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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"Tem Alguém na Sua Casa", da Netflix, é um terror medíocre

Com referências claras do terror adolescente dos anos 1990, "Tem Alguém na Sua Casa" é um filme descartável com um mascarado matando adolescentes

Vitória
Publicado em 06/10/2021 às 18h16
Filme
Filme "Tem Alguém na Sua Casa", da Netflix, é cópia genérica de "Pânico" e afins. Crédito: DAVID BUKACH/NETFLIX

Os anos 1990 estão de volta, para o bem e para o mal. A nostalgia cíclica colocou de volta em pauta diversos itens da moda noventista, artistas devidamente esquecidos, uniformes de futebol cada vez mais espalhafatosos e também o cinema de terror slasher da geração que cresceu com “Pânico” (1996) e “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado” (1997) - não é por acaso que a primeira franquia vai ganhar um quinto filme ano que vem e a outra, por sua vez, uma série ainda neste mês.

Obviamente ligada no potencial da nostalgia, a Netflix tem em seu catálogo diversas obras do gênero, da série “Pânico” à trilogia “Rua do Medo”, passando pela boa série devidamente intitulada “Slasher”. Assim, “Tem Alguém na Sua Casa”, lançada nesta quarta (6) na plataforma se sente em boa companhia na gigante do streaming.

O filme dirigido por Patrick Brice (do interessante “Lunático”) adapta o livro homônimo de Stephanie Perkins em um terror slasher com pegada adolescente. O filme se passa em uma pequena cidade americana, daquelas em que todo mundo se conhece e acompanha basicamente um grupo de amigos em uma comunidade às voltas com um assassino mascarado que expõe os segredos das pessoas antes de assassiná-las brutalmente.

Desde sua sequência inicial, “Tem Alguém na Sua Casa” escancara suas influências - ao invés da ligação telefônica do Ghostface de “Pânico”, o assassino muda as coisas da casa de lugar e espalha pistas para que sua vítima identifique sua presença. Presente também está a máscara que obviamente serve para esconder a identidade do assassino. No filme de Brice, a máscara é personalizada e tem o rosto da vítima; é como se o responsável pela morte fosse a própria vítima e seus segredos.

“Tem Alguém na Sua Casa” tem início promissor, com uma morte estilosa, cruel a banhada a bastante sangue. A ambientação do filme também funciona, com casas isoladas na zona rural do Nebraska, mas ele não demora a abraçar o aspecto colegial e os personagens pouco interessantes. Logo entendemos que Makani (Syndey Park) é a protagonista e em torno de quem a história orbita - ela tem um passado do qual tenta fugir e que a levou até aquela cidade.

O roteiro é derivativo e expositivo em excesso. Em um momento, por exemplo, Makani pondera com a avó: “todos vão saber quem eu sou se procurarem meu nome no Google”. Na cena seguinte, ela mesmo procura seu nome no mecanismo de busca para mostrar ao espectador sobre o que estava falando minutos antes. Falta sutileza ao lidar com os detalhes dos personagens e com os segredos que todos eles guardam.

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Filme "Tem Alguém na Sua Casa", da Netflix, é cópia genérica de "Pânico" e afins. Crédito: DAVID BUKACH/NETFLIX

Não é difícil imaginar o assassino, mas o texto dá claras voltas e aponta diretamente para um suspeito, um personagem construído como o “diferente” da escola, o pouco sociável e, por isso, um assassino. A construção é tão falha que até as pessoas com quem ele se relaciona têm certeza da culpa dele. Com um esforço tão grande do roteiro para nos fazer olhar nessa direção, é óbvio que o truque acontece do outro lado.

Ao escolher ir atrás dos segredos, o filme traz umas mortes satisfatórias como a de uma jovem supremacista branca que insiste em mostrar a todos um discurso de inclusão. A premissa do título, a de que “há alguém na sua casa”, é esquecida rapidamente e utilizada apenas na primeira morte. O filme perde, assim, boas possibilidades de construir tensão e suspense com objetos fora do lugar ou até mesmo com a utilização de um método pelo assassino, algo que possibilitasse o surgimento de imitadores, por exemplo.

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Filme "Tem Alguém na Sua Casa", da Netflix, é cópia genérica de "Pânico" e afins. Crédito: DAVID BUKACH/NETFLIX

A narrativa do filme parece várias ideias apressadas e espremidas em 90 minutos. Não há espaço para desenvolvimento nenhum de personagem, o que faz com que não nos importemos com as mortes - pelo contrário, às vezes até oferecem uma recompensa sádica, como se aquelas pessoas merecessem aquele fim.

“Tem Alguém na Sua Casa”, ao fim, é um genérico de terror slasher dos anos 1990 com personagens pouco interessantes e sem nenhuma construção de tensão após a sequência inicial. A ideia de terror é deixada de lado e a trama se transforma num “whodunnit” dentro de um drama adolescente descartável e esquecível.

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