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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

Conheça The Solitaryman Monoband, banda capixaba de um homem só

The Solitaryman Monoband é a alcunha do capixaba Cacá Cogo, que toca bateria, violão e canta misturando punk, hardcore e música brasileira. Ele irá se apresentar no tradicional festival Punktober Fest neste final de semana

Publicado em 09/10/2020 às 13h31
The Solitaryman Monoband, projeto musical do capixaba Cacá Cogo
The Solitaryman Monoband, projeto musical do capixaba Cacá Cogo. Crédito: Cacá Cogo

Nascido em Muniz Freire, mas criado em Guaçui, o capixaba Cacá Cogo leva a sério a máxima punk do "faça você mesmo". Há tempos ele já vinha tocando bateria e violão em algumas bandas, mas foi em 2011 que nasceu a alcunha do The Solitaryman Monoband, projeto em que toca bateria, violão e ainda canta. Desde então, superando uma suposta timidez, Cacá lançou cinco EPs com o projeto e se prepara para se apresentar no tradicional Punktober Fest neste final de semana - o músico se apresenta no sábado (10), às 16h40, direto de seu estúdio; a apresentação pode ser conferida clicando aqui ou pelo canal D'Outro Lado no YouTube.

O festival é realizado em São Paulo desde 2006, mas este ano, claro, terá uma versão on-line. Serão 30 bandas ligadas ao universo punk/hardcore ou apenas de música independente.

Como uma banda de um homem só, Cacá Cogo aproveitou o período de isolamento social para produzir e lançar dois EPs; o primeiro, "Um Punkynho e um Violão", com versões folk de bandas punk nacionais, e o segundo, "Hipocrisia a Gente Vê por Aqui", totalmente autoral. Ele também participou de um encontro on-line internacional de monobandas e criou o "Punk Rock Quarentena Sessions", no qual posta dois vídeos semanais de versões que vão de Discharge a Belchior. "Na minha cabeça, de uma forma ou de outra, esses artistas acabam tendo algo em comum", explica.

Confira na entrevista abaixo o que Cacá fala sobre sua produção musical e também sobre a necessidade que tem, como músico, de se posicionar politicamente no atual momento do país.

Como surgiu o Solitaryman Monoband? Você já era multicoisas na época do Hey!, mas ser realmente solo veio depois disso?

Surgiu em 2011, numa época que eu estava afastado das bandas de punk/hardcore de que eu fazia parte. Eu e minha esposa, Alyne Pirovani, tínhamos um projeto numa onda mais folk/rock, com o qual tocávamos na noite. Eu já tocava bateria e violão simultaneamente nesse projeto. Como o punk/hardcore sempre fez parte da minha vida, foi uma forma que eu encontrei de continuar fazendo um barulho. Mesmo que seja só para gravar e mandar para os amigos e tal. Até porque a timidez de me divulgar cantando não deixava ir além. (risos). A Hey! veio depois, em 2018. O The Solitaryman Monoband sempre foi um lance paralelo, pra me satisfazer mesmo. Tenho cinco EPs lançados desde 2011.

O nome vem da música “Solitary Man”, do Johnny Cash, ou é só coincidência?

Apesar de gostar de Johnny Cash e da canção, foi mais uma coincidência mesmo. Só precisava de um nome simples que já definisse o projeto.

Te acompanho nas redes e você tem zero medo de se posicionar tanto musicalmente quanto pessoalmente. Acha que é importante pro músico assumir suas posições e defendê-las?

Com certeza, bicho! Não tem como não se posicionar. Principalmente a galera ligada à música, à arte e à cultura. Vivemos tempos sombrios. Estamos lidando com pessoas ruins e covardes que acham que insulto é liberdade de expressão. Pessoas que negam a ciência e que compartilham mentiras. O discurso de ódio do homem que mostra uma caixa de cloroquina pra uma ema, não pode vencer

Durante esse período de distanciamento você se manteve ativo pra caramba, produzindo vídeos de covers e tal. Como tem sido esse período pra você

Como sou uma banda de um homem só, fica mais fácil para me organizar e produzir conteúdo. Acabei lançando dois EPs nessa quarentena: um de versões folk de bandas punk nacional chamado “Um Punkynho e um Violão”, que lancei em abril, e o EP autoral “Hipocrisia a gente vê por aí”, que saiu em agosto. Participei em abril do Festival Internacional de Monobandas (on-line). Participei também de dois eventos on-line da galera do "Time Bomb Zine", de São Paulo. Criei também a "Punk Rock Quarentena Sessions" em que posto vídeos, toda segunda e sexta, de covers e versões punk de artistas e bandas que eu gosto, além de sons autorais. Esse projeto me ajudou muito a passar o tédio e superar um pouco a timidez! Hoje posto meus vídeos barulhentos e minhas músicas com vocal desafinado de boa (risos)! 

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Você tem gravado covers de Belchior e Secos e Molhados a Black Flag e Discharge. Qual sua gama de influências pra esse projeto?

Esse lance da "Punk Rock Quarentena Sessions" eu criei pra homenagear os vários artistas de que gosto e que fazem parte da minha formação musical. De Belchior a Black Flag, de Ave Sangria a ROT, de Raul Seixas a Discharge... Sei lá, na minha cabeça, de uma forma ou de outra,  acho que essas bandas e artistas acabam tendo algo em comum. Seja nas letras, na história, na atitude, etc. Tem sido bem legal a recepção da galera e das bandas e artistas homenageadas que acabam me repostando nas redes sociais.

Sua produção é toda realmente solitária? Produz e grava em casa?

Sempre fiz tudo sozinho, em casa mesmo. Gravo o violão barulhento, a caixa, o bumbo, o chimbal, a voz distorcida desafinada e as microfonias. Uso celular pra filmar e programas simples de gravação e edição. Fiz meu próprio microfone pra ter uma sonoridade suja no vocal. Levo a sério o lema punk “do it yourself” (risos).

Como rolou a oportunidade do Punktober Fest? Vai priorizar o material autoral com uns covers no meio, como vai ser?

O festival Punktober Fest é organizado pela agência FusaBooking e pelo pessoal do D’outro Lado, que é responsável pelo meu merchandise de camisetas e bonés. Como já rolava essa parceria, acabei recebendo o convite pra participar do Festival. A prioridade sempre é o material autoral. Vou tocar os sons do ultimo EP mais alguns sons antigos e apenas dois covers.

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