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Pandemia

As guerras da polarização política e viral no Espírito Santo

Diante da atuação voraz do vírus, os dias parecem não passar, o sofrimento aumenta e a dor da perda permeia a vida de todos

Publicado em 13 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

13 abr 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

coronavírus
Coronavírus: quando mais agressivo, ataca todos os órgãos vitais, sufoca e mata aos poucos ou de um dia para o outro, aqueles que escolhe para morrer Crédito: Guitar Tawatchai/Freepik
Assim vive o capixaba, em casa ou na rua, tentando se manter, mesmo com risco de pegar o vírus ou no isolamento social, à espera da vacina. Vive sob ataque de um inimigo mortal, que não escolhe suas vitimas. Em silêncio, sozinho e invisível, o inimigo se hospeda no corpo da vítima, em poucos dias toma conta de tudo, o cerca e o domina por vários dias.
Quando mais agressivo, ataca todos os órgãos vitais, sufoca e mata aos poucos ou de um dia para o outro, aqueles que escolhe para morrer. Há mais de um ano este inimigo invadiu o território capixaba, entrou pelas nossas próprias mãos e ações. Vive e habita entre nós. Se multiplica e se fortalece. Atua quando o subestimamos e erramos. Entra pela “cerca podre” do negacionismo.
Algo sem precedentes na historia moderna recente. Diante da atuação voraz do vírus, os dias parecem não passar, o sofrimento aumenta e a dor da perda permeia a vida de todos. Não tem como escapar, ou você passou pelo vírus, sentiu a agonia, ou viu amigos, parentes e vizinhos sofrendo, porque foram pegos por ele. Ou pior, vivem a dor do luto, por perderem um ente querido.
Sob ataque, a população precisa de referência, de apoio, de orientação para saber onde ir e como seguir. Mas também precisa ter comida na mesa para alimentar a família e se manter nestes dias difíceis. Não se trata de esmola ou de ações feitas por “homens bons do povo”, mas de direito, um direito sagrado, e também um dever de quem recolhe o dinheiro público e deve usá-lo com senso de justiça social.
Quando se está em uma guerra, onde o inimigo não cochila, trabalha de forma incansável para abater todos os adversários, é preciso ter claro o que fazer, e isso implica em organização, planejamento, recursos estruturais, humanos e financeiros. Mas acima de tudo é preciso se antecipar, agir rápido e evitar que a morte, aliada do inimigo, abata os nossos pelo cansaço, tristeza, traumas, depressão e também pela fome.
Mas enquanto isso tudo acontece - o povo mostra ares de cansaço - e a guerra viral domina nossos dias, outra guerra instalada, iniciada bem antes da pandemia, favorece o avanço e a atuação do inimigo comum a todos. Ela tem como principal instrumento a polarização política, método que levou a um acirramento da guerra viral. A polarização política, com o tensionamento do debate político ideológico num nível extremo, levou indivíduos, ocuparem ruas, praças. E em muitas situações, a partirem para as vias de fato, em grupos familiares.
Enquanto estamos sob ataque de um inimigo poderoso, sem armas para abatê-lo e aniquilar de vez com ele, ao invés de agir para ganhar a guerra, o grupo político hegemônico, que domina os recursos e tem controle da logística para avançar, insiste em escolher entre seu povo outros adversários. E, numa guerra de retórica e ações, mobiliza suas forças institucionais e militante e usa armas como fake news e poder político para derrotar aqueles que elegeu como adversários.
Mesmo que todos paguem por isso, mesmo com civis inocentes, esta outra guerra parece que não vai parar. Enquanto existir este embate, dos que deveriam trabalhar juntos, o inimigo de verdade não cessa. Ele é impiedoso e não perde tempo, avança e deixa um rastro de morte por onde passa. Para poder seguir com a vida, com um pouco de dignidade e respeito, em meio a esta crise, temos as vacinas, que são a alternativa, a arma, que pode acabar com este inimigo terrível.
Mas infelizmente, a polarização patrocinada pelo grupo político hegemônico não foi capaz de agir a tempo contra o nosso maior inimigo, pois estavam perdendo tempo atacando outros adversários, escolhidos no meio do povo. Com isso, aqueles que deveriam nos auxiliar, dar suporte e agir, para garantir a vida do povo, sem perderem em embates ideológicos e carregados de interesses pessoais e nada nobres.
Nesta sina, sem saber o que fazer, reféns de narrativas polarizadas e pobres de sentido, segue o povo capixaba, na esperança de que pelo menos as ações do governo local façam seu papel de olhar por aqueles que mais sofrem com as guerras que aniquilam os seus dias. A esperança é estar com vida quando a vacina chegar.
Enquanto isso, vamos vencendo a Covid a nossa maneira, mesmo que ela já tenha atingido você duas vezes, e sua respiração à noite pareça lenta. Mesmo cambaleando, sigamos firmes, com fé de que teremos vacina para todos, antes que outras variantes dominem os nossos dias.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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