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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Crise ainda não chegou ao fim, mas pode ser o começo dele

Nosso reconhecimento e gratidão devem ser encaminhados a cientistas, profissionais de saúde, professores, caminhoneiros, motoristas de ônibus, porteiros, vigilantes, policiais, diaristas que continuaram seus trabalhos

Publicado em 05/07/2021 às 02h00
Uso de máscara em locais públicos deve continuar por um bom tempo
Uso de máscara em locais públicos deve continuar por um bom tempo. Crédito: Freepik

Parece que estamos chegando ao início do fim desse período turbulento que afetou a humanidade, desde final de 2019. Com mais de 520 mil mortes causadas por essa triste doença, que ceifou vidas em tantas famílias, a vacinação em massa da população, iniciada a conta-gotas no início deste ano, se acelera, o número de infectados diminui, o de mortes ainda é alto no país, com cerca de 1500 mortes diárias, e os leitos de UTI começam a ser disponibilizados para outros tipos de doenças. Ainda não é o fim, mas pode ser o começo dele. Ainda teremos uns seis meses de sofrimento pela frente, depois aprenderemos a conviver com mais uma doença, agora controlável, pelo esforço da ciência em descobrir um antídoto para ela em tão pouco tempo.

Creio que nosso reconhecimento e gratidão devem ser encaminhados aos cientistas, que trabalham, diuturnamente, em laboratórios, para criar vacinas e remédios e controlar essas pestes cíclicas, que acometem a humanidade, a cada período. Graças a eles, o estrago, ainda que grande, foi menor do que o provocado pela gripe espanhola, há cem anos. Graças a eles, a vida começa a retornar ao normal, nos Estados Unidos e na Europa, e nos países onde a imunização está mais adiantada. Aqui, na nossa sofrida América Latina, Chile e Uruguai estão na vanguarda do combate a essa doença, enquanto Venezuela e Paraguai sofrem com a baixa imunização e o aumento vertiginoso do número de infectados e de mortos.

Outros heróis desta época terrível são os médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente, dispendendo horas sem fim de trabalho, para socorrer as pessoas que chegam aos hospitais e unidades de pronto-atendimento, sem conseguir respirar, que recorreram a tratamentos precoces ineficazes e têm a saúde ainda mais comprometida por abuso de medicamentos sem comprovação científica. Nossos agradecimentos sinceros também devem ser estendidos aos entregadores, motoboys, que se tornaram indispensáveis, nos dias atuais, com suas motos e bicicletas, ou a pé, levando alimentos e todo tipo de encomenda, nos momentos de isolamento das pessoas em suas casas.

Também não podemos esquecer os professores que, sem nunca terem sido preparados para isso em sua vida profissional, tiveram de aprender, na marra, a usar as ferramentas tecnológicas pra transmitir suas aulas não presenciais, garantindo, assim que seus alunos não ficassem mais prejudicados. Indispensáveis, também, foram os serviços de caminhoneiros, motoristas de ônibus, porteiros, vigilantes, policiais, diaristas que continuaram seus trabalhos, para que a vida e a economia girassem, ainda que com o custo de suas próprias vidas, muitas vezes. A todos esses que não sobreviveram e às famílias enlutadas que perderam seus entes queridos, nossos sinceros sentimentos. Entre esses milhares que morreram com essa doença maldita, há poucos dias se foi nosso oftalmologista há quarenta anos, Dr. Danilo Cerqueira Lima. Muito triste!

Por tudo isso, não podemos aceitar como normalidade que nosso insano presidente, em letras minúsculas mesmo, negacionista da doença desde os primeiros momentos, continue sem se solidarizar com as famílias das vítimas, arranque máscaras de crianças, promova motociatas com seus comparsas, tenha protelado a compra de imunizantes disponíveis no mercado e permitindo negociata na compra de vacinas. Tudo isso tem um preço e a conta virá: impeachment, julgamento e cadeia serão as consequências.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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