Presidente da OAB-ES diz que nova sede é "sonho" e avalia limitar reeleição
Advocacia
Presidente da OAB-ES diz que nova sede é "sonho" e avalia limitar reeleição
Entidade funciona no Edifício Ricamar, no Centro de Vitória, e instalação é considerada "a pior do Brasil". Quanto à recondução ao cargo de presidente, Erica Neves diz que há "possibilidade" de estabelecer uma baliza
Sede da Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Espírito SantoCrédito: A Gazeta
Mudar o endereço da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), de acordo com a nova presidente da entidade, Erica Neves, seria "um sonho", considerando que a atual instalação, no tradicional Edifício Ricamar, Centro de Vitória, é "a pior do Brasil". Viabilizar uma nova sede, entretanto, não está entre as prioridades.
"Teríamos que buscar recursos do conselho federal (da OAB), é um projeto, mas não o 01. Está no radar, se a gente puder, vamos fazer uma sede melhor", afirmou Erica Neves, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (6).
"O (projeto) 01 é resgatar a OAB, o respeito da OAB, o sentimento de pertencimento da advocacia (...), fazer a OAB defender a advocacia primeiro, antes de qualquer interesse externo", completou Erica.
"Fazer uma sede melhor" poderia ser construir, alugar ... mas a presidente disse que ainda não há uma definição sobre isso.
Construir uma nova sede foi uma das principais bandeiras do antecessor de Erica Neves, José Carlos Rizk Filho. A ideia era tirar a Ordem do Centro de Vitória. Mas ele desistiu da empreitada ainda em 2023.
A OAB-ES funciona no 3º e no 4º andares do Ricamar desde 2002.
Na entrevista desta quinta, a presidente da entidade foi questionada também a respeito da reeleição que, hoje, pode ocorrer indefinidamente na OAB-ES. Os advogados podem reconduzir o presidente, ou a presidente, quantas vezes quiserem, se este ou esta candidatar-se a mais um mandato.
Erica Neves não se comprometeu a não disputar mais um pleito e afirmou que ela e a atual diretoria ainda não conversaram sobre o assunto.
A presidente lembrou que em outros estados há o limite de uma reeleição e afirmou que "é uma possibilidade" que a medida seja inserida no regimento interno da seccional capixaba:
"O ad aeternum está démodé"
Erica Neves - Presidente da OAB-ES
"É absurdo ainda ter uma instituição que fica eternamente podendo ter reeleição. Acho péssimo, a gente perde o ímpeto de as pessoas participarem, a gente perde o gás. Em trinta dias, a gente fez tanta coisa que se fosse um continuísmo com certeza não teria sido feito. E é natural, não é nem porque não queira, é porque você já está ali, sedimenta o seu fervor de entregar, de se dedicar, e é ruim para a instituição".
"Acredito que pode ser uma pauta para a gente discutir também no Espírito Santo e permitir apenas uma reeleição", completou.
Homero Mafra presidiu a OAB-ES por três mandatos. Erica integrou a gestão dele no terceiro. José Carlos Rizk Filho reelegeu-se uma vez e tentou ser reconduzido novamente, mas foi derrotado, justamente, por Erica.
"A OAB não tem partido"
Erica Neves - Presidente da OAB-ES
Mal acabou uma eleição e outra está à vista. Em 2024, houve o pleito municipal, a eleição para o comando da OAB-ES, a da lista sêxtupla que selecionou candidatos a uma vaga de desembargador do TJES e em 2026 tem mais.
Trata-se da disputa pelo governo do Espírito Santo e por vagas na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado.
Em tese, a OAB-ES, uma entidade que representa advogados, não tem nada a ver com as eleições de 2026.
Mas em 2022, por exemplo, o então presidente da seccional capixaba, Rizk Filho, apoiou abertamente a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB).
Erica Neves, por sua vez, afirmou, nesta quinta, que não pretende se posicionar politicamente.
"Quem assume (a presidência da OAB-ES) tem esse ônus de não ser publicamente uma pessoa ativa na política partidária. O partido de quem assume uma gestão é a OAB. O que for bom para a OAB a gente manifesta, o que for pessoalizar a gente não pode manifestar."
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.