Marcelo, na sessão de segunda-feira, foi incensado por todos e considerado "o melhor presidente que a Assembleia já teve", por Denninho Silva (União Brasil) e José Esmeraldo (PDT).
O presidente reeleito foi até carregado no colo por Capitão Assumção (PL) e Alexandre Xambinho (União Brasil) em comemoração ao resultado unânime da votação, que já era esperado.
Iriny Lopes (PT) exaltou Marcelo Santos como "maestro". "E a nossa orquestra tocou direitinho", completou a petista.
Marcelo contava há tempos com o apoio da maioria dos deputados, mas faltava ser endossado pelo governador Renato Casagrande (PSB) para obter a recondução ao cargo.
No discurso da vitória, Marcelo agradeceu "pelo apoio e pela confiança" e citou Ricardo mais de uma vez.
O QUE ELE FEZ
Não se pode negar que o presidente, agora reeleito, teve boa capacidade de articulação com os deputados e adotou uma diplomacia interna eficiente. Do contrário, não teria colhido tantos louros entre deputados de esquerda e de direita.
Ter a "máquina na mão", o poder de designar os ocupantes de cargos comissionados ligados à Mesa Diretora, certamente, ajudou na recondução.
Outros fatores lembrados pelos próprios deputados foram "a valorização dos servidores", elogiada por Camila Valadão, e o episódio da prisão de Capitão Assumção, por ordem do Supremo Tribunal Federal, que foi rapidamente revogada pela Assembleia (a Constituição Estadual dá à Casa a prerrogativa de avaliar prisões dos próprios membros) em 2024.
O tucano foi escalado como líder do governo na Assembleia. Ao votar em Marcelo nesta segunda, Vandinho fez questão de lembrar que, em 2023, chegou a reunir 24 assinaturas de apoio entre os 30 deputados para ser eleito presidente da Casa
Marcelo Santos e Vandinho LeiteCrédito: Lucas S. Costa/Ales
Desta vez, o parlamentar do PSDB viveu mais uma frustração.
Mas foi escolhido como novo líder do governo na Assembleia e, para contemporizar, afirmou que a amizade com Marcelo "sempre foi muito boa e vai continuar".
REFORMA E CONCURSOS
Entre os planos do presidente reeleito da Assembleia estão "reformas mais profundas" no prédio da Assembleia Legislativa e, mais adiante, "um segundo concurso" para servidores. O primeiro deve ser lançado em março.
As reformas devem ocorrer no plenário e na parte administrativa da Casa, após obras que já foram realizadas nos gabinetes dos parlamentares.
APOSENTADORIA E REAJUSTE
Um novo plano de aposentadoria voluntária para incentivar servidores a passar à inatividade também vai ser lançado, o que vai abrir novas vagas a serem preenchidas por concurso.
E reajuste salarial para os atuais servidores também está em análise.
ELEIÇÃO 2026 JÁ COMEÇOU
Logo após Marcelo Santos ser reeleito, Mazinho dos Anjos (PSDB) pôs-se a discursar, aleatoriamente, sobre a gestão da Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini (Republicanos), com críticas à administração municipal.
Em seguida, Denninho Silva discursou em defesa do trabalho da Prefeitura de Vitória e cobriu Pazolini de elogios.
Um sinal de que, na Assembleia, a eleição de 2026 já começou.
Aliás, o próprio Marcelo Santos é pré-candidato a deputado federal e já foi "lançado" pelos colegas, na segunda-feira, como "futuro presidente da Câmara dos Deputados" em meio à profusão de elogios.
"CAMPO PESSOAL"
O presidente da Assembleia Legislativa vai ter que ser o maestro, também, desse embate. Em 2024, o presidente da Assembleia apoiou a reeleição de Pazolini, mas já em dezembro, com a proximidade da eleição da Mesa Diretora da Assembleia, afirmou à coluna não ter nenhum compromisso com o prefeito de Vitória para 2026. Depois, firmou a aliança com Casagrande e Ricardo Ferraço.
"Naturalmente, o parlamentar vai se manifestar aqui. Temos um acordo (entre os parlamentares) de não perdermos o respeito um pelo outro e, principalmente, por uma pessoa que não pode se defender aqui no parlamento (um eventual pré-candidato ao Palácio Anchieta). Fazer críticas ou elogiar uma administração é normal. O que não pode é entrar no campo pessoal", afirmou Marcelo à coluna, em entrevista coletiva após ser reeleito.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.