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Luiz Cola é enófilo há mais de vinte anos e membro de diversas confrarias de vinho no ES. Realiza palestras, cursos, degustações temáticas e presta consultoria em vinhos para restaurantes e adegas

A famosa classificação de 1855 dos vinhos de Bordeaux

Naquele ano, os melhores vinhos da icônica região francesa foram divididos em Premiers, Deuxièmes, Troisièmes, Quatrièmes e Cinquièmes Crus Classés

Publicado em 15/05/2020 às 10h00
Atualizado em 15/05/2020 às 10h30
Vinhedo em Saint-Julien com o Rio Gironde ao fundo
Vinhedo em Saint-Julien, Bordeaux, com o Rio Gironde ao fundo. Crédito: Luiz Cola

Mesmo as pessoas não familiarizadas com o mundo do vinho podem ter ouvido falar da famosa classificação de 1855, ano em que os melhores vinhos franceses da região de Bordeaux foram ranqueados em cinco níveis: Premiers, Deuxièmes, Troisièmes, Quatrièmes e Cinquièmes Crus Classés. O critério utilizado à época foi o mais prático possível: o preço alcançado pelos vinhos no mercado em anos anteriores.

A classificação desses vinhos foi solicitada por Napoleão III (sobrinho do Napoleão Bonaparte) para apresentá-los ao mundo na Exposição Universal de Paris, a ser realizada naquele ano. A lista contemplou os melhores rótulos de Bordeaux na época, todos estabelecidos no Médoc (exceto o Château Haut-Brion, de Graves), área conhecida entre os especialistas como a “margem esquerda” de Bordeaux.

A lista como é conhecida hoje conta com 61 vinhos e difere um pouco da original, que continha apenas 58 vinhos. A alteração mais significativa aconteceu em 1973, quando o Château Mouton-Rothschild foi promovido de Deuxième Cru para Premier Cru, graças a uma longa campanha conduzida por seu proprietário, o Barão Philippe de Rothschild.

Além dessa notória mudança, três outros châteaux sofreram divisões ou uniões que merecem ser conhecidas: Léoville (Las Cases, Barton e Poyférre), Pichon (Baron e Comtesse de Lalande) e Batailley (e Haut-Batailley) foram divididos, enquanto outros dois se unificaram (Pouget e Pouget-Lassale), tornando-se o Château Pouget. Para finalizar, o Château Dubignon, um 3ème Cru Classé, desapareceu com o tempo e suas vinhas foram incorporadas por outros châteaux da comuna de Margaux.

Château Pichon-Longueville em Pauillac
Château Pichon-Longueville em Pauillac. Crédito: Luiz Cola

Apesar do caráter histórico dessa classificação, na qual os châteaux mais bem ranqueados se apegam com orgulho, vários deles sofreram mudanças significativas (nem sempre para melhor) na elaboração dos vinhos ao longo desses 165 anos. Atualmente, um índice conhecido como “Liv-ex”, também baseado nos preços vigentes no mercado internacional, é mais confiável e utilizado para determinar a qualidade e reputação desses grandes vinhos.

Algumas propriedades, como o Château Cos d’Estournel (2ème), o Château Palmer (3ème), o Châteaux Pontet-Canet e o Lynch-Bages (5èmes), possuem hoje maior prestígio e valor para seus grands vins do que na classificação original de 1855.

CLASSIFICAÇÃO DOS GRANDS CRUS CLASSÉS DO MÉDOC DE 1855

  • 1er Crus Classés: 
  • Château Lafite-Rothschild (Pauillac)
  • Château Latour (Pauillac)
  • Château Mouton-Rothschild (Pauillac)
  • Château Haut-Brion (Graves)
  • Château Margaux (Margaux)
  • 2ème Crus Classés: 
  • Château Brane-Cantenac (Margaux)
  • Château Montrose (Saint-Estéphe)
  • Château Ducru-Beaucaillou (Saint-Julien)
  • Château Pichon-Longueville Comtesse de Lalande (Pauillac)
  • Château Baron de Pichon-Longueville (Pauillac)
  • Château Cos d’Estournel (Saint-Estèphe)
  • Château Léoville Las Cases (Saint-Julien)
  • Château Léoville Poyferré (Saint-Julien)
  • Château Gruaud Larose (Saint-Julien)
  • Château Léoville Barton (Saint-Julien)
  • Château Lascombes (Margaux)
  • Château Rauzan-Ségla (Margaux)
  • Château Rauzan-Gassies (Margaux)
  • Château Durfort-Vivens (Margaux)
Château Margaux
Château Margaux. Crédito: Luiz Cola
  • 3ème Crus Classés: 
  • Château Calon Ségur (Saint-Estéphe)
  • Château Marquis d’Alesme (Margaux)
  • Château Boyd-Cantenac (Margaux)
  • Château Cantenac Brown (Margaux)
  • Château Palmer (Margaux)
  • Château La Lagune (Haut-Médoc)
  • Château d’Issan (Margaux)
  • Château Kirwan (Margaux)
  • Château Ferrière (Margaux)
  • Château Desmirail (Margaux)
  • Château Lagrange (Saint-Julien)
  • Château Giscours (Margaux)
  • Château Langoa Barton (Saint Julien)
  • Château Malescot Saint-Exupery (Margaux)
  • 4ème Crus Classés:
  • Château Saint-Pierre (Saint-Julien)
  • Château Branaire-Ducru (Saint-Julien)
  • Château Beychevelle (Saint-Julien)
  • Château Duhart-Milon (Pauillac)
  • Château Pouget (Margaux)
  • Château Lafon-Rochet (Saint-Estèphe)
  • Château Talbot (Saint-Julien)
  • Château Marquis de Terme (Margaux)
  • Château Prieuré-Lichine
  • Château La Tour Carnet (Haut-Médoc)
Vinhedo em Margaux
Vinhedo em Margaux. Crédito: Luiz Cola
  • 5ème Crus Classés:
  • Château Cos Labory (Saint-Estèphe)
  • Château Batailley (Pauillac)
  • Château Clerc-Milon (Pauillac)
  • Château Croizet-Bages (Pauillac)
  • Château d’Armailhac (Pauillac)
  • Château Grand-Puy Ducasse (Pauillac)
  • Château Grand-Puy-Lacoste (Pauillac)
  • Château Haut-Bages Libéral (Pauillac)
  • Château Haut-Batailley (Pauillac)
  • Château Lynch Bages (Pauillac)
  • Château Lynch-Moussas (Pauillac)
  • Château Pedesclaux (Pauillac)
  • Château Pontet-Canet (Pauillac)
  • Château Dauzac (Margaux)
  • Château du Tertre (Margaux)
  • Château Belgrave (Haut-Médoc)
  • Château de Camensac (Haut-Médoc)
  • Château Cantemerle (Haut-Médoc)

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