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Lista de quarentena: sempre cabe mais uma

Encontrei nas listas mais do que organização, encontrei caminhos para moldar vários aspectos da vida.

Publicado em 15 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

15 dez 2020 às 05:00
Mariana Reis

Colunista

Mariana Reis

Reflexão de um pôr do sol junto a uma lagoa dentro da Bacia da Floresta Amazônica.
Não programe os acontecimentos. Se surpreenda a cada dia. Apreciar o pôr do sol pode ser um bom começo Crédito: Shutterstock
Dentre as muitas coisas que precisei aprender e reaprender nesta quarentena, a que mais me deixou entusiasmada foi a de colecionar caderninhos com as mais variadas listas. Nem sempre fui a mais organizada, mas durante o isolamento tive tempo para perceber que fazer listas abre espaço na mente. Aqui na coluna já dei até dicas de algumas.
Percebi os benefícios dela talvez um pouco tarde, mas desde então não parei de listar. Fiquei tão frenética na elaboração de listas que quando pisco o olho já tem uma pregada na geladeira com as frutas que mais vou comer no próximo mês, por exemplo.
O ano está acabando e com ele estivemos (ainda estamos) abraçados nas adversidades, nas angústias e medos. A distância exigida trouxe sentimentos sofridos. Do isolamento para o aglomerado de emoções e sentidos que a vida tem.
Passei o fim de semana planejando o meu próximo ano. Dizem os astros que estava propício para fazer isso. Não perdi tempo e selecionei alguns ensinamentos desse quase um ano de distanciamento social.

O que a quarentena me ensinou:

. Não programe os acontecimentos. Se surpreenda a cada dia. Apreciar o pôr do sol pode ser um bom começo.
. Realize-se com pequenas coisas. Quando acerto nas receitas, vibro como se o meu time de futebol tivesse feito um gol.
. Encare as decepções. Entendi que os golpes são imprevisíveis. Esquivar não é a saída e encarar é antídoto para se fortalecer.
. Não se preocupe se você se perder pelo caminho, sempre tem alguém te esperando.
Em casa mesmo aprendi a me situar.
. Não fuja da dor. Neste ano o mar em que navegava de jet veio parar em meus olhos. E a dor me ensinou a ter coragem.
. Assimile: o sofrimento é movimento e movimento é a vida.
A quarentena fez a humanidade entrar em crise. Acho que a maior de nossa geração. Encontrei nas listas mais do que organização, encontrei caminhos para moldar vários aspectos da vida. Como, por exemplo, as ações que acompanham minhas escolhas e o meu modo de agir e decidir diante das ameaças e incertezas. A lista me dá o Norte para superar a tempestade e buscar um novo mundo, que espero, bem diferente para habitar. E que mundo queremos habitar depois que o vírus passar? Vamos fazer essa lista juntos?

Mariana Reis

Mariana Reis é mestranda em Sociologia Política, Administradora , TEDex, Colunista e Personal Trainer

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