A economia capixaba em 2020 deverá apresentar desempenho melhor do que a economia brasileira graças ao efeito amortecedor das commodities. Se em alguns momentos no passado nossas commodities contribuíram para distanciar as taxas de crescimento do PIB capixaba em relação ao nacional, como aconteceu em 2009 e 2010, quando passamos de uma taxa negativa de 6,7% para positiva de 15%, em 2020 deverá contribuir para compensar os efeitos negativos do fraco desempenho mercado interno. Isso significa que teremos, com um bom grau de certeza, uma queda do PIB local em 2020 menor do que o nacional.
Em 2019, a economia capixaba praticamente ficou estagnada, em grande medida em razão do fraco desempenho do setor de commodities, especialmente da indústria extrativa mineral – petróleo e minério de ferro. Mas também tivemos queda na produção de celulose. Os efeitos negativos desse grupo de produtos continuou a atuar negativamente no primeiro trimestre de 2020. Explicando, assim, a queda de 1,2% no primeiro trimestre em relação ao último trimestre de 2019, e de 1,7 no acumulado do ano. Uma queda maior foi segurada pelo comércio varejista ampliado, que cresceu 4,4%, ainda não afetado pela pandemia da Covid-19.
O Banco Santander divulgou nesta semana projeções do PIB para 2020 para Estados brasileiros, apontando que o desempenho do PIB capixaba, mesmo que negativo, será melhor do que a média nacional. Diante de uma queda projetada para o país de 6,4%, a queda de 2,6% para o Espírito Santo, soa relativamente bem.
Certamente, o Santander trabalha com a hipótese de retomada, mesmo que lenta, da indústria extrativa mineral, que apresentou queda de 25% no primeiro trimestre, conjugada com um desempenho razoável do agronegócio, em especial do café, com previsão de crescimento de 7,1%.
É razoável trabalharmos com a hipótese de que abril e maio terão sido os piores meses do anos em desempenho econômico. Em maio, por exemplo, tivemos queda de 35% no volume de exportações de minério de ferro, 25% de celulose e 27% de petróleo. Além, naturalmente, de quedas em setores como indústria de transformação, comércio e serviços. Assim, é no segundo trimestre que a economia capixaba atingirá o fundo do poço, iniciando reações mais firmes no terceiro trimestre.