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Cinco conselheiros da Petrobras se recusam a ficar nos cargos

General Silva e Luna foi indicado no último dia 19 como substituto de Castello Branco na presidência da estatal, decisão que desagradou o mercado e gerou a debandada de conselheiros

Publicado em 03/03/2021 às 21h05
Atualizado em 03/03/2021 às 21h05
Plataforma P-57, da Petrobras, no Litoral Sul do Espírito Santo
Plataforma P-57, da Petrobras, no Litoral Sul do Espírito Santo. Crédito: Gabriel Lordêllo/Agência Petrobras/Divulgação

O advogado Leonardo Pietro Antonelli comunicou à Petrobras que não aceitará a renovação de seu mandato como representante do governo no conselho de administração da estatal. É a quinta baixa no colegiado após o anúncio da troca no comando da estatal.

Antonelli ocupa uma das oito cadeiras do conselho destinadas à União desde julho de 2020. Embora o governo tenha proposto a recondução de seus representantes, outros quatro conselheiros já haviam anunciado na terça (2) que não têm interesse em permanecer.

Em comunicado divulgado nesta quarta (3), a Petrobras informou a decisão de Antonelli, mas disse que a recusa em ocupar cadeira destinada à União "não impede que ele seja eleito novamente pelos acionistas minoritários, caso haja solicitação de voto múltiplo e ele receba votos para tanto".

Como foram eleitos em bloco, todos os representantes do governo no conselho terão o mandato interrompido automaticamente na próxima assembleia de acionistas da companhia, que será convocada para substituir Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna no colegiado.

Silva e Luna foi indicado no último dia 19 como substituto de Castello Branco na presidência da estatal, decisão que desagradou o mercado e gerou a debandada de conselheiros. Antes, precisa ter sua indicação ao conselho ratificada em assembleia de acionistas.

O governo chegou a propor a recondução dos seus outros sete representantes, mas até o momento, cinco já recusaram a proposta -além de Antonelli, João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha comunicaram a empresa que não querem ser reconduzidos. Os dois últimos fizeram questão de se manifestar em comunicado da estatal que anunciou a decisão.

 Souza e Silva elogiou a gestão Castello Branco e Cunha disse não se sentir na posição de aceitar a recondução depois das críticas à gestão Castello Branco feitas por Bolsonaro.

"A mudança proposta pelo acionista majoritário [a União], embora amparado nos preceitos societários, não se coaduna com as melhores práticas de gestão, nas quais procuro guiar minha trajetória empresarial", escreveu.

"Sendo assim, acredito que minha contribuição ao Conselho de Administração e à empresa seria fortemente afetada, e minha efetividade reduzida." Procurado nesta quarta, ele preferiu não dar entrevistas.

A decisão dos conselheiros considerou também o risco de processos na pessoa física caso a gestão Silva e Luna passe a adotar medidas contrárias aos acionistas da empresa. Embora afirme que não vai interferir na gestão da empresa, Bolsonaro tem repetido que uma estatal não pode pensar só no lucro e precisa ter papel social.

Entre os conselheiros indicados pelo governo, permanecerão nos cargos após a assembleia apenas os de origem militar: o presidente atual do colegiado, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e o oficial da reserva Ruy Flaks Schneider.

Com a chegada de Silva e Luna, o conselho da Petrobras passará a ter ao menos três militares. O governo ainda não divulgou os nomes que substituirão os executivos que declinaram do convite pela recondução. Outras duas vagas são destinadas a minoritários e uma a representante dos trabalhadores.

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