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Jornada

Afeto

Ouso dizer que ter o afeto como pauta de vida no momento em que vivemos seja, talvez, o maior processo de empoderamento que eu já me proporcionei na vida

Publicado em 21 de Outubro de 2019 às 16:24

Públicado em 

21 out 2019 às 16:24
Priscila Gama

Colunista

Priscila Gama

Mãos dadas para o afeto Crédito: br.freepik.com
1. Sentimento terno de afeição por pessoa ou animal; amizade. "seu a. por nós era patente"
 2. [POR METONÍMIA] o objeto dessa afeição."seu a. eram as filhas"
3. [PSICOLOGIA] sentimento ou emoção em diferentes graus de complexidade como amizade, amor, paixão,  etc.
4. [PSICOLOGIA] um dos três tipos de função mental [As funções mentais se dividem em afeto, cognição e volição.].
5. [PSICANÁLISE] expressão qualitativa da quantidade de energia das pulsões e das suas variações [Para Freud, seriam reproduções de antigos acontecimentos de importância vital e, eventualmente, pré-individuais.].
Bom, eu teria e tenho muitas coisas para falar por aqui com vocês, que agora acompanham minhas tantas percepções sobre a vida. E eu não poderia começar essa jornada de colunista, se não fosse entrando pela porta do AFETO.
Hoje convido vocês ao exercício de praticarem o afeto de uma maneira pouco ortodoxa, afastando daquele significado divido de doação ao outro. Assumimos aqui o realizar o afeto por si - no singular, para assim conseguirmos verbalizar esta sensação no coletivo. Pois isso decidi dividir nesse contato inicial minha vivência pra me fazer ser melhor entendida.
Enquanto mulher negra e periférica que sou, observo o mundo, prioritariamente, a partir do meu corpo e da relação com o meu território. A partir das conexões e da historicidade do meu viver – e isso implica em receber também esse registro da vida de outras pessoas na minha.
É claro que eu, como humana, e detentora desse recurso que muito embora maravilhoso é, bem falho, julgo, observo, analiso e decido. Mas nem sempre estou preparada pra lidar com as escolhas que vão de encontro ao que eu julgo as melhores. O que faço? Depende, mas tenho tentado olhar o outro com cada vez mais afeto – o que é um paradoxo, já que é absurdamente difícil se tolerante com as intolerâncias.
Assim eu tenho percebido que o melhor dos caminhos seria pautar meus olhos e meus ouvidos para exercitar também o afeto por mim mesma. Assim eu me afasto da possibilidade de julgar o outro, tanto quanto da sombra de uma violabilidade sobre mim , porque sinto a urgência em mim de trabalhar o afeto como ferramenta de reflexão, transformação, promoção da emancipação e que a partir desse processo, meus enfrentamentos tem passado a ser menos dolorosos.
E eu ouso te dizer que ter o afeto como pauta de vida no momento em que vivemos seja, talvez, o maior processo de empoderamento que eu já me proporcionei na vida. Vide aqui um conceito de empoderamento como a minha transformação em agente ativo e central de minha própria narrativa – o que em muitas formas, me ajuda a observar as barreiras e dificuldades que encontro na perspectiva de quem sabe que vai ultrapassá-las, de quem sabe que precisa, mas de que não vai atropelar ou violentar ninguém.
O que eu quero dizer aqui é que em 2019 (gente, é 2019!) a gente não pode dizer que “cada um faz da sua vida o que quiser” e ao mesmo tempo realizar um “faça o que quiser, desde que queira o que eu quero”. Nós precisamos ao passo do respirar encontrar conexões pra colar nossos afetos uns nos outros antes que nos odiemos todos.
Setembro de 2019. Comecemos com afeto essa nova jornada, AFETIVANDO (é isso mesmo – efetivar o afeto) nossos dias nesses registros semanais. Bora?

Priscila Gama

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