Apenas 23 empresas, das 177 listadas em ação na Justiça do Espírito Santo como integrantes do grupo Apex, foram analisadas pelo perito nomeado. O primeiro relatório aponta que o trabalho foi afetado pela falta de documentos.
No documento entregue no último dia 31, a Laspro Consultores informa que só foi possível avaliar a situação, de forma superficial, de 12,9% das empresas que compõem o grupo. “As demais 155 sociedades, entre elas a totalidade das sociedades limitadas do grupo, não apresentaram qualquer demonstração contábil”, informa o texto.
É explicado ainda que parte da documentação analisada foi obtida por meio de acervos eletrônicos públicos, é o caso das demonstrações contábeis. Ainda assim, os dados estavam incompletos. Do grupo analisado, apenas 11 dispunham da série histórica contínua de 2023 a 2025; as outras 12 apresentaram documentação incompleta, sendo a ausência do balanço de 2025 (ano considerado chave) a falha mais recorrente.
Em 20 de agosto, em manifestação à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, a Laspro já havia reclamado sobre a ausência dos documentos, e houve determinação para que o material fosse entregue.
Achados
Segundo o relatório da perícia, a ação da Apex alega que a crise do grupo se desenrolou de forma aguda no primeiro semestre deste ano. No entanto, como a escrituração disponível se encerra em 31 de dezembro de 2025, os eventos que geraram a crise não são passíveis de verificação nos registros contábeis obtidos pela Laspro.
A primeira análise também apontou “deficiências relevantes”. Entre os achados estão empréstimos e repasses entre empresas do grupo que não têm prazos, taxas ou garantias definidos. Além disso, os números do endividamento não batem, passando de R$ 258,2 milhões no final de 2025 para R$ 985,6 milhões em junho de 2026. Outro ponto indicado foi de que as unidades operacionais registraram receita operacional líquida (faturamento) zero.
O relatório aponta que os indícios encontrados ainda não autorizam uma opinião conclusiva. Acrescenta que isso dependerá da confirmação de quais empresas vão confirmar o pedido de recuperação judicial e fazer a comprovação da documentação exigida por lei.
A crise da Apex teve início em agosto, quando ocorreu o afastamento do seu presidente, Fernando Antônio Kulnig Cinelli. Um dia depois, o grupo recorreu à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória pedindo blindagem do seu patrimônio e apontando montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões.