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Eleições 2022

PT vai retirar Contarato da disputa pelo governo do ES. Veja os motivos

Reunião do diretório estadual do partido vai chancelar apoio a Renato Casagrande nesta quarta-feira (13)

Públicado em 

13 jul 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Senador Fabiano Contarato em plenária do PT realizada em Vitória
Senador Fabiano Contarato em plenária do PT realizada em Vitória Crédito: Facebook/Fabiano Contarato
O senador Fabiano Contarato (PT) vai ser retirado da disputa pelo governo do Espírito Santo. Os petistas vão apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). O martelo já foi batido, após reunião, nesta terça-feira (12), que contou com a presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, e outros integrantes do diretório estadual do partido. O próprio Contarato também participou, de forma virtual.
Casagrande e o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, marcaram presença pelo lado dos socialistas.
Para fazer o anúncio da aliança entre as duas siglas falta apenas a chancela oficial dos dirigentes do PT. Uma reunião está marcada para as 20h desta quarta-feira, vejam só, dia 13. O diretório havia aprovado a pré-candidatura de Contarato, agora tem que corrigir o rumo.
Na reunião desta terça, o PT recebeu algumas garantias do governador e do PSB, entre elas a participação ativa dos socialistas na coordenação da campanha do ex-presidente Lula no Espírito Santo.
Também ficou acertada a participação do PT na gestão estadual a partir de 2023, se Casagrande for reeleito, e na elaboração do plano de governo.
Por último, mas não menos importante, que o tratamento dado aos pré-candidatos a deputado do PT seja igual ao dispensado aos demais aliados. 
"O governo sempre tem instrumentos para fortalecer a chapa proporcional (para eleger deputados estaduais e federais)", avaliou um experiente político à coluna. 
Entre todos esses pontos, um dirigente do PT diz que o que mais contou a favor da aliança foi a disposição do PSB de ajudar a eleger Lula.
Para preparar o terreno, Casagrande, ao final da coletiva de imprensa em que anunciou que vai disputar a reeleição, na segunda-feira (11), afirmou que vai fazer campanha para o pré-candidato do PT à Presidência da República, e não vai devotar o mesmo empenho a outros nomes pelos quais tem simpatia, como Ciro Gomes (PDT).
Foi um aceno importante, ressaltou um dirigente do PT local.
Mas nenhuma das contrapartidas aqui listadas é determinante para que Contarato, que marcou 11% das intenções de voto em pesquisa Ipec divulgada no início de junho, figurando em segundo lugar, deixe de disputar o Palácio Anchieta.
O PSB estadual já iria fazer campanha para Lula mesmo. Os socialistas estão juntos com o PT nacionalmente, têm o vice na chapa, Geraldo Alckmin.
Participação no governo o PT poderia obter após fazer uma composição com Casagrande no segundo turno, se assim fosse o cenário.
Plano de governo o PT poderia elaborar um inteirinho para Contarato.
Ajuda para eleger deputados talvez seja interessante, algo que a máquina do governo pode fazer e o partido, sozinho, não.
Mas o que cravou mesmo a aliança foi o contexto nacional. Além de PT e PSB estarem juntos na chapa que concorre à Presidência da República, tornando as parcerias estaduais naturais, movimentos do PSB em outros estados é que foram decisivos.
O PT prioriza a eleição de Lula, mas também a de Fernando Haddad, para o governo de São Paulo. Quando o socialista Márcio França desistiu de disputar o mesmo cargo, os acertos em outras unidades da federação passaram a fluir melhor.
Na prática, em troca de São Paulo, o PT cede em outros locais, como o Espírito Santo.
A direção nacional do PT já havia pedido que os petistas locais compusessem com Casagrande. Para não parecer "uma coisa forçada", nas palavras de um integrante do partido, solicitou também que um diálogo fosse aberto com as lideranças do PSB. E isso foi feito.
Na reunião desta terça, representantes nacionais dos dois partidos não participaram. 
Mas a digital nacional está por toda parte.
SINAIS, FORTES SINAIS
A parceria entre PT e PSB já era pedra cantada por sinais, fortes sinais, como a coluna relatou, em junho.
Naquele mês, um evento que seria de lançamento da pré-candidatura do senador, por exemplo, foi transformado em plenária para discutir um projeto alternativo de governo a ser apresentado a quem o PT fosse apoiar, embora esse pudesse ser o próprio Contarato, que tinha a pré-candidatura mantida até então.
Aliás, na plenária ele foi ovacionado pela militância petista, que rechaçou Casagrande, aos gritos.
Mas nada adiantou. A direção nacional do PT já havia sinalizado que a aliança com Casagrande iria ocorrer, cedo ou cedo.
VICE E SENADO
O PT pediu para ocupar a vaga de vice na chapa de Casagrande ou que o governador apoie um nome da sigla ao Senado.
Mas isso não era uma condição para a aliança. Os fatores decisivos já foram listados acima. Assim, o pleito do partido já perdeu força.
Para o Senado, o governador deve endossar a pré-candidatura à reeleição de Rose de Freitas (MDB). 
Já para a vaga de vice, o PT quer ao menos isonomia na hora de discutir esse espaço com os partidos que formam a "aliança mais ampla possível" que o governador está construindo.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.

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