Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Parlamentarização?

País vive transformação do presidencialismo, mas consequências não são claras

Feita em 1988 em nome da eficiência, a delegação de poderes no Brasil está sendo revertida

Publicado em 10 de Fevereiro de 2020 às 06:01

Públicado em 

10 fev 2020 às 06:01
Redação de A Gazeta

Colunista

Redação de A Gazeta Redação de A Gazeta
Palácio do Planalto Crédito: Agência Brasil
Há uma nova expressão no léxico político: a parlamentarização. Estaríamos vivendo um parlamentarismo branco: o poder Legislativo autonomizou-se, e o poder Executivo vem perdendo protagonismo. A intuição da parlamentarização vai na direção correta, mas no fundo a expressão é enganosa.
O traço distintivo do parlamentarismo é que a origem e a sobrevivência do chefe do poder Executivo depende do Parlamento. No presidencialismo, o presidente é eleito diretamente e o mandato é fixo, independe de confiança parlamentar.
Um conflito entre os dois poderes não tem arbitragem fácil devido à legitimidade dual: ambos têm mandato popular. Sob o parlamentarismo, há uma válvula de escape para o conflito: a moção de confiança seguida de novas eleições. A estrutura de incentivos no presidencialismo pode levar sob certas condições a uma situação de confronto radical.
A ideia de parlamentarização ignora que há grande variação dentro do presidencialismo: há presidentes com amplos poderes constitucionais (Brasil, com escore de 0,46 no índice Elgie/Doyle; ou Chile, com 0,57) e com escassos poderes –EUA e Costa Rica (ambos 0,28). O apoio que recebe do seu partido também importa à análise. Nos EUA, o presidente tem estado em situação minoritária em uma das casas legislativas em 59% dos anos de 1945 a 2020.
A combinação difícil ocorre quando um presidente forte não conta com apoio parlamentar e tenta unilateralmente impor sua agenda. Sob um presidente fraco, o risco seria menor. Mas essa análise assume equivocadamente que presidentes minoritários não têm incentivo para a formação de coalizões, o que mitiga o risco.
Cerca de 1/3 das democracias é parlamentarista, e nelas as coalizões multipartidárias chegam a 80%. Segundo Timothy Power (Oxford University), entre 1974 e 2013, presidentes minoritários formaram coalizões multipartidárias em 52% do tempo.
O Parlamento brasileiro já desfruta de prerrogativas institucionais expressivas, que se expandiram com a aprovação do orçamento impositivo. No índice de poderes legislativos de Chernykh, Doyle e Power, o escore do país é 4,12, abaixo do parlamento mais poderoso do mundo – o alemão (escore de 5,93) – e do dos EUA (4,67) – mas acima de Chile (4,04), Argentina (3,6) e México (3,1).
O que está ocorrendo no país não significa parlamentarização, mas transformação no padrão do regime presidencial. Tampouco equivale ao semipresidencialismo, porque o presidente brasileiro detém amplas prerrogativas (ex. o poder de nomear e demitir ministros).
Feita em 1988 em nome da eficiência, a delegação de poderes no Brasil está sendo revertida. Suas consequências não são claras.

Redação de A Gazeta

Redação de A Gazeta Redação de A Gazeta

Fique por dentro das últimas notícias do Espírito Santo, do Brasil e do mundo com a redação de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O Presidente da Abrasel no Espírito Santo, Marcelo Uliana, com o conselheiro da instituição, Wiclif Fonseca Barbosa, o presidente do Sindbares, Rodrigo Vervloet
Abrasel ES empossa novos conselheiros com festa; veja fotos
O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício
Júri de engenheiro acusado de matar professora no ES reúne 26 laudos e perícias
Coronel Orely tinha 70 anos de vínculo com as instituições militares capixabas
Morre coronel lenda da Polícia Militar e dos Bombeiros do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados