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Uma jornalista que ama os animais, assim é Rachel Martins. Não é a toa que ela adotou duas gatinhas, a Frida e a Chloé, que são as verdadeiras donas da casa. Escreve semanalmente sobre os benefícios que uma relação como essa é capaz de proporcionar

Como deixar seu gatinho mais calmo em casa: 10 dicas infalíveis

Seu gatinho é da pá-virada? Então, confira as dicas da médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão para deixá-lo mais calmo. Acredite, não é necessário devolver os bichanos mais espevitados, com paciência e criatividade eles são capazes de entender as regras da casa

Publicado em 18/05/2021 às 02h05
Gato no sofá
O mais importante é saber que quando uma pessoa decide levar um gato para a sua casa, precisa dar o tempo necessário a ele para se ambientar ao local e não logo pensar em devolvê-lo por qualquer motivo. Crédito: Freepik

Você é daquelas pessoas que tem um gatinho da pá-virada? E quando chega em casa descobre que ele simplesmente está se equilibrando em cima da porta do quarto? E daí, a primeira pergunta que vem à mente é: “Como ele conseguiu fazer essa proeza?”. E todo santo dia é uma surpresa diferente? São tantas traquinagens, que até já pensou em desistir do bichano e devolvê-lo?

A administradora Anna Karla Chieppe, tutora da gatinha Cappuccina, agora com 8 meses, que foi adotada bem filhotinha, é uma dessas que descobriu logo que sua ‘filha de quatro patas’ tem um comportamento mais agitado. “Ela anda com a mania de subir na coifa, a espertinha sabe que ali perto, no armário, fica a sua ração e petiscos”, explica.

Anna Karla Chieppe, tutora da gatinha Cappuccina, 8 meses, diz que ela é agitada e adora subir na coifa da cozinha
Anna Karla Chieppe, tutora da gatinha Cappuccina, 8 meses, diz que ela é agitada e adora subir na coifa da cozinha. Crédito: Arquivo pessoal

Segundo Karla, Cappuccina tem dois estados de espírito, ou ela está desmaiada, dormindo muito, ou completamente agitada. “Geralmente durante o dia a danadinha dorme muito. Depois, lá pelas 21 horas começa a agitação, e ela quer brincar. Adora uma bolinha de papel ou uma caixa de papelão, fica horas entretida. Mas também é muito curiosa, por exemplo, se eu decido fazer alguma coisa na bancada da cozinha, em um segundo Cappuccina está lá em cima querendo brincar. Ela já foi castrada, faz aproximadamente um mês, mas, sinceramente, ainda não senti nenhuma mudança, que esteja mais calma por conta disso, vamos ver mais para a frente. Mas eu adoro essa agitação. E nunca me passou pela cabeça desistir dela, na verdade sou fá de suas traquinagens”, ressalta.

Para tudo tem solução

Calma, essa agitação dos gatos tem solução. A médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão, especialista em Clínica Médica e Cirúrgica de felinos e Mestre em Ciência Animal, explica que não é necessário devolver o bichano se ele for espevitado, o que a pessoa precisa é entender as suas necessidades ambientais.

A médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão garante que gatinhos agitados podem ficar mais calmos, basta paciência e criatividade por parte do tutor
A médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão garante que gatinhos agitados podem ficar mais calmos, basta paciência e criatividade por parte do tutor. Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, quando um gato brinca, corre, sobe nos móveis, morde objetos e pessoas, derruba coisas, eles apenas estão exercendo um comportamento natural da espécie. Essas atitudes que os seres humanos entendem como brincadeira, são motivações instintivas classificadas como ‘desejo de busca’ que é ensinado pela mãe para o gato aprender a buscar recursos essenciais para sua sobrevivência, como comida, água e abrigos de proteção.

“Já o ‘social play’ é o processo de socialização, interação e desenvolvimento da competência em se relacionar com outros gatos. A brincadeira dos gatos é a caça, é socializando e brincando com outros gatos que ele aprende a buscar sua presa. O comportamento do gato adulto ou filhote vai depender de seu histórico de vida e da genética que ele carrega. Se um gato conviveu com outros animais, ele entende que a brincadeira de morder é com um animal da própria espécie, porém se ele não tiver esse tipo de experiência, pode direcionar isso para o ser humano. Filhotes de gatos ariscos podem ser mais agressivos ou medrosos e de gatos que sempre conviveram com humanos podem ser mais sociáveis. Alguns bichanos podem ser mais agitados devido a terem atitudes instintivas mais afloradas, como por exemplo gatos da raça Bengal. As descendências de raças também podem influenciar no comportamento dos felinos”, explica.

O mais importante é saber que quando uma pessoa decide levar um gato para a sua casa, precisa dar o tempo necessário a ele para se ambientar ao local e não logo pensar em devolvê-lo por qualquer motivo. Isso é muito ruim para o animal, pois os felinos são territoriais. Todas às vezes que eles precisam mudar de território, são obrigados a se adaptar e isso gera estresse, medo e frustração. Eles vão precisar explorar novamente cada canto da casa para se sentir seguro e livre de ameaças.

A médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão indica técnicas, como as redinhas embaixo de cadeiras, para desviar a atenção de gatos mais espevitados
A médica veterinária Polyana Pulcheira Paixão indica técnicas, como as redinhas embaixo de cadeiras, para desviar a atenção de gatos mais espevitados . Crédito: divulgação

“Existem cinco pilares de bem-estar felino: fornecer um ambiente seguro, ter todos os recursos no ambiente de forma descentralizada (água, comida, caixa de areia, brinquedos, locais de repouso), estimular a caça, interação humana positiva e evitar cheiros fortes que podem anular o cheiro do feromônio do gato (utilizado para marcar território e se sentir seguro, isso acontece quando ele esfrega o focinho nos móveis e nas pessoas e também quando usa o arranhador). Trabalhando bem eles, os resultados sempre vão ser positivos”, explica a médica veterinária.

Polyana também tem gatos em casa, um macho e quatro fêmeas, e explica que cada um tem sua personalidade e comportamento individual. “São quatro sem raça definida e uma da raça Bengal que é a mais nova. Todos brincam, porém a Bengal é a mais agitada, derruba tudo e sobe em tudo, não tolera manipulação, não gosta de colo. Mas é muito carinhosa, ronrona e se esfrega pedindo carinho. Temos que sempre respeitar os limites dos gatos, não forçar a manipulação e evitar interações negativas, seguir os cinco pilares de bem-estar felino no ambiente e assim evitar estresse e problemas futuros”, conclui.

Confira 10 dias para ajudar a melhorar o temperamento do seu gatinho

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    Agitados ou calmos

    Em relação às raças, dá até para prever se o gatinho será mais calmo ou agitado. Os bichanos de raças Persa, Exótico, British Shorthair, por exemplo, são mais calmos e costumam ter o “desejo de busca” menos aflorado. Mas se é um gato SRD (sem raça definida), vai depender de suas experiências ao longo da vida. Filhotes são sempre mais agitados, pois estão aprendendo a caçar e a socializar, tudo é novo para eles. Experiências positivas com seres humanos é super importante durante esse período de aprendizado que vai de 2 a 4 meses de idade. Deve-se evitar brincadeiras com as mãos estimulando o filhote a morder, pois isso pode gerar agressividade no futuro. Também é extremamente importante não repreender e não brigar com os gatos, pois isso gera frustração e aversão ao ser humano, levando o animal a ter distúrbios comportamentais sérios.

  2. 02

    Gatos adultos

    Adotar (ou comprar) um gato adulto não significa necessariamente nenhuma vantagem quanto ao comportamento. O tutor só conhecerá sobre o comportamento do novo gatinho, membro da família, à medida que conviver com ele, pois os gatos só ficam à vontade no ambiente que eles marcam território e se sentem seguros. Só irão brincar e caçar onde não sentem medo, por isso o comportamento do gato muda quando ele sai do seu território, como, por exemplo, vai ao veterinário. Então, só depois da adaptação completa do animal no ambiente é que ele vai, finalmente, demonstrar o seu perfil.

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    Paciência

    É possível acalmar um gatinho mais espevitado, porém é necessário por parte do tutor muita paciência e criatividade. Quando ele não quiser que o gato suba em uma mesa ou arranhe o sofá, por exemplo, é necessário redirecionar sua atenção para algo mais interessante. Vamos supor que ele adora subir pelas cortinas para chegar lá no alto, então é hora de instalar prateleiras ou arranhadores que o levem até o teto. Acredite, escalar um arranhar atrativo pode ser bem mais emocionante que a cortina.

  4. 04

    Adestramento

    Existem adestramentos para gatinhos mais espevitados, mas é bem diferente dos direcionados aos cães. Os gatos não gostam de ser repreendidos e isso pode gerar frustração seguida de muito estresse. A melhor forma é redirecionar a atenção ou tornar aquele local desinteressante para o bichano. Exemplo: se você acha que seu gato não deve subir na mesa, torne ela desinteressante para ele. É só utilizar uma fita dupla face, porque ao pisar nela, vai grudar na patinha e ele vai ficar muito incomodado. Com isso, aos poucos vai percebendo que aquele lugar não é bom.

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    Criatividade

    O tutor não gosta que o seu gato use a cadeira da mesa de jantar para tirar a sua soneca, porque fica cheia de pelos. Fácil, ofereça a ele um local mais aconchegante para dormir, como, por exemplo, redinhas presas nas pernas das cadeiras, embaixo. Desta maneira você estará direcionando esse descanso do felino para outro local acolhedor e confortável. Arranhar o sofá também é algo que incomoda muito os tutores, então, é fácil, forneça um arranhar bem atrativo, grande, firme e com tecido próprio para que ele consiga afiar as unhas. E, o principal, coloque exatamente onde ele mais gosta de arranhar no sófá. Lembre-se: usar o arranhador é uma forma do felino marcar território.

  6. 06

    Hiperatividade

    Cientificamente falando, não temos nenhuma comprovação de doenças de hiperatividade nos felinos. Ser mais ativo, ou não, depende de suas descendências genéticas. É importante ressaltar que alguns brinquedos de caça podem agitar os gatos e a erva catnip também pode causar excitação.

  7. 07

    Saúde

    A agitação em um gatinho pode ser comportamental em casos de erros no manejo em casa. Se esse gato está estressado e se sente inseguro no ambiente ele pode ficar agitado, miar muito, fazer eliminação fora da caixa de areia, se esconder em alguns momentos. Ou pode estar relacionado a problemas de saúde quando esse animal sente dor. Os gatos podem mudar o comportamento e ficar mais agressivos ou agitados quando estão com dor de dente, dor de cistite, dores articulares e dores abdominais. Eles ficam menos tolerantes à manipulação. É preciso, sempre, estar atento a mudanças repentinas.

  8. 08

    Energia

    Quando o tutor, por exemplo, chega em casa, e encontra seu gato com toda a energia, ele jamais deve brigar com o bichano, falar não ou repreendê-lo. Isso pode gerar distúrbios comportamentais e agressividade e afastá-lo de seu tutor. E além do mais, vai contra um dos cinco pilares que é a interação positiva humana. Se o tutor briga com o gato, ele vai assustá-lo e isso vai gerar medo e frustração, e pode levá-lo a desenvolver aversão ao tutor, deixando-o inseguro no ambiente, agressivo e fazendo com que ele se esconda sempre.

  9. 09

    Presente

    O gato precisa de carinho e atenção, de brincar de caçar todos os dias, e após esse momento, deve receber uma recompensa como um petisco ou comida úmida (sachês/patês) ou carinho onde ele mais gosta de receber (cabeça, pescoço, base da cauda). O gato precisa ser próximo do tutor, ronronar e ficar perto, quanto mais interações positivas, mais seguro ele se sentirá e melhor será a sua qualidade de vida.

  10. 10

    Estresse

    Gatos estressados cronicamente tendem a desenvolver síndrome de pandora que é uma doença neuroendócrina associada a cistites recorrentes. A ajuda de um médico veterinário, com especialização em felinos, pode contribuir bastante no processo de ambientação em relação a gatinhos mais agitados.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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