Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Mobilidade urbana

ES ainda não pensou direito em um transporte público de alta capacidade

A tecnologia dos transportes transformou o modo como as pessoas se deslocam, até o ponto que a mobilidade ganhou uma relevância extraordinária em nossas vidas. Mas é preciso pensar em um projeto de alta capacidade no Estado

Publicado em 12 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

12 mar 2020 às 05:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Terceira Ponte vai ganhar mais faixas, segundo o governo do Estado Crédito: Vitor Jubini/Arquivo
O início da história humana divide as sociedades em nômades e sedentárias, sendo as primeiras aquelas que não tinham lugar fixo para viver, movimentando-se sistematicamente em busca de alimento e segurança, enquanto que as demais fixaram base num território específico, configurando os aldeamentos primordiais, até que o desenvolvimento deles os transformassem em cidades.
Os deslocamentos humanos transformaram o planeta, tanto quanto a criação de vilas e cidades, estas, porém, cada vez maiores e mais complexas, e que demandaram mais intervenções no espaço geográfico circunscrito a elas.
Intrínseco à história da humanidade, os deslocamentos estão presentes tanto no espaço urbano – por meio de ruas e avenidas – como no território amplo no qual se distribuem as cidades, que neste caso encontram-se conectadas por estradas, sejam elas terrestres – rodovias – ou mesmo utilizem de outros modais, como podem ser as ferrovias, hidrovias e até vias aéreas.
O fato é que é da natureza humana o deslocamento permanente, seja aquele pendular de casa para o trabalho/do trabalho para casa, seja para o transporte de mercadorias que, produzidas num determinado lugar, serão consumidas em diversos outros pontos do território. A tecnologia dos transportes, notadamente a partir da Revolução Industrial, mas principalmente com o motor a combustão, transformou o modo como as pessoas se deslocam, até o ponto que a mobilidade ganhou uma relevância extraordinária em nossas vidas.
Ao longo do século XX, o automóvel deixou de ser novidade e privilégio de classes abastadas, para ser sonho de consumo de milhares de pessoas, incluindo os brasileiros, até que chegou no século XXI diante de nova realidade, na qual aponta-se um futuro incerto, ou pelo menos diverso, para essa “máquina” dos desejos.
Do ponto de vista urbanístico, por exemplo, nas nossas ruas as edificações eram construídas no limite das calçadas, porém, foram obrigadas a recuarem, por meio do afastamento frontal dos lotes, visando o alargamento das vias, de modo que elas pudessem permitir uma maior circulação de veículos automotores.
Às ruas e estradas, acrescentaram-se pontes, viadutos e túneis, sempre pensando na fluidez da circulação de veículos, e quase sempre colocando pedestres em segundo plano, afinal, a lógica do desenvolvimento considerava que as pessoas circulariam em máquinas motorizadas produzidas pela indústria em prol do bem-estar humano.
Não obstante, tal lógica vem sofrendo mutação, de modo que já são pensadas novas alternativas de mobilidade – como foram as bicicletas e patinetes compartilhados, cuja iniciativa infelizmente fracassou em diversas cidades brasileiras – e que já vêm sendo adotadas em muitas cidades do mundo.
Houve uma época na qual se acreditava que a solução para a mobilidade urbana era criar vias – se possíveis expressas – nas cidades, aumentando a fluidez e velocidade dos veículos, que em sua maioria são automóveis particulares. Hoje, já se sabe que a solução é apostar no transporte público de alta capacidade, como são o trem, o metrô e o BRT, entre outros modais.
Daí que nada contra a notícia de que o governo do Espírito Santo tenha publicado edital para ampliação da Terceira Ponte, criando uma terceira faixa em cada sentido, além da ciclovia – será que a declividade permitirá a subida confortavelmente e a descida em segurança? – mas a questão que nos vem à mente é: afinal, quais são os planos ou projetos para o transporte público de alta capacidade?
Até agora o que foi anunciado é o bilhete único juntamente com o aumento das tarifas, ou seja, por um lado muito pouco e por outro uma decisão desmotivadora para o usuário, tudo isso diante do enorme desafio que é a mobilidade do cidadão que precisa ir pro trabalho, pra escola ou pra faculdade, pro posto de saúde por estar enfermo, ou até pro cinema ou pra praia no final de semana.
Enfim, pelo jeito, os cidadãos da Grande Vitória terão que continuar sonhando em ter e dirigir seus carros pelas ruas, avenidas e pontes das cidades.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Trump diz que vai estender cessar-fogo com Irã e manter bloqueio no Estreito de Ormuz
Imagem BBC Brasil
Prisão de artista por esculturas feitas há 15 anos revela novos extremos da censura na China
Segundo a Guarda Civil Municipal, o homem é suspeito de arrombar o estabelecimento e levar um notebook, um celular, máquinas de cartão e acessórios eletrônicos.
Dupla é detida após furto a loja no centro de Linhares

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados