A transição entre os governos Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) já começou. O ex-prefeito de Vitória venceu o emedebista nas urnas no último dia 25 e vai passar a comandar o Palácio Anchieta a partir de 6 de janeiro.
E já há ao menos uma divergência pública.
A equipe de Pazolini avalia contratar uma empresa externa para passar a limpo os contratos e as contas de todas as secretarias, autarquias e empresas públicas, como publicou o colunista Abdo Filho.
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A ideia seria escalar uma das principais empresas do setor, como Deloitte, PwC, EY e KPMG. Isso teria um custo, obviamente.
O secretário estadual de Controle e Transparência da atual gestão, Edmar Camata, escalado para atuar na equipe de transição de Ricardo, discorda da medida.
Em entrevista à Rádio CBN Vitória nesta terça-feira (3), Camata afirmou que os auditores estaduais, servidores efetivos, têm capacidade de realizar o serviço.
“Nós temos uma auditoria do estado, que é certificada internacionalmente por um indicador privado, que é o IA-CM. É nível 2”, ressaltou Camata.
IA-CM é Internal Audit Capability Model for the Public Sector (ou Modelo de Capacidade de Auditoria Interna para o Setor Público), um framework internacional desenvolvido pelo Instituto dos Auditores Internos (The Institute of Internal Auditors - IIA) com o apoio do Banco Mundial.
“Não combina às vezes contratar uma auditoria externa, se você tem auditores do estado que fazem esse serviço muito bem. Como você tem também consultores do Tesouro que são responsáveis em grande parte pela entrega da capacidade fiscal do estado. O estado tem carreiras sólidas, carreiras que entregam tudo isso”, completou.
Edmar Camata diz não acreditar que Pazolini vai mesmo contratar uma auditoria, mas ponderou que essa é uma prerrogativa do governador eleito:
É uma opção da gestão que entra abrir mão desses serviços que são tão bem prestados pelos nossos profissionais e contratar algo externo
Edmar Camata Secretário estadual de Controle e Transparência
Até a publicação deste texto, a assessoria de imprensa de Pazolini não confirmou se vai haver mesmo a contratação de uma auditoria externa.
O coordenador da equipe de transição do republicano, Erick Muso, também ainda não havia respondido à coluna a respeito.
O processo de transição é regulamentado por normas federais e locais. O objetivo, na prática, é que serviços públicos não sejam paralisados no intervalo entre uma administração e outra e que o futuro governante não encontre um cenário de “terra arrasada” ao assumir o cargo.
Divergências políticas e eleitorais não podem se sobrepor ao que é mais importante.
Mas é comum haver discordâncias nesse período em estados e municípios, por exemplo, quanto à metodologia para calcular o dinheiro deixado em caixa e o real estado de obras e serviços em andamento.
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