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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"O Predador: A Caçada", no Star+, é um ótimo filme de ação

Violento e inteligente, "O Predador: A Caçada" ("Prey") é um excelente recomeço para uma franquia com o nome mais forte do que seus produtos

Vitória
Publicado em 05/08/2022 às 23h42
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Filme "O Predador: A Caçada", lançado pelo Star+. Crédito: Disney/Divulgação

O Predador sempre foi um personagem meio mequetrefe, humanoides demais, com barriga sarada e dreadlocks (nem vale discutir isso…), tornando até meio surpreendente que ele tenha vida tão longa no cinema. Lançado em 1987, o primeiro filme era um veículo para Arnold Schwarzenegger, então um grande astro de ação, mostrar seus músculos e atirar em alguma coisa que não fosse humana - todo mundo se lembra da história de que Jean Claude Van Damme seria o monstro, mas ninguém nem se lembra da premissa que trazia a equipe americana para resgatar agentes feitos reféns por guerrilhas comunistas na América Central.

Dirigido por John McTiernan, que também lançou “Duro de Matar” no mesmo ano, o filme é realmente bom, pois lidava com o medo do desconhecido, do invisível, como enfrentar algo que não se vê? Dali em diante, porém, nenhum outro filme com a marca “Predador” fez o mesmo sucesso ainda que não fossem necessariamente ruins. Exceção feita às atrocidades que são os filmes “Aliens vs. Predador” (marca que rendeu um bom jogo para computador), os filmes são até bem competentes. Gosto particularmente da mudança de cenário de “Predadores” (2010), de Nimród Antal, e da bagaceira de “O Predador” (2018), de Shane Black. Mas o que fazer com uma marca forte, mas para a qual as pessoas não ligam tanto? A regra da indústria manda voltar às origens

“O Predador: A Caçada”, lançado diretamente nos streamings da Hulu/Star+ sem passar pelos cinemas, é esse retorno às origens, um reboot disfarçado de prelúdio que entende que a força de seu personagem, o alienígena da raça Yautja, depende principalmente de quem ele está caçando. O título original, “Prey” (“Presa”), dialoga muito mais com o filme do que o adotado por aqui; a título de curiosidade, este é também o primeiro filme da franquia a não levar “Predator” no nome original.

O filme volta ao início do século 18, em uma aldeia na Nação Comanche. Conhecemos Naru (Amber Midthunder), uma jovem habilidosa que busca a oportunidade de passar pelo rito kühtaamia e se tornar uma guerreira enquanto todos veem para ela um futuro como cozinheira ou curandeira. O texto ressalta quão “vanguarda” são as aspirações de Naru ao não trazer nenhuma mulher guerreira na tribo, deixando claro que a jovem quer quebrar conceitos pré-estabelecidos.

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Filme "O Predador: A Caçada", lançado pelo Star+. Crédito: Disney/Divulgação

Quando uma criança desaparece da aldeia, Naru vê a oportunidade de se provar diante de todos em uma caçada ao lado de seu irmão, Taabe (Dakota Beavers) e outros jovens que fazem questão de menosprezá-la. É óbvio que a busca pela criança esbarra no caçador alienígena e o caos se instaura entre as belas locações do filme, em Alberta, no Canadá, cuja fotografia alterna momentos de contemplação, nas tomadas abertas, e outros quase claustrofóbicos, quando Naru se encontra sem saída.

A direção de Dan Trachtenberg (“Rua Cloverfield, 10”) entende perfeitamente que o Predador é melhor como ameaça invisível. É óbvio que não ser possível para mantê-lo assim durante o filme inteiro, então Trachtenberg busca o choque, busca revelar seu antagonista como se nenhum de nós o conhecêssemos. O recurso talvez não funcione para quem já sabe conhece o personagem, mas o choque no rosto de Naru ajuda o espectador a comprar a história.

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Filme "O Predador: A Caçada", lançado pelo Star+. Crédito: Disney/Divulgação

O grande mérito de “O Predador: A Caçada” é ter uma protagonista que funcione. Amber Midthunder é ótima, com a intensidade certa e uma ingenuidade genuína. Mesmo funcionando como um recomeço, o filme também oferece algumas novidades; quando tudo parece devidamente ambientado, por exemplo, o filme introduz exploradores franceses, o que é ótimo, pois a matança pode seguir poupando Naru e sua aldeia para os possíveis próximos filmes.

“O Predador: A Caçada” não tem tantos elementos de terror como alguns dos outros filmes, mas funciona como um excelente filme de ação - é fácil compará-lo ao ótimo “Apocalypto” (2006), de Mel Gibson. É uma pena que a Disney tenha tão pouca confiança na marca a ponto de nem dar uma chance a ela nos cinemas, pois o filme de Dan Trachtenberg deve ser incrível na tela grande.

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Filme "O Predador: A Caçada", lançado pelo Star+. Crédito: Disney/Divulgação

Para os fãs mais atentos da franquia, o novo filme traz conexões surpreendentes inclusive em imagens em seus créditos. Há no texto de Patrick Aison (“Jack Ryan”) e Dan Trachtenberg uma necessidade de fazer parte de um universo já pré-estabelecido; assim algumas frases de efeito como “se ele sangra, podemos matá-lo”, dita no primeiro filme, é novamente proferida 25 anos depois (ou 300 anos antes).

Sem grandes pretensões em seu lançamento, “O Predador: A Caçada” é sem dúvida o melhor filme da franquia desde 1987. É interessante como o filme transforma o predador na presa do título original e irônico que uma obra situada no século 18 dialogue com a contemporaneidade da forma como o lançamento do Star+ o faz. O filme de Dan Trachtenberg é ágil o tempo todo e entende a necessidade de uma protagonista forte, mesmo que isso signifique o sacrifício, muitas vezes literal, de alguns personagens que a cercam.

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