Cerca de 4 mil integrantes de facções criminosas estão detidos em unidades prisionais do Espírito Santo. A grande maioria já recebeu uma condenação judicial e ocupa unidades nos complexos localizados em Vila Velha e Viana.
Os números acompanham informação apresentada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, em sabatina realizada por A Gazeta e CBN Vitória na manhã desta segunda-feira (31).
Ao abordar o tema, durante a entrevista, ele disse que, de cada quatro presos no sistema prisional, três não têm vinculação com facções criminosas. “Todos os líderes dessas facções criminosas ou estão presos nos presídios do governo do Estado, ou estão presos em presídios federais, ou estão foragidos”.
Até a última sexta-feira (28), a população do sistema prisional capixaba somava 26.642 pessoas para 15.577 vagas. Os detentos estão distribuídos entre provisórios, os que ainda não foram condenados (9.590); regime semiaberto (4.908); e, por último, regime fechado, os que já estão condenados (12.144).
A grande maioria dos que se declaram faccionados, citados pelo governador, está no último grupo, já com senteças condenatórias. Eles ocupam as penitenciárias de segurança máxima 1 e a 2, ambas em Viana; e outras duas unidades estaduais de Vila Velha, a 1 e parte da 2.
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De acordo com Nelson Merçon, titular da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), pasta responsável pela gestão prisional, os custodiados nessas unidades possuem ou possuíram ligações fortes com facções e são monitorados.
Em uma delas, a Máxima 2, único presídio capixaba com ocupação abaixo do volume de vagas, estão as principais lideranças criminosas. Algumas delas foram transferidas para presídios federais em outros estados. Dividem o espaço com executores ou outros braços do crime ou envolvidos com atividade que teve algum repercussão.
Também integra o grupo pouco mais de uma centena de presos provisórios, que estão em 12 celas de monitoramento distribuídas em Centros de Detenção provisórias pelo Estado.
Sem separação por facção
De acordo com Merçon, embora estejam concentrados em algumas unidades ou celas, nesses espaço não há separação por facções criminosas. “Eles sabem que vão conviver com seus rivais”, explica.
A identificação de quem é faccionado é feita no momento em que o preso ingressa no sistema e faz sua autodeclaração.
Posteriormente, é feito o acompanhamento das atividades criminosas pelos setores de inteligência da própria Sejus e da Polícia Penal, com confirmações de outras agências de inteligência das polícias Civil e Militar, da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Merçon não descarta a possibilidade de que alguns detentos possam não se declarar como faccionados, até por uma questão de “sobrevivência”, ou até mudar de grupo.