
Wagner Cantarela*
Presente nas discussões promovidas por diversos grupos, seja pela sociedade, seja pela classe empresarial ou setor público, o tema mobilidade urbana ganhou notoriedade proporcional ao tamanho de seus desafios.
Tornou-se comum discutir as causas e os impactos da falta de mobilidade urbana no cotidiano das pessoas, bem como na atividade econômica, cujas raízes de causa e efeito são notadamente conhecidas por alguns fatores, como: o crescimento desordenado das cidades, a falta de investimento em infraestrutura de pequeno ou grande porte, a falta de incentivo e condições favoráveis à utilização do transporte coletivo, além de políticas públicas de incentivos para promover e facilitar a venda de automóveis particulares com práticas de renúncia fiscal - prática essa que vai na contramão de políticas públicas empregadas nas grandes cidades do mundo que privilegiam transporte coletivo de qualidade, com multimodalidade e integração entre eles.
Muito além da necessidade de recursos e atendimento das questões burocráticas, criar facilidade de deslocamento das pessoas para desenvolvimento social e econômico das cidades não será tarefa simples se não houver a integração da gestão pública entre Estado e municípios, principalmente aqueles municípios limítrofes situados na Região Metropolitana. Essa circunstância provoca lentidão das ações tendo em vista os esforços individualizados, fazendo-se necessário criar mecanismos para promover debates de forma integrada, objetivando a construção de ideias para identificar a causa e efeito da mobilidade em cada município.
Pensar em conjunto e além das fronteiras municipais, o que inclui comunidade, gestores públicos e setor produtivo, proporciona maiores condições para dinamizar as ações, além de criar oportunidades para identificação de soluções simples, como desapropriações estratégicas de baixo custo e até mesmo o aproveitamento de projetos que demandam relativamente pouco recurso e que talvez estejam engavetados ou sem a devida atenção.
A velocidade das ações para melhoria da condição atual da mobilidade urbana, bem como do planejamento da cidade a curto, médio e longo prazos, deve ser superior ao ritmo do crescimento do setor produtivo, de modo a possibilitar o desenvolvimento sustentável da região por meio do aproveitamento de oportunidades impulsionadas naturalmente pela economia.
*O autor é diretor Operacional da Associação Empresarial de Cariacica (AEC)