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Mariana Reis é mestranda em Sociologia Política, Administradora , TEDex, Colunista e Personal Trainer

Dois aniversários em um

Apesar de estarmos mais seguros com a vacina, sinto o meu 12 de janeiro ainda de um jeito diferente dentro do novo mundo. Ele me exige mais que ser apenas humana, me toma pelo braço e prepara para a empatia, resiliência e altruísmo

Publicado em 11/01/2022 às 18h45
Bolo de aniversário
Tem ano novo que chega e tem brinde duplo pelos meus dois aniversários. Crédito: Freepik

Percebi nos últimos anos que fazer aniversário é um desafio. A vivência, mais virtual do que real, é uma aventura que começa pela manhã e vai até a noite. Diante de tempos tão tristes, alargar a alma para enxergar as sutilezas da vida é tarefa para os persistentes.

Apesar de estarmos mais seguros com a vacina, sinto o meu 12 de janeiro ainda de um jeito diferente dentro do novo mundo. Ele me exige mais que ser apenas humana, me toma pelo braço e prepara para a empatia, resiliência e altruísmo. É uma nova década para mim e para minha história. Cuidar dessa história é meu legado. Estou pronta e receptiva aos meus novos ciclos, ao que a vida irá me ofertar, e certamente, terei muitas chances para lapidar suas lições. Divido com você este momento.

Cheguei aos cinquenta anos. E como costumo dizer, tem um trinta nos meus cinquenta. Reverencio meu janeiro com mais intensidade e mais entrega. É um mês especial para mim. Tem ano novo que chega e tem brinde duplo pelos meus dois aniversários. De vida e de vida como cadeirante. Por isso, tem trinta no meu cinquenta e tanto faz a ordem. Deixo com você.

Me tornei avessa às datas durante a pandemia, mas essa, em especial, mexe profundamente comigo. Dúvidas, expectativas, alegrias, decepções, comemorações, saudade, esperança, vem tudo em dobro pois são dois nascimentos que o 12 de janeiro me traz. Volta e meia algumas cenas na memória insistem em renascer, como se o coração abrisse aquele lugar de guardar emoções que quase nunca se frequenta. E meu coração está intacto. Sem abalos maiores e com todos os espaços bem arejados e capazes de receber visitas de amor e de coragem. Com sensatez observo o horizonte que cada batida causa. Na dor, no amor, na calma, nas experiências e traumas, o fluxo é sempre em frente. É pra lá que me guio.

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Sinto “frio na barriga” e minha coluna de hoje até demorou a ser escrita, ando à flor da pele, inundada de afetos na essência. A verdade é que me preparo inteiramente para fechar o ciclo. Às vezes, é só o que precisamos. Bom, parece um novo amor chegando. É, quem sabe seja mesmo. Um amor pela minha existência. O fato é que eu me jogo para assoprar o passado, enxergo a minha caminhada como mais uma etapa concluída e me abro para a possibilidade de comemorar a chegada de novas idades com alegria e positividade. E o meu mantra é: celebração. Ele é certeiro. Meu sorriso se abre de maneira digna e agradecida pelo fato de ter dois momentos importantes para comemorar e reconheço o quanto foi enriquecedora minha trajetória até aqui. O quanto acreditar e agir fez total diferença no meu destino.

Tenho tantas histórias nestes trinta e cinquenta que não bastam em mim. Orgulho e respeito pelo meu roteiro e por ter tantas pessoas especiais ao redor, tudo isso faz minha felicidade ser tão diferente, clareza da mansidão que tatuei na alma.

Apesar da idade não estar tão de acordo comigo, o cotidiano me mostra que as contas do tempo estão certas, mesmo eu desejando que estivessem erradas. O tempo faz confusão em minha vida, acho que ele não aprecia ser medido ou definido, e penso termos um segredo. Leal que sou, obedeço. Como diz a canção de Caetano Veloso, que amo tanto:

O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo, 

Tempo tempo tempo tempo, apenas contigo e migo...

Meu 12 de janeiro me faz, a cada novo ano, entender que a vida é para soltar as possibilidades e que o melhor sempre estar por vir. Nos meus cinquenta anos não quero nada em banho-maria, mergulhos rasos ou caminhos que não levam a lugares incríveis, situações ilusórias, nada que embace o coração e nem que atrapalhe os meus passos ou rodas. Torço para que o amadurecimento (quem souber o que é, me explique) sussurre no meu ouvido: você é quem manda. Sigo sem amarras.

Desejo que os bons ventos tragam para os meus aniversários muitos abraços acolhedores num curto espaço de tempo (ainda não será neste ano), sorrisos com os lábios, gentileza no trato comigo mesma, e um pouco de silêncio para o passeio que farei em minhas lembranças nesse dia. Ah, o meu silêncio...

Que haja brisa para saudar o meu 12 de janeiro. E para não esquecer, que me venha fartura de saúde e sabedoria para fazer escolhas e para tomar decisões. Que jorrem bênçãos sobre todos os meus dias. E que eu tenha mãos, pés e rodas firmes para a caminhada rumo a tudo o que me dá prazer. Laços de amizades se expandam e que o afeto seja a palavra de ordem. Que eu pratique a aceitação de coração aberto, não julgue os outros e me veja como um ser espiritual em evolução. A chama da esperança já está acesa para seguir a jornada. Quem puder, traga bolo, balões e café. Abraços que salvam, um mundo habitável, postura sem medo, amor, inteireza no olhar, gentileza e confiança. Felizes dias!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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