Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"Zona de Combate": filme de guerra da Netflix é 100% genérico

Estrelado por Anthony Mackie, o Falcão da Marvel, "Zona de Combate" chega à Netflix misturando ação e ficção científica com roteiro e direção que nunca engrenam

Vitória
Publicado em 15/01/2021 às 15h51
Filme
Anthony Mackie e Damson Idris em "Zona de Combate". Crédito: Jonathan Prime / Netflix

O sucesso do universo Marvel credenciou Anthony Mackie como herói de ação. No entanto, o ator, que vive o coadjuvante Falcão nos filmes e será protagonista da série “Falcão e o Soldado Invernal”, com estreia marcada para março no Disney Plus, ainda não conseguiu engrenar longe de Capitão América e cia. Ele até teve oportunidades, como na segunda temporada de “Altered Carbon”, da Netflix, ou em alguns filmes menores como “Polícia em Poder da Máfia”, mas sempre esbarrou em roteiros ruins e/ou diretores que pareciam não saber ao certo o que estavam fazendo.

É o que acontece, mais uma vez, em “Zona de Combate”, filme lançado nesta sexta-feira (15) pela Netflix. Dirigida pelo sueco Mikael Håfström, a trama se passa em um futuro próximo e acompanha o tenente Harp (Damson Idris), um piloto de drone que é convocado para uma zona de conflito após agir por conta própria durante uma operação, desobedecendo ordens superiores. Ele então se apresenta ao capitão Leo (Anthony Mackie) e descobre que irá a campo em meio a um conflito no Leste Europeu.

Além disso, Harp descobre também que Leo é um ciborgue secretamente criado e aperfeiçoado para combate. Cabe aos dois, agora, a missão de evitar que um vilão russo coloque as mãos em códigos nucleares soviéticos que deveriam estar desativados desde o fim da Guerra Fria, mas que obviamente foram mantidos em sigilo durante mais de 50 anos.

Por mais boba que pareça, a premissa de “Zona de Combate” é interessante e deixa o espectador ansioso para as possíveis cenas de ação que o ciborgue possa protagonizar. O desenvolvimento da narrativa, porém, é tão genérica quanto o título do filme e deixa muito a desejar.

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Filme "Zona de Combate", da Netflix. Crédito: Johnathan Prime/Netflix

“Zona de Combate” é o tempo todo muito didático, com os personagens explicando todo o cenário uns para os outros sem deixar espaço para que o espectador tire suas próprias conclusões. Durante a maior parte do tempo, o público acredita estar assistindo apenas a um filme de guerra/ficção científica genérico, mas tudo muda com uma reviravolta ao fim do segundo ato. Sem revelar spoiler algum, é possível dizer que o filme vai ladeira abaixo a partir desse ponto - com tudo devidamente explicado até mais de uma vez, pois os roteiristas Rowan Athale e Rob Yescombe acreditam que seu texto é muito mais complexo do que realmente é.

Ao criar Harp como um sujeito frio e distante, o filme por algum tempo ensaia a discussão sobre o que realmente nos torna humanos. Em contrapartida à construção de Harp, Leo é apresentado como um amante da música, bem-humorado e charmoso, características que são abandonadas sem explicação logo em seguida. De qualquer forma, esse lado mais ficção-científica logo é deixado de lado quando a ação ganha a tela.

Acontece que a ação, que poderia ser um grande trunfo e até fazer com que esquecêssemos do falho roteiro, é incapaz de entreter. Sem saber ao certo como registrar tais sequências, Mikael Håfström opta por cortes rápidos, câmeras girando e uma diminuição dos quadros por segundo (o que resulta numa cena "acelerada"), ou seja, segue a cartilha de ação de baixo orçamento, mas o faz com pouco domínio de técnica e não consegue conferir urgência às sequências.

“Zona de Combate” alterna momentos genéricos e outros apenas ruins. O irônico é que há nele um possível bom filme, mas o roteiro e a direção parecem fazer questão de escondê-lo e miná-lo. Há uma discussão anti-belicista, há bons elementos de ficção em soldados robôs que poderiam ser mais explorados, mas estão em tela apenas por estilo. Apostando numa reviravolta que não faz muito sentido, o filme tenta surpreender o público e acaba por apenas decepcioná-lo.

Netflix Rafael Braz

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