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Contra o coronavírus

É “ideia de jerico” trancar todo mundo em casa na quarentena?

O capixaba, apesar de ver que os casos de morte por coronavírus já chegou em muitas ruas próximas de sua casa, não respeita a quarentena. Motivo do aumento dos infectados pela Covid-19 e mortes

Públicado em 

26 mai 2020 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Mulher olhando pela janela: nova rotina com coronavírus e isolamento
Mulher olhando pela janela: nova rotina com coronavírus e isolamento Crédito: Alexandre Chambon/Unsplash
Muitos capixabas estão com “gastura” de ficar em casa. Com essa de não poder “ir lá na rua” ou “dar um pulo na cidade”, um grupo considerável de moradores da Grande Vitória “injuriados” com a quarentena contribui para ampliar a infestação do coronavírus. Como a vida em casa, confinados, não é nada fácil, a relação em casa fica “só o pó da rabiola” e “a patroa tá só o veneno”. Com cloro pra todo lado e com a “pasta de dente” no fim, nas panelas só a “rapinha da comida”, sem nenhuma mistura. É possível concluir que “a coisa tá tensa!”.
A primeira expressão diante desta angustia é: “Quero a minha vida de volta!”. Depois, seguem outras como: quando acabar tudo isso quero estar numa igreja; numa boate; beber no bar; na casa de amigos; ir ao shopping; comer naquele restaurante com a turma do trabalho; ir ao parque com as crianças; visitar o pai que é idoso e outras tantas. Nas ruas e nas redes sociais, os capixabas expressam a esperança de viver este momento e planejam onde querem estar depois da pandemia. Mas a atitude de cada um contribui mesmo para achatar a curva de casos de coronavírus?
Os dados do governo mostram que não. “É ruim hein!”. O capixaba, apesar de ver que os casos de morte por coronavírus já chegou em muitas ruas próximas de sua casa, não respeita a quarentena. Motivo do aumento dos infectados pela Covid-19 e mortes. O que leva ao aumento do grau de risco extremo na Grande Vitoria. Mas como não há vacina e não há remédio, só a atitude de cada um pode fazer a diferença. Mas o que fazer quando não há cooperação? A saída apresentada pelo governo é o lockdown ou, se preferir, trancamento total por 14 ou 21 dias na Grande Vitória, como disse semana passada, o secretário de Saúde do Estado.
Para muitos parece “ideia de jerico” trancar todo mundo em casa. Argumentam que com a quarentena a coisa já não está boa, imagina com este lockdown como vai ser! Mas as alternativas foram apresentadas desde de o início da quarentena. Por que falhamos em fazer nossa parte? Foi possível a todos cumprir a quarentena?
A certeza é que uma parcela significativa precisa sair todos os dias para trabalhar; enquanto outros, que não precisam, poderiam fazer mais, mas preferem ir para as ruas “turistar”, fazer reuniões com amigos, frequentar cultos religiosos, fazer caminhadas no calçadão ou até mesmo participar de festinhas. Sem nenhum respeito ao luto e responsabilidade com a quarentena.
O teórico comportamental Richard H. Thaler, no livro “Nudge: como tomar melhores decisões...”, diz que as pessoas tomam decisões importantes com pouca frequência e, portanto, têm pouca experiência para fazê-lo, e é bem provável que as emoções estejam à flor da pele e, por isso, as circunstâncias em que as pessoas estão inseridas podem levá-las a tomar decisões as quais se arrependerão.
E como os humanos são frequentemente influenciados por outros humanos, a pressão social pode levar as pessoas a ignorarem as evidencias captadas pelos próprios sentidos. Quando isso acontece, há falta de autocontrole e o resultado é uma série de consequências ruins para pessoas reais.
Então, como tomar decisões em terrenos perigosos quando a sociedade se sente ameaçada? Em tempos como este, é inútil pedir que o governo não intervenha, afinal, ele faz parte de nossas vidas. E como não existe escolha sem contexto e não tem como definir um contexto ao bel prazer, situações extremas pedem decisões fortes. Neste caso, se não houver cooperação, não tem como controlar o número de casos e achatar a curva de transmissão do coronavírus. Não resta dúvidas de que a saída será o lockdown!

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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