O episódio da substituição do presidente da Petrobras e o impacto causado na economia, na mídia e na política nacional tornaram oportuna a quebra do tabu que obstrui o debate acerca da privatização dessa estatal.
A forte perda do valor de mercado da empresa – sofrida pelo país, acionistas minoritários e o mercado de ações –, a alta do dólar e seus reflexos negativos na economia e o aumento do risco Brasil são fatos que me estimularam, mais uma vez, a defender a privatização da Petrobras.
Reporto-me ao artigo que assinei seis anos atrás ("Privatizar ou estagnar" - 06.01.2015), no qual defendi a privatização em face do gigantesco rombo de R$ 610 bilhões devido a um poderoso esquema de corrupção na empresa. Inclusive, citei matéria do New York Times que atribuiu à Petrobras o maior caso de corrupção do mundo moderno.
Naquele texto, apontei também o pesado ônus que sobrecarrega os custos da empresa devido ao loteamento político de cargos que incham os seus quadros funcionais e prejudicam a eficiência. São custos adicionais que vão para o preço dos produtos e oneram o consumidor final.
É certo que o petróleo é uma das mais importantes riquezas do nosso país: o petróleo é nosso! Disso ninguém duvida. No entanto, para que possamos tirar maior proveito econômico dessa riqueza não é preciso o país manter esse ineficaz “capitalismo de estado”.
É triste vermos essa nossa inestimável riqueza dilapidada ao longo dos anos! Por melhor que ainda seja o negócio petróleo, não pode haver eficiência ante uma combinação de má gestão, corrupção, interferências políticas, dispêndios desnecessários com sedes suntuosas e maus negócios, como os casos das refinarias de Pasadena e Abreu e Lima, que causaram perdas gigantescas para a companhia.
Quando se trata do fornecimento de produtos ou serviços essenciais para a sociedade – e pesam sobremaneira no bolso da massa consumidora, como energia elétrica, telefone, gás de cozinha, gasolina, óleo diesel, etc. –, a eficiência dos administradores da companhia é requisito imprescindível para a oferta de preços adequados. Não é isso o que vemos.
As privatizações da Embraer, da Vale e outras foram positivas para o país. Mas, sob o ponto de vista do benefício para a sociedade, a privatização da Petrobras é muito mais necessária. É benéfica para o país, para os acionistas minoritários e, principalmente, para a economia popular.
Além do mais, nesta grave situação do país, a venda dessa estatal seria providencial em face do rombo causado pela pandemia.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta