Graças a uma ampla extensão territorial e variedade de culturas, o Brasil tem uma das populações mais diversas do mundo. Por isso, compreender o perfil e as nuances do brasileiro contemporâneo é uma tarefa complexa, mas necessária, principalmente para orientar políticas públicas, investimentos e o crescimento do país.
Compilar dados que ajudam a decifrar esse perfil é o objetivo do livro Brasil no Espelho, do cientista político Felipe Nunes, que foi o tema central do primeiro Diálogos, da Rede Gazeta, de 2026. O evento reuniu empresários e lideranças políticas para um debate sobre os principais achados do livro e como essas informações podem ajudar a guiar decisões e estratégias em diversos setores da economia.
Felipe Nunes
cientista político
"O Brasil no Espelho é uma oportunidade de refletir sobre este país tão diverso, cheio de paradoxos e contradições. E vir ao Espírito Santo falar sobre este estudo é uma oportunidade de mostrar como o capixaba se parece ou não com a média do país"
A pesquisa, que depois foi transformada em livro, foi construída com base em quase 10 mil entrevistas em 340 municípios brasileiros, espalhados por todas as 27 unidades da federação. Segundo o cientista político, os dados mostram que o povo capixaba é mais conservador e tradicional do que a média do Brasil e, ainda, exige do mercado e das autoridades uma postura mais aderente a essa dinâmica.
“Isso quer dizer que o mercado publicitário do Estado tem que estar atento a esse público que é tão exigente e que tem valores muito claros em relação ao que espera das marcas”, ressaltou.
Presente no evento de lançamento estadual do Brasil no Espelho, o Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, pontuou a importância dos dados presentes na publicação para a atuação do Governo.
“O estudo contribui para o planejamento do Governo a curto e longo prazo, porque nos ajuda a conhecer as oportunidades e os desafios que as pessoas enxergam aqui no Estado. Quando você consegue entender as pessoas de forma coletiva, você sabe como lidar com elas através do diálogo, da paciência e da resiliência, que é uma capacidade necessária para que os governos possam conquistar a confiança das pessoas”, afirmou.
Felipe Nunes, que também é fundador e CEO da Quaest, participou de um painel com os jornalistas Abdo Filho, de A Gazeta, e Daniela Abreu, da TV Gazeta, e tirou dúvidas dos presentes.
Diálogo fomenta o progresso
Como apontado pelo cientista político, o Brasil é um país cheio de paradoxos e contradições. E entre as regiões brasileiras, segundo o estudo, nenhuma reverbera isso tão bem como o Sudeste, onde valores tradicionais e visões modernas de mundo coexistem intensamente.
O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos, também estava presente no evento e disse acreditar que o caminho para transformar a diversidade de opiniões em progresso é, acima de tudo, o diálogo. Para ele, o Poder Legislativo tem um papel importante no incentivo ao debate construtivo, que tem um poder transformador.
Marcelo Santos
presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
“O mais importante é respeitarmos a posição do outro e não nos fecharmos em bolhas. E a Assembleia, que é a casa do debate, está sempre buscando ouvir mais e melhor as pessoas. Com o diálogo, sempre respeitoso, nós transformamos essas ideias e posições em projetos de lei, emendas e, assim, transformamos os sonhos dos cidadãos do Espírito Santo em realidade através do debate”
Dados que ditam o mercado
Para investidores e empresas públicas e privadas, entender a realidade da população por meio de dados e análises qualificadas é essencial. O presidente do Banestes, José Amarildo Casagrande, acredita que essas informações podem orientar estratégias e ditar o rumo dessas organizações.
José Amarildo Casagrande
presidente do Banestes
"Esse estudo é fundamental e chegou em uma hora muito boa, já que os consumidores estão cada vez mais exigentes. O Banestes, que hoje tem mais de 1,4 milhão de clientes, enxerga isso como uma oportunidade para desenvolver linhas de crédito, seguros e programas de outros serviços de forma mais assertiva para os capixabas"
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