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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"Loki": série da Marvel tem bom início, mas precisa mostrar mais

Lançada pelo Disney+, "Loki" conta o que aconteceu ao deus da trapaça. Episódio de estreia é ótimo, mas série precisa se sustentar assim

Vitória
Publicado em 09/06/2021 às 19h52
Série
Tom Hiddleston como Loki. Crédito: Disney/Divulgação

Lembra da estreia de “WandaVision”, quando ninguém sabia exatamente o que acontecia com os personagens presos em uma sitcom dos anos 1950? Não foram poucos críticos e fãs que abraçaram a ideia de uma série ousada, diferente e deliciosamente confusa. Diversas teorias, algumas bem complexas, tomavam as redes sociais semana após semana, mas a cada episódio ia ficando claro que não era algo bem inovador… Ao fim, “WandaVision” tem seus bons momentos, mas é uma série bem comum.

E da estreia de “Falcão e o Soldado Invernal”, você se lembra? Os trailers exaltavam uma espécie de “buddy cop” entre os dois heróis, além das grandiosas cenas de ação que os produtores faziam questão de ressaltar “estar nos níveis dos filmes da Marvel”. Com mais baixos do que altos, a minissérie do Disney+ teve ótimo início, mas se perdeu em um texto muitas vezes bobos e em uma direção com pegada de TV aberta.

E agora chega “Loki”, cujo primeiro episódio desembarcou nesta quarta (9) no Disney+, uma série que bebe diretamente nas histórias em quadrinhos para explicar até mesmo seu motivo de existir. Se todo mundo se lembra, Loki (Tom Hiddleston) é morto por Thanos em “Vingadores: Ultimato” (2019), mas acaba reaparecendo em uma viagem dos heróis ao passado para salvar a humanidade e desaparecendo com o Tesseract. “Loki”, a série, chega para responder essa questão.

Logo após sua última aparição no MCU, o deus da trapaça é preso por agentes da AVT (Autoridade de Variação Temporal), uma agência responsável por evitar distorções temporais. Ao fugir com o Tesseract, Loki criou uma nova linha temporal e se tornou um alvo dos agentes. Tudo isso é explicado bem rápido, com uma recapitulação de tudo o que a audiência precisa saber para entender a nova série - essas lembranças acontecem também em outros momentos do episódio de estreia, que serve basicamente para responder algumas perguntas e apresentar as novas regras daquele universo.

O caminho de Loki logo se cruza com o do agente Mobius (Owen Wilson), para quem o deus da trapaça pode ser muito útil trabalhando para a agência. É nessa dinâmica de Hiddleston e Wilson que a série tem seus melhores momentos no episódio de estreia - ironicamente com a dinâmica “buddy cop” pouco vista em “Falcão e o Soldado Invernal”.

Série
"Loki". Crédito: Disney/Divulgação

Um ótimo ator, Hiddleston é o responsável pelo carisma e pela transformação de Loki no universo Marvel, de um vilão a um anti-herói, um personagem shakespeariano, complexo, às voltas com sua origem. O ator já domina completamente as peculiaridades do personagem. Quando esse controle encontra o tempo de humor de Owen Wilson, o resultado oferece ao texto diversas possibilidades criativas.

“Loki”, a série, parece ser o arco definitivo de redenção de Loki, o personagem, algo muito comum a vilões carismáticos. Responsável pela direção dos seis episódios, Kate Herron (“Sex Education”) cria a AVT melancólica, burocrática e cheia de normas para a proteção da “Linha do Tempo Sagrada” - Mobius é o sujeito diferente nesse universo, que pensa fora das diversas regras da agência.

O roteiro é esperto o suficiente ao fazer o espectador entender suas regras, mas também que, a partir de agora, tudo pode acontecer - o Loki que conhecemos está morto (pelo menos por enquanto), mas ainda há muito que o deus da trapaça pode oferecer narrativamente à Marvel. O texto faz até uma possível brincadeira com uma teoria recorrente de “WandaVision”, mas logo entrega não se tratar de nada daquilo.

“Loki” é divertida e ousada, mas não se deve esperar dela vínculos fortes com o que ainda está por vir no universo da Marvel nos cinemas. A série estrelada por Tom Hiddleston funciona como um derivado e tem força para se sustentar sozinha, longe dos Vingadores, em sua própria linha do tempo, quase como uma espécie de “Doctor Who”. Assim como nos quadrinhos de heróis, ninguém quer desperdiçar um ótimo personagem ao matá-lo.

disney Rafael Braz

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