A eleição do prefeito de Vitória foi fato marcante nas eleições municipais no Espírito Santo. Após vermos a Capital por longo tempo sob o comando de partidos de esquerda, ou com viés de esquerda, o eleitor mostrou que queria mudança.
Foi em razão dessa opção por mudança que o jovem Lorenzo Pazolini, 38, com seu discurso renovador, focado em dar mais atenção à segurança e em inovações no sistema de gestão, conquistou a preferência do eleitor.
Diante dessa renovação política – ainda que a nossa Capital não possa ser taxada de mal administrada –, me permito voltar ao tema mobilidade por entender que aí reside o principal atraso da nossa bela cidade.
Vitória precisa romper velhos paradigmas e seguir os bons exemplos de soluções que já deram certo em outras cidades. E reitero a pergunta que tanto me intriga: por que a Prefeitura de Vitória não busca referências em capitais como São Paulo, onde os problemas são bem maiores e a engenharia de tráfego é muito mais demandada?
Perdi a conta dos artigos que escrevi fazendo esse questionamento e defendendo propostas de mudanças viárias em prol da mobilidade. Sempre com o cuidado de sugerir medidas bem avaliadas e já consolidadas em inúmeras cidades mundo afora. E mesmo vendo algumas dessas propostas aceitas e convertidas em melhorias urbanas comprovadas, lamento ver outras tantas nas prateleiras da burocracia.
Já passou da hora de medidas meramente paliativas! Precisamos de intervenções urbanas mais consistentes. E dou como exemplo a necessidade da implantação de binários para redução de semáforos de três tempos, tão prejudiciais ao tráfego e perigosos para o pedestre. Tem faltado vontade política nesse sentido.
Vitória precisa de menos medidas pontuais e, sim, de um amplo projeto de modernização da utilização do seu sistema viário. É preciso conciliar melhoria do fluxo de veículos nas vias arteriais e coletoras com moderação e humanização do tráfego (traffic calming) no interior de bairros. Como também do incremento na construção de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, cuja necessidade cresce rapidamente com a intensificação do uso dos novos modais elétricos de uso individual.
É preciso que seja feito na Capital o que já foi feito com bons resultados em tantas outras cidades. São soluções de baixo custo que trarão grandes benefícios tanto para a mobilidade como para a humanização da vida urbana.
É com esse olhar crítico-construtivo – mas esperançoso – que vejo a administração do novo prefeito da Capital.