A jornalista Mariana Perini e o time de conteúdo do Estúdio Gazeta trazem as novidades do mercado publicitário e da comunicação, com cases e tendências que se destacam dentro e fora do Estado.

Marqueteiros já começam a se movimentar para as eleições municipais

Doutor em Ciências Sociais, João Gualberto, explica que, antes de falar das novidades para as próximas eleições, é preciso entender que não se fazem mais campanhas como antigamente

Vitória
Publicado em 01/03/2024 às 17h27
Urna eletrônica, eleição, marketing político
Urna eletrônica, eleição, marketing político. Crédito: Shutterstock

A eleição se aproxima, e especialistas e agências que trabalham com Marketing Político já começam a se articular. No Estado, alguns nomes conhecidos, quando o assunto é campanha eleitoral, já traçam estratégias diante das mudanças ocorridas nos últimos anos no cenário político do país.

Doutor em Ciências Sociais e diretor de política da Persona, João Gualberto, explica que, antes de falar das novidades dos “marqueteiros” para as próximas eleições, é preciso entender que não se fazem mais campanhas como antigamente. E, neste caso, não se trata de uma figura de linguagem, mas de algo literal.

"As campanhas eleitorais no Brasil começaram em 1989 com a eleição do Collor. Antes elas praticamente não existiam, porque eram disciplinadas por uma lei militar, a Lei Falcão, que era muito dura e restritiva", relembrou.

No Espírito Santo, segundo ele, a primeira campanha eleitoral nos moldes das de hoje foi feita por Bete Rodrigues e Jane Mary para eleger Albuíno Azeredo, em 1990. E foi a partir de então que “Bete se transformou na marqueteira mais importante do Estado".

João Gualberto, doutor em ciências sociais e diretor de política da Persona
João Gualberto, doutor em ciências sociais e diretor de política da Persona. Crédito: Divulgação

“A diferença das campanhas de antigamente para as de hoje é que elas estavam centradas em um só veículo, a TV, e em uma só pessoa, a marqueteira. Hoje, elas estão pulverizadas, fragmentaram-se, e as redes sociais passaram a ser um instrumento importante na decisão dos eleitores", explicou.

Conceito

Jornalista, publicitário, especialista em Marketing Político e diretor-executivo da Conceito Propaganda, João Luiz de Oliveira começou cedo a trabalhar com política em 1980, ainda na época da ditadura militar.

"Como militante político fui o responsável pela organização, agenda e mobilização da campanha de Vitor Buaiz para prefeito de Vitória. Atuei como voluntário, mas, em seguida, iniciei minha carreira profissional", lembrou.

João Luiz de Oliveira, especialista em marketing político e diretor da Conceito Propaganda. Crédito: divulgação
João Luiz de Oliveira, especialista em marketing político e diretor da Conceito Propaganda. Crédito: divulgação

O publicitário adiantou que está na fase de intensificar as conversas para cuidar de campanhas em diversos municípios do Estado. “O trabalho nos municípios é extenso. Ao longo de minha trajetória fiz campanhas em municípios como Irupi, Conceição do Castelo, Vargem Alta, Muniz Freire, São José do Calçado, passando por Linhares, Vila Velha e Cachoeiro de Itapemirim”, enumerou.

João Luiz perdeu as contas de quantas campanhas realizou. Foi responsável pela campanha vitoriosa de Brice Bragato, como vereadora da Serra, em 1988, e, posteriormente, em 1990, 1994 e 2002 como deputada estadual.

Trabalhou com Bete Rodrigues, Mariangela Galvão e Luiz Carlos Azedo na campanha de Paulo Hartung para o governo do Estado, em 2002, e, no mesmo ano, também fez a campanha de Renato Casagrande para deputado federal.

O segredo de tantas campanhas vitoriosas? Ele revela: “Pesquisa, planejamento, flexibilidade para mudança de rumo caso necessário e atenção às novidades do mercado, em especial às redes sociais e à inteligência artificial. Por último, claro, foco no posicionamento vitorioso. Candidato otimista é peça-chave de uma campanha vitoriosa".

Criativa

Roberto Figueiredo e Arildo Cassaro, sócios da Agência Criativa, também se articulam para coordenar campanhas nesta eleição. Com 40 anos de experiência, a agência já trabalhou para eleger governador, senador, prefeito, deputados e vereador.

Roberto Figueiredo, sócio da Agência Criativa. Crédito: Divulgação
Roberto Figueiredo, sócio da Agência Criativa. Crédito: Divulgação

“Participamos dos bastidores da vitória de Albuíno, que começou com 3% e venceu José Ignácio; da virada de Max Filho na reeleição, após a grande enchente em Vila Velha. Muitos achavam que a enchente tinha garantido a vitória de Vasco Alves, mas um VT de 2 minutos virou o jogo”, contou.

Para Roberto, o segredo de uma campanha vencedora é pesquisa, estratégia, criação e execução, tudo realizado com criatividade por uma equipe experiente.

Carreiro

O jornalista e consultor de marketing político, especializado em imagem, reputação e gerenciamento de crise Fernando Carreiro também tem experiência na área. Há 19 anos, trabalha “no meio do poder” e já coordenou quase 50 campanhas, não só no Espírito Santo, mas na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais.

Fernando Carreiro, especialista em Marketing Político
Fernando Carreiro, especialista  em marketing político e gestão de crise . Crédito: divulgação

“Já fiz campanha para prefeito, deputado estadual, deputado federal e governador”. Entre as figuras políticas atendidas pelo jornalista, estão Carlos Manato, João Coser, Max Filho, Sérgio Vidigal, Erick Musso, Rodney Miranda, Euclério Sampaio, entre outros nomes.

"Em 2020, fomos o escritório de marketing político que mais elegeu prefeitos no Estado: sete no total", acrescenta. Para ele, não há receita de bolo para uma campanha vitoriosa, mas uma avaliação diária e minuciosa dos movimentos políticos, das tendências eleitorais e de pesquisas de opinião.

“Uma equipe formada por bons profissionais e a agilidade, sobretudo num tempo turvado por desinformação na rede, também fazem parte da receita de sucesso de uma campanha", ensinou.

Mestra

O publicitário e sócio-diretor da Mestra Inteligência Criativa, Jorge Pedrosa, concorda. Na análise dele, hoje as eleições são muito dinâmicas, principalmente pela velocidade da comunicação entre candidatos e eleitores.

“Por isso, é primordial estar atento ao dia a dia e contar com uma estratégia capaz de se adaptar às circunstâncias. Redes sociais ativas e bem engajadas são um grande diferencial, assim como é extremamente importante acompanhar o comportamento dos eleitores e seus interesses”, ressaltou.

Jorge Pedrosa, da Mestra Inteligência Criativa. Crédito: divulgação
Jorge Pedrosa, da Mestra Inteligência Criativa. Crédito: divulgação

Para ele, é importante ouvir feedbacks, acompanhar comentários e declarações nas redes sociais e gerar relatórios numéricos de atividades. Uma campanha vencedora sempre será aquela que está próxima de seu eleitor, gerando identificação entre as mensagens transmitidas e seus públicos.

“Ainda estamos em negociações para realização de pré-campanhas, um período que tem ganhado cada vez mais relevância na preparação para o período eleitoral”, declarou ele, que já fez campanhas de Marcos Do Val, para senador; Tininho, para prefeito de Marataízes; e Silvio Ramalho, para prefeito de Caravelas, na Bahia.

Polarização

Sobre desinformação nas redes, o doutor em Ciências Políticas João Gualberto acrescenta que existem outros dois elementos importantes a serem levados em consideração pelos marqueteiros nas eleições dos últimos anos: a polarização e as fake news.

"É o que os autores modernos estão chamando de polarização calcificada, muito levada para o campo dos afetos. As famílias estão divididas por essa polarização afetiva, os amigos estão divididos. Há um elemento que antecede a decisão de voto, que a instrumentaliza, que é essa polarização. Quando alguém é mais radical, seja de direita, seja de esquerda, não há nada que uma campanha poderá fazer para seduzi-lo", enfatizou.

Além de as campanhas de hoje serem fragmentadas, segundo João Gualberto, elas já nascem com essas decisões formadas. Por outro lado, essa menor fração de pessoas que será atingida pelas campanhas é que vai decidir a eleição, uma fração que está no centro.

fake news
Crédito: Shutterstock

Fake news

Sobre as fake news, o especialista ressalta que os últimos tempos instituíram algo que se chama pós-verdade, a verdade que se constrói, e esse é outro elemento que modificou muito as campanhas.

“Hoje, infelizmente, o canal de informação das pessoas mais simples e mais velhas é o WhatsApp. Elas se informam a partir de algum parente ou algum amigo e acreditam em tudo o que está ali como se fosse algo sagrado”.

O doutor em Ciências Sociais explica que qualquer produção acaba convencendo essas pessoas.

“Quem está por trás dessa central de criação de conteúdos falsos usa e abusa da ingenuidade e da falta de informação que esses setores sociais têm da vida contemporânea. Quanto mais velho e menos letrado, mais suscetível a essas notícias falsas”.

O especialista acrescenta que as fake news entram no campo da polarização, uma vez que as pessoas só recebem informação da bolha que participam. A direita vem da direita e a esquerda, da esquerda.

“Temos que levar em conta que a política migrou para as redes sociais, desenha-se nas redes sociais. Isso acaba criando um novo mundo, um mundo antivacina com falsas informações, que são repetidas e que convencem eleitores que estão mais para discípulos”.

Desinformação 2.0

O publicitário Fernando Carreiro considera as fake news um grande câncer nas disputas eleitorais dos últimos tempos.

“As redes sociais e os aplicativos de mensagens, com sua rapidez, agravam ainda mais essa doença e tornam o tratamento difícil, meticuloso e com necessidade de remediar com a mesma rapidez. O uso das deep fakes é o que chamo de Desinformação 2.0, porque conseguiram aprimorar o que já era nocivo e muito ruim. Esse é, sem dúvida, o grande desafio desta campanha eleitoral: saber lidar com essa moléstia quase invisível e tão devastadora para a democracia”.

Legislação

João Luiz de Oliveira chama atenção para a importância da aprovação do Projeto de Lei 2630, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência. Para ele, enquanto o Congresso não aprovar, a internet continuará sendo uma terra sem leis, um ambiente fértil para o surgimento e disseminação das fakes news.

“Do ponto de vista do marketing, nosso papel é tentar blindar os candidatos com a história de vida deles, os trabalhos reais e exitosos em favor da população, com relatos precisos e contundentes, inclusive com testemunhais, procurando sempre que possível se antecipar aos fatos. Esse é um dos antídotos mais importantes”, ensinou.

O publicitário Jorge Pedrosa finaliza dizendo que “é preciso fazer uma campanha absolutamente transparente desde o início, mantendo os canais de diálogo claros e abertos, com respostas e esclarecimentos ágeis”.

“Por fim, sempre vale destacar que devemos repudiar e denunciar qualquer tipo de discurso de ódio ou discriminação”.

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