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É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

Apesar da correria do cotidiano, esteja bem presente no dia 25

Marchamos dia após dia, repartidos entre tarefas e possibilidades da vida real e do mundo virtual. Mesmo com todos os afazeres, é preciso estar presente (só vivo não basta)

Publicado em 19/12/2021 às 03h00
Família reunida no Natal
Família reunida no Natal. Crédito: Shutterstock

Respire fundo. Repare bem. (Por que tanta pressa?)

Marchamos dia após dia, repartidos entre tarefas e possibilidades da vida real e do mundo virtual – constantes e quase sempre irrelevantes. Fazendo isso, pensando naquilo... Mergulhados na tela do smartphone, à deriva da própria vida, quase ausentes. Sonâmbulos. Profundamente rasos.

Guiados pelo brilho artificial, deixando de nos olhar nos olhos (mas sem deixar de sorrir para a foto). Subliminarmente comandados, fazendo escolhas sem glúten e laços de papel de guardanapo. Imediatamente programados para o sucesso – sem saber o que isso seja ao certo.

Vai começar a chamada.

É preciso estar presente (Só vivo não basta).

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Passaremos por mil jornadas até aprendermos a maior de todas as simplicidades – amar. Amar a si e cada pequena coisa que se faça. Passar manteiga no pão com amor, adoçar o café com amor, escovar os dentes com amor, dizer bom dia com amor, dizer não ao filho com amor, ler uma coluna de domingo, receber os amigos, oferecer um abraço, um beijo ou os dois ouvidos.

Mas o amor também atende por outros nomes... Tempo, atenção, zelo, tesão, dedicação, o que for que empregue o sentido. Repare: como nunca antes, o Universo esclarece que "fazer por fazer", "fazer pra dizer", "fazer só pelo dinheiro" ou "fazer sem querer" – dá no mesmo: nada. Porque ele, o Universo, não sabe ficar prenho de desejos de isopor, vazios por dentro.

Presença, corpo, alma, intenção, entrega. Arrepiar a pele na água fria – sentir-se vivo. Vibrar em cada sílaba, experimentar o gosto da verdade em cada palavra dita. Sacar fôlego genuíno para soltar a voz na hora refrão – hoje é dia – e demandar a presença do espírito para deixar de lado o celular e darmos as mãos.

Oração.

No próximo sábado, 25, quero estar presente. Passo a passo, ponto a ponto, percorrê-los (por que não?). Arrumar a mesa, enfeitar os cabelos, ligar para minhas avós, banhar meus filhos, preparar a farofa, acender as velas, ligar o som. Sentir plena gratidão pelos que se foram e pelos que aqui estão.

Hoje quero sentir o tempo escorrer como calda de caramelo quente, denso e lento. Sem pressa, sem melhor nem pior, sem julgamentos. Comer sem culpa, amar sem pressa, fazer feliz, colorir os momentos, celebrar a vida e a dádiva da família reunida.

E assim, honrar a presença do sagrado. Mistério da vida.

Aos presentes, meu carinho.

Feliz dia 25!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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