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Vilmara Fernandes

Dono de bar é condenado a 29 anos de prisão pela morte de jovem na Rua da Lama

Breno Rezende de Carvalho, de 25 anos, foi assassinado com uma facada após discussão pelo pagamento de uma cerveja, no valor de R$ 16, que já havia pago

Publicado em 28 de Agosto de 2026 às 00:36

Públicado em 

28 ago 2026 às 00:36
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

O empresário Vilson Luiz Ballan foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato de um jovem de 25 anos em março do ano passado. Terá ainda que pagar uma indenização de R$ 500 mil aos familiares da vítima. A leitura da sentença foi finalizada nos primeiros minutos desta sexta-feira (28).


Breno Rezende de Carvalho foi morto com uma facada após discussão pelo pagamento de uma cerveja, no valor de R$ 16, que havia comprado no bar do empresário e já havia quitado.


A circunstância foi citada pelo juiz que presidiu o Tribunal do Júri, Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, titular da 1ª Vara Criminal de Vitória, ao destacar o "desvalor acentuado pela vida humana".


"Atingindo grau de extrema reprovabilidade social ao se armar com faca de  mesa/cozinha com lâmina em inox e cabo branco e ir ao encontro do jovem em bar vizinho denominado "Dides Bar", mesmo após ter sido devidamente informado pelo próprio garçom de seu estabelecimento ("Sofá da Hebe") que a cerveja de R$ 16,00 (dezesseis reais) já havia sido devidamente quitada pelo grupo", relata o texto judicial.


Em outro ponto da sentença é citado a "frieza e brutalidade" do crime, praticado "em local público de intensa circulação jovem".


Ao ser interrogado no Plenário do Tribunal do Júri, Ballan alegou amnésia decorrente do consumo voluntário de álcool e medicamentos, afirmando "não se recordar dos detalhes do crime", que foi gravado por câmeras de videomonitoramento. 


Na ocasião, pediu desculpas à família da vítima e lamentou o crime, assinalando que o fato destruiu a sua própria vida e a de sua família. Acrescentou que só tomou conhecimento do homicídio ao assistir às imagens veiculadas pela imprensa. 


Na sentença é informado que a "simples admissão genérica da autoria, acompanhada apenas de lamentações pessoais, pedido de perdão e desprovida da narrativa minuciosa e fidedigna da execução do delito, aliada à alegada perda de memória, não configura a confissão espontânea idônea a mitigar a reprimenda penal".


Segundo o texto judicial, a confissão nada acrescentou ao esclarecimento da verdade, considerando que a dinâmica do crime já estava amplamente comprovada por imagens, provas e testemunhos. 


Crime na madrugada


Vilson era dono do bar Sofá da Hebe, um dos mais movimentados da Rua Lama. Breno estava no estabelecimento com amigos antes do crime, onde comprou duas cervejas — pegou uma e deixou outra paga. Após retirar a segunda garrafa de bebida é que a confusão começou, na madrugada de 15 de março de 2025.


Em sua denúncia, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) destacou que o empresário intimidou a vítima antes de cometer o ataque. Em tom alterado, ele exigiu o pagamento de R$ 16 e ameaçou Breno: “Vocês têm 5 minutos pra resolver isso aí”, teria dito o empresário à vítima e a seus amigos.


Um garçom chegou a confirmar a Vilson que a cerveja já estava quitada, mas o dono do bar discutiu com o atendente e permaneceu encarando o grupo de amigos.


Eles, então, saíram do Sofá da Hebe e foram para o bar vizinho, onde o crime aconteceu. O MP sustentou que Breno foi surpreendido pela ação repentina de Vilson enquanto estava em um momento de descontração.


“O crime foi executado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que Vilson se aproximou da vítima que estava em um contexto de descontração com os amigos e, de forma repentina, retirou uma faca da cintura e desferiu o golpe em Breno, o que reduziu drasticamente suas chances de defesa e resistência”, foi dito na denúncia.


Na ocasião, Breno ainda tentou se defender com um soco, mas em razão da gravidade dos ferimentos, morreu no local. 


O jovem, que morava em Goiabeiras com a avó e dois irmãos, vivia um momento de realização pessoal e profissional, segundo familiares. Com formação em Tecnologia da Informação (TI), Breno havia montado sua empresa e estava na expectativa de dar início ao primeiro contrato de prestação de serviço firmado por seu empreendimento. 


A defesa do empresário, que seguirá preso, não foi localizada, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações.

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