Estresse
Em relação às raças, dá até para prever se o gatinho será mais calmo ou agitado. Os bichanos de raças Persa, Exótico, British Shorthair, por exemplo, são mais calmos e costumam ter o “desejo de busca” menos aflorado. Mas se é um gato SRD (sem raça definida), vai depender de suas experiências ao longo da vida. Filhotes são sempre mais agitados, pois estão aprendendo a caçar e a socializar, tudo é novo para eles. Experiências positivas com seres humanos é super importante durante esse período de aprendizado que vai de 2 a 4 meses de idade. Deve-se evitar brincadeiras com as mãos estimulando o filhote a morder, pois isso pode gerar agressividade no futuro. Também é extremamente importante não repreender e não brigar com os gatos, pois isso gera frustração e aversão ao ser humano, levando o animal a ter distúrbios comportamentais sérios.
Adotar (ou comprar) um gato adulto não significa necessariamente nenhuma vantagem quanto ao comportamento. O tutor só conhecerá sobre o comportamento do novo gatinho, membro da família, à medida que conviver com ele, pois os gatos só ficam à vontade no ambiente que eles marcam território e se sentem seguros. Só irão brincar e caçar onde não sentem medo, por isso o comportamento do gato muda quando ele sai do seu território, como, por exemplo, vai ao veterinário. Então, só depois da adaptação completa do animal no ambiente é que ele vai, finalmente, demonstrar o seu perfil.
É possível acalmar um gatinho mais espevitado, porém é necessário por parte do tutor muita paciência e criatividade. Quando ele não quiser que o gato suba em uma mesa ou arranhe o sofá, por exemplo, é necessário redirecionar sua atenção para algo mais interessante. Vamos supor que ele adora subir pelas cortinas para chegar lá no alto, então é hora de instalar prateleiras ou arranhadores que o levem até o teto. Acredite, escalar um arranhar atrativo pode ser bem mais emocionante que a cortina.
Existem adestramentos para gatinhos mais espevitados, mas é bem diferente dos direcionados aos cães. Os gatos não gostam de ser repreendidos e isso pode gerar frustração seguida de muito estresse. A melhor forma é redirecionar a atenção ou tornar aquele local desinteressante para o bichano. Exemplo: se você acha que seu gato não deve subir na mesa, torne ela desinteressante para ele. É só utilizar uma fita dupla face, porque ao pisar nela, vai grudar na patinha e ele vai ficar muito incomodado. Com isso, aos poucos vai percebendo que aquele lugar não é bom.
O tutor não gosta que o seu gato use a cadeira da mesa de jantar para tirar a sua soneca, porque fica cheia de pelos. Fácil, ofereça a ele um local mais aconchegante para dormir, como, por exemplo, redinhas presas nas pernas das cadeiras, embaixo. Desta maneira você estará direcionando esse descanso do felino para outro local acolhedor e confortável. Arranhar o sofá também é algo que incomoda muito os tutores, então, é fácil, forneça um arranhar bem atrativo, grande, firme e com tecido próprio para que ele consiga afiar as unhas. E, o principal, coloque exatamente onde ele mais gosta de arranhar no sófá. Lembre-se: usar o arranhador é uma forma do felino marcar território.
Cientificamente falando, não temos nenhuma comprovação de doenças de hiperatividade nos felinos. Ser mais ativo, ou não, depende de suas descendências genéticas. É importante ressaltar que alguns brinquedos de caça podem agitar os gatos e a erva catnip também pode causar excitação.
A agitação em um gatinho pode ser comportamental em casos de erros no manejo em casa. Se esse gato está estressado e se sente inseguro no ambiente ele pode ficar agitado, miar muito, fazer eliminação fora da caixa de areia, se esconder em alguns momentos. Ou pode estar relacionado a problemas de saúde quando esse animal sente dor. Os gatos podem mudar o comportamento e ficar mais agressivos ou agitados quando estão com dor de dente, dor de cistite, dores articulares e dores abdominais. Eles ficam menos tolerantes à manipulação. É preciso, sempre, estar atento a mudanças repentinas.
Quando o tutor, por exemplo, chega em casa, e encontra seu gato com toda a energia, ele jamais deve brigar com o bichano, falar não ou repreendê-lo. Isso pode gerar distúrbios comportamentais e agressividade e afastá-lo de seu tutor. E além do mais, vai contra um dos cinco pilares que é a interação positiva humana. Se o tutor briga com o gato, ele vai assustá-lo e isso vai gerar medo e frustração, e pode levá-lo a desenvolver aversão ao tutor, deixando-o inseguro no ambiente, agressivo e fazendo com que ele se esconda sempre.
O gato precisa de carinho e atenção, de brincar de caçar todos os dias, e após esse momento, deve receber uma recompensa como um petisco ou comida úmida (sachês/patês) ou carinho onde ele mais gosta de receber (cabeça, pescoço, base da cauda). O gato precisa ser próximo do tutor, ronronar e ficar perto, quanto mais interações positivas, mais seguro ele se sentirá e melhor será a sua qualidade de vida.
Gatos estressados cronicamente tendem a desenvolver síndrome de pandora que é uma doença neuroendócrina associada a cistites recorrentes. A ajuda de um médico veterinário, com especialização em felinos, pode contribuir bastante no processo de ambientação em relação a gatinhos mais agitados.