Publicado em 3 de março de 2021 às 21:05
- Atualizado há 5 anos
O advogado Leonardo Pietro Antonelli comunicou à Petrobras que não aceitará a renovação de seu mandato como representante do governo no conselho de administração da estatal. É a quinta baixa no colegiado após o anúncio da troca no comando da estatal. >
Antonelli ocupa uma das oito cadeiras do conselho destinadas à União desde julho de 2020. Embora o governo tenha proposto a recondução de seus representantes, outros quatro conselheiros já haviam anunciado na terça (2) que não têm interesse em permanecer.>
Em comunicado divulgado nesta quarta (3), a Petrobras informou a decisão de Antonelli, mas disse que a recusa em ocupar cadeira destinada à União "não impede que ele seja eleito novamente pelos acionistas minoritários, caso haja solicitação de voto múltiplo e ele receba votos para tanto".>
Como foram eleitos em bloco, todos os representantes do governo no conselho terão o mandato interrompido automaticamente na próxima assembleia de acionistas da companhia, que será convocada para substituir Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna no colegiado.>
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Silva e Luna foi indicado no último dia 19 como substituto de Castello Branco na presidência da estatal, decisão que desagradou o mercado e gerou a debandada de conselheiros. Antes, precisa ter sua indicação ao conselho ratificada em assembleia de acionistas.>
O governo chegou a propor a recondução dos seus outros sete representantes, mas até o momento, cinco já recusaram a proposta -além de Antonelli, João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha comunicaram a empresa que não querem ser reconduzidos. Os dois últimos fizeram questão de se manifestar em comunicado da estatal que anunciou a decisão.>
Souza e Silva elogiou a gestão Castello Branco e Cunha disse não se sentir na posição de aceitar a recondução depois das críticas à gestão Castello Branco feitas por Bolsonaro.>
"A mudança proposta pelo acionista majoritário [a União], embora amparado nos preceitos societários, não se coaduna com as melhores práticas de gestão, nas quais procuro guiar minha trajetória empresarial", escreveu.>
"Sendo assim, acredito que minha contribuição ao Conselho de Administração e à empresa seria fortemente afetada, e minha efetividade reduzida." Procurado nesta quarta, ele preferiu não dar entrevistas.>
A decisão dos conselheiros considerou também o risco de processos na pessoa física caso a gestão Silva e Luna passe a adotar medidas contrárias aos acionistas da empresa. Embora afirme que não vai interferir na gestão da empresa, Bolsonaro tem repetido que uma estatal não pode pensar só no lucro e precisa ter papel social.>
Entre os conselheiros indicados pelo governo, permanecerão nos cargos após a assembleia apenas os de origem militar: o presidente atual do colegiado, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e o oficial da reserva Ruy Flaks Schneider.>
Com a chegada de Silva e Luna, o conselho da Petrobras passará a ter ao menos três militares. O governo ainda não divulgou os nomes que substituirão os executivos que declinaram do convite pela recondução. Outras duas vagas são destinadas a minoritários e uma a representante dos trabalhadores.>
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