Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Bolsonaro se enfraquece, mas ganha perdendo
Marcus André Melo

Bolsonaro se enfraquece, mas ganha perdendo

Quando o presidente sem coalizão é derrotado no Congresso em temas comportamentais, vitimiza-se e obtém ganhos junto a estes setores, cujo apoio em 2022 será crucial

Publicado em 20 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

20 jan 2020 às 04:00
Marcus André Melo

Colunista

Marcus André Melo Marcus André Melo
Presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: Alan Santos/PR

Há certo consenso que as relações Executivo-Legislativo sob Bolsonaro têm se dado em um novo padrão: em vez de propalada expansão do poder presidencial em um governo iliberal, observamos sua redução.

Há duas questões inter-relacionadas: ocorreu transformação (estrutural ou cosmética)? O que a causou? A chave para ambas é a excepcionalidade das circunstâncias da ascensão de Bolsonaro: uma tempestade perfeita resultante da conjugação de escândalo ciclópico de corrupção e crise econômica inédita. Como consequência a corrupção substituiu as questões redistributivas e de inclusão como eixo vertebrador da disputa política.

O cataclismo levou ao impeachment, à destruição das reputações das principais lideranças e à proibição do financiamento empresarial de campanhas. Como consequência, os fatores decisivos para as eleições no passado –financiamento de campanha, tempo de TV, tamanho das alianças– perderam importância, e permitiram que um outsider brandindo bandeiras novas –corrupção e segurança– se tornasse politicamente viável.

Sem coalizão formal de apoio, Bolsonaro se enfraquece, mas o que é mais relevante é que não se tornou refém de maioria congressual por estar bem posicionado para jogar um jogo novo –que o cientista político Fernando Limongi chamou de "presidencialismo do desleixo". Contudo o descaso ou descuido é só aparente: o presidente ganha perdendo. Explico.

A ascensão de Bolsonaro foi viabilizada pela mobilização frenética de um quinto do eleitorado e o voto útil de eleitores mais ao centro. Isso explica a campanha perpétua junto a este eleitorado. Quando o presidente sem coalizão é derrotado no Congresso em temas comportamentais, vitimiza-se e obtém ganhos junto a estes setores, cujo apoio em 2022 será crucial.

Na agenda econômica, a dinâmica é distinta: Bolsonaro se vale de expressiva maioria congressual para sua aprovação, para o que contribui o senso de emergência criado pela avassaladora crise dos estados.

Surge assim um novo equilíbrio que permite ao Executivo apresentar propostas do tipo pegar ou largar, o que lhes confere vantagem estratégica. Mas a Presidência perdeu institucionalmente com o Orçamento impositivo e –mais importante– o fundo bilionário de campanhas. Com eles, o Legislativo se autonomiza via à vis o Executivo, e isso é inédito.

O equilíbrio ancorado em um Executivo fraco, mas sem ingovernabilidade, não tem precedentes. No passado, a ingovernabilidade levou à delegação de poderes ao Executivo materializada na Constituição de 1988. Apenas uma paralisia decisória com crise econômica e deterioração fiscal poderá reverter a tendência.

Marcus André Melo

Marcus André Melo Marcus André Melo

É professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante da Universidade de Yale.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ação contra furto de energia
De barbearia a propriedade rural: operação flagra furtos de energia no Sul do ES
Imagem de destaque
Nunes Marques manda Meta entregar relatório sobre 'Exército do Lula' em até 24h
Idoso de 80 anos com alzheimer desaparece em Barra de São Francisco
Idoso de 80 anos com Alzheimer desaparece em Barra de São Francisco

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.