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Educação

Dificuldades e desafios das modalidades de ensino durante a pandemia

Resiliência é a palavra-chave que vem norteando o sucesso das instituições educacionais. O ensino remoto emergencial apresenta uma sutil diferença com relação ao ensino a distância

Publicado em 12 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

12 ago 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Cursos a distância sobem 51% no ensino superior e número de vagas supera o de modalidade presencial
Com as Tecnologias da Informação, o processo de ensino e aprendizagem tende a ser potencializado Crédito: janeb13/Pixabay
No contexto da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), uma das medidas mitigadoras amplamente colocada em prática nos países e nos Estados brasileiros foi a suspensão de aulas presenciais. Na fase de intensa disseminação da Covid-19, essa ação contribuiu para aumentar o isolamento social, o que possibilitou o enfraquecimento da cadeia de transmissão da doença.
No Espírito Santo, tal suspensão foi implementada prudentemente no mês de março, quando o contágio comunitário ainda não tinha se estabelecido no estado. Naquele período, pouco se conhecia a Covid-19. Os casos confirmados iniciavam uma tendência de crescimento exponencial. A eficácia da adoção de medidas de prevenção, como o uso de máscaras, não era consenso entre especialistas.
No ambiente educacional, todos foram surpreendidos no início do ano letivo. Professores e alunos passaram a temer os riscos de contaminação. Os óbitos que eram noticiados pela imprensa na China e depois na Europa, rapidamente passaram a ser reportados no Brasil. O medo potencial da Covid-19 se transformou em medo real nos Estados brasileiros.
Em fevereiro, lembro que durante minhas aulas na Universidade Vila Velha (UVV), alguns de nossos alunos demonstraram preocupação com a chegada da doença no território brasileiro. Antes do decreto de suspensão das aulas, assertivamente a universidade adotou protocolos de segurança e orientações para a conscientização da comunidade acadêmica como, por exemplo, a abertura de janelas e portas das salas de aula, reforço na comunicação sobre a relevância das etiquetas respiratórias e de higienização das mãos e cancelamento de eventos com aglomeração de pessoas.
No mês de março, com o decreto de suspensão das aulas no ES, as escolas e Instituições de Ensino Superior (IES) se depararam com um cenário desafiador. Como manter as atividades educacionais de forma não presencial? Algumas instituições educacionais não possuíam as condições necessárias para colocar de pé o ensino não presencial. Outras apresentavam infraestrutura tecnológica e desenvolveram metodologias para dar sequência ao ano letivo por meio do ensino remoto emergencial.
De acordo com o professor Paulo Tomazinho, do grupo Moonshot Educação, esse tipo de ensino se difere do Ensino a Distância (EAD). O EAD depende de módulos de conteúdos previamente padronizados, de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e da figura de um tutor que faz a intermediação virtual dos conteúdos com os alunos.
O ensino remoto emergencial apresenta uma sutil diferença com o EAD. Nele, a interação é maior, as aulas presenciais são realizadas virtualmente sem o suporte do AVA. Os conteúdos são ministrados on-line pelos professores que lecionavam os mesmos materiais presencialmente. Com dois meses de suspensão das aulas presenciais durante a pandemia, o caráter emergencial das aulas evoluiu para o ensino remoto intencional ou programado.
A UVV foi uma das instituições que se lançou nessa última modalidade. Em um curto espaço de tempo, professores e alunos passaram a interagir por meio das aulas virtuais. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como as plataformas de videoconferência, de portais acadêmicos e de armazenamento na nuvem, contribuíram com o bom andamento dos trabalhos.
As atividades acadêmicas não foram interrompidas, o primeiro semestre letivo foi concluído na UVV com a união de esforços do corpo dirigente, docente e discente. A resiliência é a palavra-chave que vem norteando o sucesso das instituições educacionais em tempos de pandemia. Unindo essa virtude às soluções de TICs, o processo de ensino e aprendizagem tende ser potencializado.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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