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Crítica

"Enfermeira": Boa série da Netflix traz assustadora história real

Minissérie dinamarquesa "Enfermeira" conta a história de como Christina Aistrup Hansen, uma enfermeira que envenenava e matava pacientes em seus turnos

Publicado em 28 de Abril de 2023 às 21:20

Públicado em 

28 abr 2023 às 21:20
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Série dinamarquesa
Série dinamarquesa "Enfermeira", da Netflix Crédito: Tommy Wildner/Netflix
Tudo na minissérie “Enfermeira”, da Netflix chama a atenção, mas o mais absurdo é descobrir que a série não é inspirada na mesma história real que deu origem ao ótimo “O Enfermeiro da Noite”, filme lançado pela mesma plataforma em outubro de 2022. Ambos tratam de casos assustadores, enfermeiros que matavam pacientes durante seus turnos, mas enquanto o filme contava os fatos protagonizados por Charles Cullen, a série dinamarquesa tem os crimes de Christina Aistrup Hansen no centro da narrativa.
Baseada no livro de Kristian Corfixen, “Enfermeira” tem início com a chegada de Pernille (Fanny Louise Bernth) a uma pequena cidade da Dinamarca para onde se mudou após ser aceita como enfermeira no hospital. No primeiro dia de trabalho, ela conhece Christina (Josephine Park), enfermeira que é a estrela do local, já tendo várias vezes salvo pacientes e, por isso, conquistando mais moral no hospital do que muitos médicos.
Christine coloca Pernille sob suas asas, a isola um pouco de contato com outros funcionários, e as duas se dão bem de imediato, mas a nova enfermeira logo começa a notar algumas atitudes estranhas da colega. Primeiro é uma mentirinha aqui, uma vontade de ser o centro das atenções acolá, depois uma atitude estranha com um paciente, até Pernille começar a de fato desconfiar que Christina intencionalmente mata alguns pacientes de seus turnos.
Em quatro episódios que variam entre 40 e 55 minutos de duração, “Enfermeira” é muito eficiente em construir a tensão e no desenvolvimento de Pernille. De início, incomoda o pouco que vemos de Christina quando ela não está ao lado da colega, mas parece ser justamente essa a intenção do texto, nos apresentar os fatos à medida que eles são descobertos pela protagonista.
Série dinamarquesa
Série dinamarquesa "Enfermeira", da Netflix Crédito: Tine Harden/Netflix
A série usa algumas idas e vindas no tempo para acompanhar um caso ocorrido alguns anos antes, no qual a morte de um senhor foi tratada como suicídio (dentro do hospital). É claro que a enfermeira responsável era a mesma dos casos que acompanhamos na narrativa principal, Christina.
“Enfermeira” não faz suspense, não é um “whodunnit” e tampouco busca revelar algum mistério - desde o início, mesmo quem não conhece a história real sabe que Christina é a culpada pelas mortes e também o seu modus operandi. O roteiro cria a tensão a partir do olhar de Pernille e, principalmente, na expectativa de que alguém descubra a verdade.
Série dinamarquesa
Série dinamarquesa "Enfermeira", da Netflix Crédito: Tommy Wildner/Netflix
É interessante como a série lida com o machismo do ambiente hospitalar, com colegas, algumas até com suspeitas parecidas às de Pernille, desencorajando a protagonista a buscar ajuda de superiores para lidar com o caso. A justificativa é que sempre tratam tais denúncias como “fofoca ou intriga feminina”, pois o ambiente da enfermagem mostrado na série é dominado por mulheres.
Com atuações satisfatórias, “Enfermeira” entrega o que promete. A série não se vende como uma biografia da assassina ou como uma história complexa de vários arcos; a ideia é apenas mostrar como Pernille descobriu os crimes de Christina e a impediu de continuar agindo. A escolha de dar mais voz aos pacientes e a alguns parentes deles funciona para dar peso às mortes e despertar a empatia do espectador. Em contrapartida, alguns personagens coadjuvantes parecem superficiais, como o médico vivido por Niels Lundén, o único a ganhar mais do que algumas falas, mas isso nunca compromete a experiência.
Série dinamarquesa
Série dinamarquesa "Enfermeira", da Netflix Crédito: Tine Harden/Netflix
“Enfermeira” é enxuta, bem produzida, com um ritmo razoável para o gênero, boa fotografia, trilha sonora e montagem. É uma história real dura e, por isso, uma obra dura, real e dolorosa.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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