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Experiência

Aconchegar: palavra que torna tudo mais acessível

Aceitei o convite para conhecer a Casa Cor, que neste ano completa vinte e cinco anos, e fiz minha estreia nesse evento de arquitetura e decoração

Públicado em 

23 nov 2021 às 02:00
Mariana Reis

Colunista

Mariana Reis

CASACOR ES
Sou arredia a coincidências, mas minha primeira vez acontece com a volta da Casa Cor à sua primeira casa. Crédito: Camila Santos
Sigo acreditando em aconchego. Aconchego nos convites, na recepção, aconchego na esperança, aconchego no olhar. Tudo fica melhor com aconchego. E aconchegar com uma visita à Casa Cor é inundar o coração de afetos.
Aceitei o convite para conhecer a mostra, que neste ano completa vinte e cinco anos, e fiz minha estreia nesse evento de arquitetura e decoração. Além de visitar, também fui para trabalhar: topei o desafio de tentar escrever o que senti e vivi por lá. Sou arredia a coincidências, mas minha primeira vez acontece com a volta da Casa Cor à sua primeira casa. Bem mais que querer buscar um significado para isso, ou explicar em palavras, me rendo ao fato de que posso dizer, ou pelo menos sentir, que estive duas vezes no mesmo lugar.

Um sorriso abre portas e o coração

Já na recepção, o sorriso da equipe ao me receber, tirava um pouco a tensão escondida de não poder circular com autonomia pelos espaços. Feitos todos os procedimentos para iniciar a visita, fui direto para o primeiro ambiente: um deck. Arejado, espaçoso, daqueles lugares em que você faz uma pausa, aprecia o vento e o verde. Dali já dava para ver a entrada da casa com uma rampa linda e acolhedora, que não existia ali no projeto original, ou seja, um cadeirante antigamente não entrava na casa. Porém, os mais de 42 profissionais envolvidos na criação não deixaram de lado os princípios da acessibilidade. A rampa é daquelas que parecem dizer: entre e sinta-se à vontade, você é importante para nós. Pensei logo, como a arquitetura muda nossas vidas, não é?

De olho no conceito

Vamos recordar o que é acessibilidade? Segundo o dicionário Aurélio, acessibilidade é a qualidade do que é acessível, do que tem acesso. Facilidade, possibilidade na aquisição, na aproximação. Mas sabemos que na prática esse conceito é bem mais amplo e complexo e, por isso, o projeto de uma arquitetura inclusiva deverá ter a assinatura de quem entende do assunto.
Um bom projeto dos ambientes pode parecer um sonho. E lembrando do grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer que dizia: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.” Pensar numa arquitetura em que a pessoa possa usufruir em diferentes fases e momentos da sua vida, sem barreiras físicas e sem impedimentos, é um sonho que buscamos realizar.
Rita Rocio, Mariana Reis e Rose Frizzera
Rita Rocio, Mariana Reis e Rose Frizzera na Casa Cor Crédito: Mariana Reis
Minha visita pela Casa Cor foi toda guiada pelas idealizadoras do projeto, um privilégio imensurável foi passar por um vão de porta tão aumentado de generosidade e atenção à acessibilidade. Com as portas abertas, a leveza me convidou a entrar e percorrer os mais de quatro mil metros de ambientes internos e externos.

Pela construção da nossa autonomia

Por cada cantinho que passei senti um desabrochar de surpresas agradáveis. Eu conseguia me perceber como parte daquele cômodo. Tinha autonomia para circular pelos espaços e para usar os mobiliários, salvos alguns detalhes que nem sempre andam com a velocidade dos nossos desejos.
Você sabia que em 2020 entrou em vigor o artigo 58 da Lei n. 13.146 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) ? Todos os projetos de construtoras protocolados em todas as prefeituras do país deverão atender aos critérios de acessibilidade. Pessoas com mobilidade reduzida, nanismo, deficiência auditiva, física, visual, intelectual e múltiplas deficiências poderão solicitar adaptações em imóveis adquiridos na planta sem qualquer custo adicional.
Hoje, as construtoras já destinam parte de seus empreendimentos a públicos específicos. E é crescente a procura de imóveis por pessoas com deficiência. Portanto, planejar espaços comuns acessíveis significa avançar para uma arquitetura mais inclusiva. Então, queremos um projeto arquitetônico para chamar de nosso.

Ser acessível é dar boas-vindas a todos nós

A ida à Casa Cor reforçou em mim a compreensão de que a acessibilidade e a sofisticação caminham juntas e tornam tudo inteiro. Sem aridez, sem fragmentos. A vida e seus ambientes pedem inteireza. Um projeto inclusivo não precisa ser feio ou sem graça. Um projeto inclusivo no desenho universal é aquele desejável para o futuro em que todos – todos mesmo – possam compartilhar dos recursos com iguais oportunidades, projetado para a convivência plena e prazerosa de uma pessoa com deficiência. É a arquitetura do bom senso, da sustentabilidade, que respeita as várias etapas da vida e do bom gosto.
O reencontro presencial com meu trabalho e com pessoas, depois de tanto tempo em isolamento, todos conscientes, com máscara, e num lugar aberto, não poderia ter sido mais lindo e emocionante. Pela primeira vez senti uma unidade entre os ambientes, todos muito elegantes, acessíveis, suaves, cheios de tecnologias, paredes e pisos com texturas e cores diferentes, tudo que passei a adorar. Principalmente, depois da reforma que fiz em meu quarto.
Eu já tenho os lugares preferidos da mostra. Aqueles que despertaram em mim a porção exata que encaixou bem na casa do coração. Gratidão a todos que oxigenaram meus sentimentos. Preciso dizer que fiquei muito honrada com o convite. Ah, a mostra fica até dia 28 de novembro, na Praia da Costa, em Vila Velha. Depois, tudo aquilo vai se transformar em um condomínio, tão grande quanto as memórias daquele lugar. Aliás, o tema deste ano não poderia ser mais convidativo: “Casa Original, suas Raízes, Afeto e Memórias”. Se der, eu volto, com amigos fraternos, para um café aconchegante.

Mariana Reis

Mariana Reis é mestranda em Sociologia Política, Administradora , TEDex, Colunista e Personal Trainer

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