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Crítica

"O Culpado": Jake Gyllenhaal brilha em bom thriller da Netflix

Refilmagem do ótimo dinamarquês "Culpa", "O Culpado" tem grande atuação de Jake Gyllenhaal na construção de um policial tenso e cheio de camadas

Públicado em 

01 out 2021 às 14:46
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Jake Gyllenhaal em "O Culpado", suspense da Netflix Crédito: Glen Wilson/Divulgação
Lançado em 2018, o dinamarquês “Culpa”, de Gustav Möller, foi indicado a diversos prêmios internacionais, premiado em Sundance, e, inclusive, foi o filme selecionado pela Dinamarca para o Oscar do ano seguinte. Apesar da boa carreira internacional, o filme obviamente foi ignorado no mercado americano, que se recusa a consumir qualquer obra com legendas. A solução, óbvia para a indústria americana, foi adaptá-lo transportando a história para Los Angeles e com um rosto conhecido como protagonista.
“O Culpado”, dirigido por Antoine Fuqua (“O Protetor”), chegou nesta sexta (1º) à Netflix com uma adaptação que pouco acrescenta ao original. Na trama, Jake Gyllenhall é Joe Baylor, um policial responsável pelo atendimento ao 911 em Los Angeles. É seu último dia nessa função; ele tem uma audiência no final do dia e desde o início fica claro existir uma possível complicação nessa história.
Joe atende uma ligação abafada, de uma mulher que chora e despista o que está dizendo fingindo estar conversando com a filha. O policial identifica um possível sequestro e passa a fazer de tudo para identificar os envolvidos e dar um fim à situação.
“O Culpado” é um filme de ambiente único, ficando o tempo todo confinado ao local de trabalho de Joe e com Gyllenhaal em tela - daí a importância de se ter não apenas um rosto com o qual o público simpatiza, mas também um ator capaz de segurar o filme praticamente sozinho em tela por quase 90 minutos. Há, claro, interações com a tal mulher, Emily (RIley Keough), e outros funcionários da segurança de Los Angeles, além de personagens que não valem ser citados para não estragar nenhuma surpresa, mas é Joe que conduz toda a trama em suas ligações. 
"O Culpado" foi filmado em novembro de 2020 e é difícil imaginar um filme mais ideal para ser filmado em situação de pandemia. O roteiro adaptado por Nic Pizzolato não traz grandes surpresas para quem já viu o original, ele apenas tenta inserir algumas novas camadas. Joe claramente não quer estar naquela função e tem preocupações muito maiores do que boa parte de suas chamadas. A vindoura audiência é importante, assim como sua relação com a ex-mulher e a filha - ele usa aliança, então imaginamos ser algo recente, que ainda dói.
O texto também leva a trama para uma crise de incêndios em Los Angeles, o que complica o atendimento policial ao caso e, por consequência, deixa Joe ainda mais nervoso. O personagem de Gyllenhaal é construído como um sujeito aparentemente explosivo e disposto a contornar algumas regras para alcançar seu objetivo. O roteiro de Pizzolato ainda acrescenta ao drama do policial a filha que não existia no filme original e dá uma motivação adicional ao personagem, que se identifica com a situação da sequestrada.
Em sua versão hollywoodiana, “O Culpado” ganha ares mais americanizados e tecnológicos. Enquanto a central de atendimento dinamarquesa era um ambiente simples, a americana é tecnológica, com grandes monitores e uma iluminação baixa que confere um clima de suspense adicional à trama. A câmera também é muito mais agitada, refletindo o estado de espírito do protagonista a cada momento e tentando imprimir um senso de urgência à narrativa.
“O Culpado” tem uma ótima virada no início do terceiro ato e segue assim até seu encerramento. O recurso funciona devido à atuação de Jake Gyllenhaal, que dá vida a um policial visivelmente em conflitos particulares e um sujeito não necessariamente adorável - torcemos não por ele, mas para que a situação se resolva da melhor maneira possível.
Filme
Jake Gyllenhaal em "O Culpado", suspense da Netflix Crédito: Glen Wilson/Divulgação
Assim como o filme original, “O Culpado” é direto, sem espaços para subjetividades ou diferentes interpretações. É um suspense policial claustrofóbico que funciona pela atuação de Jake Gyllenhaal e também pela escolha dos produtores de manter o texto o mais fiel possível ao dinamarquês. O filme deixa claro haver muito mais acontecendo na vida de Joe e isso serve para dar um mínimo de profundidade ao policial em um cenário tão restrito. Apesar de simples, o filme se desenvolve de maneira às vezes surpreendente e o faz organicamente, sem nunca soar exagerado ou distante da realidade.
“O Culpado”, ao fim, é um bom filme da mesma forma que “Culpa” é um bom filme. O lançamento da Netflix obviamente perde potência se o espectador tiver conhecimento prévio do filme dinamarquês, pois é mais um dos tantos remakes americanos que não fazem muito sentido. Isso, no entanto, não tira o mérito da atuação de Jake Gyllenhaal e da boa ambientação de Pizzolato e Fuqua, que entregam um filme tenso e bem construído.
Filme
Jake Gyllenhaal em "O Culpado", suspense da Netflix Crédito: Glen Wilson/Divulgação

Rafael Braz

Graduado em Jornalismo pela Faesa e em Direito pela UVV, é jornalista de A Gazeta desde 2008. Começou como repórter nos cadernos Vila Velha e Serra e, desde 2010, trabalha com cultura. Foi repórter, editor-adjunto e editor do suplemento cultural Caderno 2. Desde 2019, é colunista da área.

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