua saída da ABM 2 Partners Investimentos e Participações SA (ABM 2)” — empresa que faz parte do núcleo de controle do grupo. Diz ainda que detinha “participação acionária minoritária” e que não se manifesta sobre os termos relacionados à venda “por estarem sujeitos a obrigações de sigilo e confidencialidade”.
A notificação foi encaminhada aos sócios no dia 7 de agosto. Um dia antes, a Apex havia afastado do comando o presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira.
No relato em ação enviada à Justiça para solicitar a blindagem do patrimônio, foi informado que uma investigação interna identificou "inconsistências financeiras na companhia". Foi apontada uma dívida de quase R$ 1 bilhão.
Passo a passo da saída
Para sair do grupo, a Meca recorreu a um acordo de acionistas celebrado em abril de 2023. O documento também é assinado por outras três empresas:
ABM 2 Partners Investimentos e Participações SA (ABM 2)
ABM Partners Investimentos e Participações SA (ABM)
ABM Partnership Investimentos e Participações Ltda (ABM Partnership)
Nele consta que a ABM outorgou à Meca a opção de venda da totalidade de suas ações “a título gratuito, em caráter irrevogável e irretratável”. E ainda que a ABM se obriga a comprar as ações de titularidade da Meca.
Para que isto ocorresse, era necessário o cumprimento de uma condição: a saída do presidente e de um dos diretores. O primeiro a deixar o grupo foi Ângelo Chieppe Moura Dalla Bernardina, que renunciou ao cargo de diretor financeiro da Apex Partners Gestão de Ativos SA (Apex), em 7 de junho de 2024.
A segunda saída ocorreu com o afastamento de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, destituído do cargo pelos sócios no dia 6 de agosto, completando a exigência prevista no acordo.
No dia seguinte, foram colocadas à venda as 455.070 ações ordinárias e uma ação preferencial classe B. A comunicação aos sócios informa o valor da comercialização: “O preço global ofertado por todas as ações objeto corresponde a R$ 1”.
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O último parágrafo da notificação da Meca dá um prazo de dez dias, a partir da comunicação — que venceu no último dia 17 —, para que ocorresse a reunião de assinatura do termo de venda das ações e sua averbação em livro próprio. Não há informação sobre a realização da reunião.
O mesmo acordo cita ainda um prazo máximo de 30 dias para a conclusão da venda, data que vence no dia 6 de setembro. Para o dia seguinte, 7 de setembro, a Apex convocou uma assembleia geral dos acionistas, prevista para as 11 horas.
A saída da empresa de Américo Buaiz da Apex também foi citada em petição encaminhada à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, onde solicita o afastamento de Cinelli de todos os cargos e funções das empresas controladoras do grupo.
Por nota, a Meca se manifestou sobre a crise vivenciada pela Apex. “A Meca reforça que jamais exerceu o controle ou qualquer ato de gestão da ABM 2 ou das sociedades investidas e não possui qualquer relação com a crise recentemente noticiada envolvendo a Apex Partners S.A”.
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