Devia ter amado mais.
Ter chorado mais. Ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais. E até errado mais. Ter feito o que eu queria fazer. Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração.
O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído.
O acaso vai me proteger enquanto eu andar. Devia ter complicado menos. Trabalhado menos. Ter visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos com problemas pequenos. Ter morrido de amor.
Queria ter aceitado a vida como ela é. A cada um cabe alegrias e tristeza que viver. O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído. O acaso vai me proteger enquanto eu andar. O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído. O acaso vai me proteger enquanto eu andar. Devia ter complicado menos. Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.
É a música que gostaria de ter composto. E compus no meu imaginário inconsciente por onde transita a realidade essencial. Todos devemos compô-la.
E além do mais...
… Parece combinado. A patota da geração 68 ressurgiu agora das nuvens da memória, convocando a integração de seus sobreviventes resistentes para uma política verdadeira para o país. Não citarei nomes, não é preciso e nem necessário. Quem quiser, pode pegar no arquivo ensanguentado do abominável Doi Codi, ator principal dos anos de chumbo durante a cínica ditadura de 64 quando o país invadiu o próprio país a ferro e fogo. E instituíram o assassinato legal.
Os pensadores de direita, esquerda, de cima e de baixo ainda não podem medir e avaliar seus pensamentos. Mas isso passa e vira ato. A sociedade organizada a defender o bem e a ética em 68 vinha de todos os cantos. A Ação Católica, por exemplo, que integrava a Juventude Estudantil Católica, a Juventude Agrária Católica, a Juventude Industriária Católica, a Juventude Operária Católica e a Juventude Universitária Católica.
Tantas siglas e a mãe da gente nem sabia que estávamos a reconstruir o que restou de democracia no Brasil. Armados de bastões feitos basicamente com graxa preta de sapato, propagava-se a seguinte palavra de ordem: “Abaixo a Ditadura”. Haja parede de muro.
Como se sabe, não existe apolítico, existe abobado.
De modo que todos participavam e se multiplicavam por várias tendências. Os de JEC do qual participei com um grupo de conscientes seguiam uma linha de ação denominada Revisão de Vida e suas fases: ver, julgar e agir. A ação “armada” consistia em comungar, receber a hóstia consagrada e agregar pessoas. O Evangelho, considerado livro de comunista, era a nossa instrução, mas a inteligência da estúpida repressão considerava cheia de códigos. Vovó Noemi parou de ler, já que decidiu não ir para o inferno. Péssima ideia, quem sabe.
Quando Marcito, Márcio Moreira Alves, na época deputado federal, botou o pingo nos ii, a alcateia instituiu o Ato Institucional Número 5 (eu nem sabia que havia quatro anteriores) que espalhou aberrações. Até parlamentares nomeados, os biônicos, surgiram do inferno. Caros e tolerantes leitores, citando os absurdos sem pé nem cabeça impostos pelo presidente de plantão e seu séquito, acabaram por fechar o que restava do Congresso.
Dizem que explicavam a vitória de Pirro do golpe da seguinte maneira: “Encontramos o país à beira do abismo. Afastamos o subversivos e demos um passo em frente”.
A inteligência não era o forte dos guardinhas covardes do imenso presídio potencial em que se transformou o Brasil, supervisionado e apoiado pelos nossos irmãos norte-americanos, muito principalmente John Kennedy, o belo, e seguintes.
Já se tentou quase tudo entre os bem pensantes de antes, durante e depois de 68. Quem sabe um processo de formação do eleitor que possa compreender o que está fazendo naquela urna eleitoral de araque.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, passou a ser politicamente correto.