Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Contra o preconceito

O recado da empresa de transporte por aplicativo a todos os racistas

A campanha publicitária nos leva a pensar que podemos não exprimir o racismo, mas no fundo ele continua existindo em nós. Quase sempre o racismo está engendrado naqueles que foram educados para serem poderosos

Públicado em 

03 set 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Luta contra o racismo
Luta contra o racismo: movimento das ruas também foram parar nas empresas Crédito: Pixabay
Com uma ação carregada de simbolismo e, ao mesmo tempo, com uma linguagem direta e bem atual, o Uber iniciou uma campanha com a seguinte descrição: “If you tolerate racism, delete Uber” ("Se você tolera o racismo, delete o Uber", em tradução literal). A campanha realizada em parceria com Wieden + Kennedy tem como objetivo falar sobre as injustiças raciais que perduram até os dias atuais.
Como pontua o site Meio Mensagem, a frase está sendo veiculada nas redes sociais da marca, em e-mails e em notificações do app. Outdoors com a mensagem foram posicionados em 13 grandes cidades norte-americanas em apoio à marcha que reuniu milhares de pessoas na última semana, que evocou os protestos de 60 anos atrás.
As peças também trazem a frase “Black people have the right to move without fear” ("pessoas negras têm o direito de ir e vir sem medo", em tradução livre).
O app de corridas também lançou um site por meio do qual compartilha seus planos para proteger motoristas e passageiros do racismo e outros vieses inconscientes. O Uber afirma que pretende formalizar e expandir uma equipe dedicada a identificar preconceitos raciais em seus produtos. A empresa também está fazendo parceria com ONGs para ampliar seus programas de estágio. O site informa, ainda, que o Uber se comprometeu a doar US$ 10 milhões para empresas comandadas por negros, US$ 1 milhão para a Equal Justice Initiative.
A campanha vem ressoar, sobretudo, no contexto americano, depois de uma onda de preconceitos em seu território. Basta recordar a imagem do negro que teve o pescoço amordaçado por um segurança em via pública. Voltando um pouquinho o filme, nas imagens colhidas na segunda-feira (25/5), o homem, identificado como George Floyd, de 40 anos, reclama e diz repetidamente: "Não consigo respirar". Pouco depois, ele parece não se mexer, antes de ser colocado em uma maca e transferido para uma ambulância. A imagem rodou o mundo, chocou pessoas, e inspirou um movimento acentuado em repúdio à ação do policial.
Mais tarde, as cenas se repetem de outras formas, não só no EUA, mas também no Brasil. A filósofa e escritora Djamila Ribeiro define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista. O racismo está em nossa raiz. Os brancos subordinaram os negros. Os brancos mandavam, os negros eram obrigados a obedecer para sobreviver. Os brancos descansavam nos palácios, os negros nos porões.
Me lembro de quando fui visitar Ouro Preto. Embora seja de admirar o ouro e a prata nos templos religiosos, mas é de repudiar a forma como tudo aquilo foi feito. Fiz questão de parar e rezar no porão do Palácio de Tiradentes. Fiquei em silêncio sentindo o gelo daquele lugar, parei em silêncio recordando tudo o que os negros viveram e sofreram ali. Rezei mais nos porões do que nas catedrais. Embora os templos de ouro nos fascinem, urge a necessidade de ir além e entender a realidade que ofusca todo aquele ouro.
A campanha publicitária nos leva a pensar que podemos não exprimir o racismo, mas no fundo ele continua existindo em nós. Eu sei que não posso colocar adjetivos no negro, mas quando encontro um branco, eu exprimo. Sabemos que não podemos chamar o obeso de gordo, mas quando encontramos um magro, assim o fazemos. Quase sempre o racismo está engendrado naqueles que foram educados para serem poderosos, doutores. O conteúdo que eles tiveram acesso no decorrer do caminho não os fazem mais entendedores ou mais doutores. Aliás, quando falta a moral e a ética eles se tornam menores e piores do que aqueles que eles mesmos tacham como tais.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Itália perde nos pênaltis e fica fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida
Imagem de destaque
OAB-ES vai sair do Centro de Vitória e construir nova sede na Enseada
Imagem de destaque
Marcenaria sob medida ou móveis planejados: veja qual opção escolher

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados