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Disputa em 2024

Presidente da OAB-ES: "Sou pré-candidato à reeleição"

José Carlos Rizk Filho vai em busca do terceiro mandato consecutivo à frente da entidade que representa os advogados no ES. O clima dos bastidores já está acirrado

Publicado em 24 de Abril de 2024 às 02:35

Públicado em 

24 abr 2024 às 02:35
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Entrevista com o presidente reeleito da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho
O presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho Crédito: OAB-ES/Divulgação
José Carlos Rizk Filho foi eleito para presidir a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Espírito Santo (OAB-ES) em dezembro de 2018, para o triênio 2019-2021. Em 2021, foi reeleito, e, assim, comanda a ordem no período de 2022 a 2024. Em novembro, os advogados vão voltar às urnas e, novamente, Rizk Filho vai estar entre os candidatos.
Não chega a ser uma surpresa. As movimentações do presidente já denotavam isso, mas foi à coluna que ele afirmou, na última segunda-feira (22), pela primeira vez em uma entrevista, que vai colocar o bloco na rua: "Sou pré-candidato à reeleição".
Quando ascendeu ao poder, o grupo de Rizk Filho criticou, justamente, a tentativa de permanência das mesmas pessoas no centro nevrálgico da entidade. O antecessor do atual presidente é Homero Mafra, que exerceu a presidência da Ordem por três mandatos e, em 2018, tentou emplacar o sucessor, ao apoiar o candidato Ricardo Brum.
Na primeira eleição, Rizk Filho recebeu 52,99% dos votos. Na segunda, 54,03%, ou seja, manteve o capital político. Isso é, certamente, um incentivo para seguir na disputa.
Mas não seria uma contradição, dada a discordância em relação à perpetuação do grupo de Homero?
"O problema era o mesmo grupo se alternar nos mesmos espaços. Eu nunca ocupei outro cargo na OAB-ES sem ser o de presidente, vivo o sistema OAB há apenas cinco anos. Temos players da oposição que viveram a OAB por muitos anos, em vários cargos, como secretário-geral e presidente da Caixa de Assistência, por exemplo", respondeu Rizk Filho.
"Nosso grupo entendeu que vale a pena (disputar o terceiro mandato). Tenho 43 anos de idade e muito óleo para queimar", complementou o presidente da OAB-ES.
Caso Rizk Filho não concorresse, o nome de um aliado dele era dado como certo disputa. Trata-se de Alberto Nemer, atual secretário-geral da entidade. 
"Alberto é meu amigo há anos, não existe chance de rompimento entre nós. Ele mesmo decidiu que não seria o momento de ele se candidatar", garantiu o presidente da Ordem.
"Estou no projeto com Rizk. Muitos queriam que eu fosse o candidato, mas ajustamos que vamos apoiá-lo na reeleição", confirmou Nemer.
"PUXÃO DE ORELHA"
Se já era evidente até para quem não integra a advocacia que José Carlos Rizk Filho tentaria a reeleição, imagine para os possíveis adversários dele.
Vez ou outra, o presidente é alvo de petardos. O mais recente ocorreu devido a uma declaração do corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão. O ministro está em Vitória para realizar inspeção de rotina no Tribunal de Justiça (TJES). 
Salomão afirmou, em discurso no Pleno do TJES, transmitido ao vivo, que não conseguiu se reunir com o presidente da OAB-ES. E disse isso em tom de reprovação:
“Infelizmente, o presidente (da OAB-ES) não tinha agenda para nos receber, curiosamente. É a primeira vez que isso acontece, mas efetivamente, nós procuramos ouvi-lo. Inclusive, teve uma reunião prévia, e nós pedimos a ele que pudesse apresentar sugestão da Ordem. Ele não apresentou. Hoje eu tentei visitá-lo e não consegui”.
Poderia ser uma coisa trivial, mas o trecho do vídeo foi tão compartilhado no WhatsApp que vem acompanhado do aviso de mensagem "encaminhada com frequência". Virou munição para a oposição. Rizk Filho teve que se posicionar.
"Para restabelecimento da verdade, informo que, conforme anunciado, tínhamos programado uma visita institucional do ministro a OAB que me foi cancelado através de sua assessoria somente 24 horas antes e sugerido novo horário no qual haveria solenidade de entrega de carteiras. Em razão disso, e pela expectativa de mais de 100 pessoas pela solenidade de carteira, escolhi por prestigiar os ingressantes na classe, posto que não haveríamos espaço físico na OAB para recebê-los concomitante à visita do ministro", diz nota divulgada pelo presidente da OAB-ES
"Isso não impediu de conversamos com juízes assessores e entregarmos documentos que reputamos importantes", ressaltou Rizk Filho.
E esse é só um exemplo. Críticas à gestão por vezes são racionais e proporcionam reflexões relevantes, mas o clima nos bastidores é tão árido que até episódios comezinhos ganham notoriedade.
"Estamos de salto baixo, sabedores de que vai ser uma eleição muito difícil", avaliou Rizk Filho.

18 mil

É o número de advogados que podem votar na eleição da OAB-ES
De acordo com o portal da transparência da entidade, a receita da OAB-ES em 2023 foi de cerca de R$ 21 milhões.
Mas o presidente, seja quem for, não recebe salário. Nos bastidores, corre à boca miúda que uma campanha para se eleger ao cargo pode custar até R$ 1 milhão. 
Por que alguém se submeteria ao escrutínio público, a esse estresse, de graça ou até pagaria por isso (considerando os gastos de campanha)? 
Bem, ser presidente da entidade confere visibilidade e dá voz ao ocupante da função. É alguém que vai ser consultado ou que, voluntariamente, vai se posicionar a respeito de temas relevantes não somente para a advocacia, mas para a sociedade.
Há um quê de doação para o bem comum e um quê de vaidade.
A depender da área de atuação do advogado ou advogada e do estágio da carreira em que se encontra, a projeção proporcionada também pode ajudar a angariar clientes. 
Só que a dedicação ao trabalho administrativo é uma faca de dois gumes, pois pode levar o presidente, falando aqui sobre um presidente genérico, hipotético, a negligenciar o próprio escritório. Afinal, ninguém consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Somente advogados que estão em dia com o pagamento da anuidade à OAB-ES podem votar na eleição seccional. As inscrições de chapas vão ser abertas em outubro e a votação, que deve ser eletrônica, por aplicativo e site, em novembro.
E a oposição?
Sim, caros leitores e leitoras, na próxima coluna vamos falar dos pré-candidatos que se opõem à atual gestão da OAB-ES.
Spoiler: Homero Mafra não vai concorrer e garantiu que tem uma pessoa, entre os adversários de Rizk Filho, que não vai apoiar de jeito nenhum.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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