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Crítica

"O Halloween do Hubie": Adam Sandler volta à Netflix em filme quase bom

Nova comédia de Adam Sandler lançada pela Netflix, "O Halloween do Hubie" traz o comediante em seu lugar seguro, com uma história de bondade recheada de escatologia e humor físico

Publicado em 10 de Outubro de 2020 às 00:05

Públicado em 

10 out 2020 às 00:05
Rafael Braz

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Rafael Braz

Filme
Filme "O Halloween do Hubie" Crédito: Scott Yamano/NETFLIX
Durante a campanha para as indicações ao Oscar deste ano, Adam Sandler, merecidamente cotado pelo ótimo “Joias Brutas”, fez uma “ameaça”: ele disse que se não recebesse uma indicação por um elogiado papel em um drama, seu próximo filme seria o “pior” que ele já fez. O ator injustamente ficou de fora da lista, então era melhor a sociedade estar preparada para que o Sandler tinha na manga.
Lançado na última quinta-feira (8) na Netflix, “O Halloween do Hubie” não é o pior filme que Sandler já fez, até porque seria necessário um crime contra a humanidade para superar “Cada Um Tem a Gêmea que Merece” (2011) no quesito ruindade, mas tampouco é um filme que mereça grande destaque.
“O Halloween do Hubie” é o sexto filme do contrato inicial da produtora de Sandler, a Happy Maddison, com a Netflix - o acordo inicial previa seis filmes, mas a parceria parece ter funcionado bem para ambas as partes e mais quatro produções já estão acordadas. O filme dirigido por Steven Brill (“A Herança de Mr. Deeds”), parceiro habitual de Sandler, é o retorno do ator e roteirista a um lugar seguro em sua filmografia, a figura do sujeito intelectualmente limitado, mas de bom coração.
Hubie Dubois (Sandler) é motivo de piadas de quase todos na cidade de Salém, um comportamento nunca justificado pelo filme a não ser pelo fato de ele ser “diferente”, o que também nunca é explicado. Para o espectador, Hubie é o cara que anda de bicicleta pela cidade carregando uma garrafa térmica multifunções e desviando de objetos que lhe são atirados por crianças, adultos e idosos. A única pessoa que parece enxergar a bondade de Hubie é Violet (Julie Bowen), ex-menina mais popular da escola por quem o protagonista é apaixonado desde a infância.
Filme
Filme "O Halloween do Hubie" Crédito: Scott Yamano/NETFLIX
O roteiro até cria algumas possibilidades interessantes como o fugitivo do hospital e o personagem misterioso de Steve Buscemi, mas não as aproveita. Na trama, alguns habitantes de Salém, coincidentemente alguns dos que mais implicam do Hubie, desaparecem na aguardada noite de Halloween. Cabe a Hubie, um voluntário para que a festa do Halloween corra dentro da segurança, descobrir o que está acontecendo na cidade e salvar aqueles que parecem desprezá-lo.
“O Halloween do Hubie” é um festival de humor físico e escatológico, com muitos fluidos corporais, vômitos e situações constrangedoras para o espectador. É claro que quem clica em um filme de Adam Sandler o faz até esperando por isso, então talvez isso não represente um grande problema.
Há no meio do mau gosto, contudo, boas piadas recorrentes (os sustos) e algumas participações interessantes, de parceiros habituais, como Rob Schneider, Kevin James e o já citado Buscemi, além de Ray Liotta, Colin Quinn, Maya Rudolph, George Wallace e outras que funcionam melhor como surpresas.
Filme
Filme "O Halloween do Hubie" Crédito: Scott Yamano/NETFLIX
O problema de “O Halloween do Hubie”, excluindo aqui o gostar ou não do humor feito por Adam Sandler, é seu roteiro. A premissa é ok e a mensagem sobre a necessidade de ser forte para ser bom, bonita, mas a execução é atropelada. Quando o terceiro ato tem início e o filme caminha para seu fim, o rumo parece ser um que surpreendentemente funcionaria, com dicas espalhadas pelo texto durante toda a projeção. No entanto, o roteiro faz um contorcionismo narrativo para tudo se encaixar em uma zona de conforto tanto para Sandler quanto para o espectador.
Ao fim, “O Halloween do Hubie”, como dito, não é o pior filme de Adam Sandler e até passa longe disso, mas é uma obra em que ele joga seguro, com roteiro requentado e um personagem que coloca o ator em sua zona de conforto. É um filme para dar algumas risadas, se sentir um pouco constrangido, e achar a mensagem final edificante, nada que será lembrado por muito tempo.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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