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Debate

Transporte via aplicativo: o que faz o preço aumentar tanto no ES?

Estamos sem a circulação dos ônibus devido às medidas de controle e contenção do avanço da Covid. O que revela o quanto é importante a política pública de transporte, garantia constitucional

Publicado em 06 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

06 abr 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Motoristas de aplicativos fazem protesto pedindo reajuste nas tarifas, em Vitória
Como não se trata de uma política pública, o transporte via aplicativo é regido pela lei do mercado, sem a interferência do Estado Crédito: Ricardo Medeiros
Por que o preço das viagens dos carros de aplicativos, o que se convencionou chamar de “Uber”, está tão caro? Será que é por que estamos sem ônibus? Ou o preço da gasolina, que não para de aumentar, é a causa principal? O que faz o preço aumentar tanto assim?
Como não se trata de uma política pública, o transporte via aplicativo é regido pela lei do mercado, sem a interferência do Estado. O preço da viagem é calculado pela lei da oferta e da procura. Logo, o fato de não termos ônibus faz com que mais pessoas procurem pelo aplicativo. Mas não é só isso!
A resposta padrão encontrada para esta questão é que existe um “preço dinâmico”, que é ativado quando muitas pessoas solicitam viagens ao mesmo tempo em uma mesma região. Assim, as viagens ficam mais caras com a procura. O que faz o preço ir lá nas alturas.
Claro que, em contexto de pandemia, crise econômica e desemprego, quem está fora do mercado de trabalho e vive da informalidade vê no aplicativo uma oportunidade de ganhar dinheiro. Afinal, com este governo de tendência política e econômica esquizofrênica - adotou tendências contrárias, que causam mais choque do que resultados -, não se pode esperar muito. Mas esta é uma outra história que também precisa ser contada.
Segundo as empresas, quando o preço aumenta, há um ajuste do preço que atrai mais motoristas parceiros para a região. Assim, todos conseguem uma viagem. Isso no plano das ideias. Porque na prática, está insuportável andar de “Uber” nestes dias que não temos ônibus na Grande Vitória. O preço não abaixa.
O que precisamos de fato é de um sistema de transporte público de qualidade para todos e que vá além dos ônibus. E não existe melhor momento para fazer este debate. Estamos sem a circulação dos ônibus devido às medidas de controle e contenção do avanço da Covid. Medida necessária frente à dura realidade que temos. O que revela o quanto é importante a política pública de transporte, garantia constitucional.
Vive-se um paradoxo do transporte público no Espírito Santo. Com ônibus, estamos reféns do rodoviarismo. Só temos o ônibus como único modelo de transporte público no Estado. Quando poderíamos ter avançado com outros modais de transporte. Com ônibus já não está bem; sem o ônibus, fica-se refém dos aplicativos. Quando o Estado não avança em favor do transporte público, o mercado bate palma e sorri. E o povo chora.
Por que não temos o VLT – veículo leve sobre trilhos? Tem-se malha ferroviária e não se usa. O governo tomou a iniciativa das barcas, mas por que estão demorando? Por que não avançamos com uma integração via ciclovias?
O uso de bicicletas é uma realidade, mas falta suporte de ciclovias. Sem falar no metrô. Todas as capitais da região sudeste já têm e o Espírito Santo, nada. Enquanto não se avança para garantir este direito sagrado do transporte, o leilão de preço de uma viagem de “Uber” só aumenta. Viva ao mercado!
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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