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Legislativo

Os bastidores da reeleição de Marcelo Santos na Assembleia

A vitória do atual presidente foi unânime e previsível. Veja o motivo e as curiosidades da votação realizada na segunda-feira (3)

Publicado em 04 de Fevereiro de 2025 às 09:04

Públicado em 

04 fev 2025 às 09:04
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Marcelo Santos reeleito presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Marcelo Santos reeleito presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Lucas S. Costa/Ales
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), foi reeleito para comandar a Casa pelos próximos dois anos. A votação, na segunda-feira (3), foi unânime. Em 2023, quando ele foi alçado pela primeira vez ao posto, Camila Valadão (PSOL) e Lucas Polese (PL) votaram contra. Agora, fizeram coro aos elogios ao colega.
Marcelo, na sessão de segunda-feira, foi incensado por todos e considerado "o melhor presidente que a Assembleia já teve", por Denninho Silva (União Brasil) e José Esmeraldo (PDT).
O presidente reeleito foi até carregado no colo por Capitão Assumção (PL) e Alexandre Xambinho (União Brasil) em comemoração ao resultado unânime da votação, que já era esperado.
Iriny Lopes (PT) exaltou Marcelo Santos como "maestro". "E a nossa orquestra tocou direitinho", completou a petista.
Marcelo contava há tempos com o apoio da maioria dos deputados, mas faltava ser endossado pelo governador Renato Casagrande (PSB) para obter a recondução ao cargo.
Conseguiu o aval do socialista após se comprometer com o projeto eleitoral dos casagrandistas para 2026, que hoje é personificado pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato ao Palácio Anchieta.
No discurso da vitória, Marcelo agradeceu "pelo apoio e pela confiança" e citou Ricardo mais de uma vez. 
O QUE ELE FEZ
Não se pode negar que o presidente, agora reeleito, teve boa capacidade de articulação com os deputados e adotou uma diplomacia interna eficiente. Do contrário, não teria colhido tantos louros entre deputados de esquerda e de direita.
Ter a "máquina na mão", o poder de designar os ocupantes de cargos comissionados ligados à Mesa Diretora, certamente, ajudou na recondução.
Outros fatores lembrados pelos próprios deputados foram "a valorização dos servidores", elogiada por Camila Valadão, e o episódio da prisão de Capitão Assumção, por ordem do Supremo Tribunal Federal, que foi rapidamente revogada pela Assembleia (a Constituição Estadual dá à Casa a prerrogativa de avaliar prisões dos próprios membros) em 2024.
Não se pode deixar de lembrar, porém, algo mais controverso. Foi na gestão de Marcelo Santos que a Mesa Diretora pautou e os parlamentares aprovaram a criação do auxílio-alimentação pago aos próprios deputados, no valor de R$ 1,8 mil mensais.
QUASE, DE NOVO
Nos bastidores, o deputado Vandinho Leite (PSDB) havia se movimentado para tentar reverter o favoritismo de Marcelo. Para isso, precisaria contar com a intervenção de Casagrande, o que não ocorreu.
O tucano foi escalado como líder do governo na Assembleia. Ao votar em Marcelo nesta segunda, Vandinho fez questão de lembrar que, em 2023, chegou a reunir 24 assinaturas de apoio entre os 30 deputados para ser eleito presidente da Casa
Marcelo Santos e Vandinho Leite
Marcelo Santos e Vandinho Leite Crédito: Lucas S. Costa/Ales
Desta vez, o parlamentar do PSDB viveu mais uma frustração.
Mas foi escolhido como novo líder do governo na Assembleia e, para contemporizar, afirmou que a amizade com Marcelo "sempre foi muito boa e vai continuar".
REFORMA E CONCURSOS
Entre os planos do presidente reeleito da Assembleia estão "reformas mais profundas" no prédio da Assembleia Legislativa e, mais adiante, "um segundo concurso" para servidores. O primeiro deve ser lançado em março.
As reformas devem ocorrer no plenário e na parte administrativa da Casa, após obras que já foram realizadas nos gabinetes dos parlamentares.
APOSENTADORIA E REAJUSTE
Um novo plano de aposentadoria voluntária para incentivar servidores a passar à inatividade também vai ser lançado, o que vai abrir novas vagas a serem preenchidas por concurso.
E reajuste salarial para os atuais servidores também está em análise.
ELEIÇÃO 2026 JÁ COMEÇOU
Logo após Marcelo Santos ser reeleito, Mazinho dos Anjos (PSDB) pôs-se a discursar, aleatoriamente, sobre a gestão da Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini (Republicanos), com críticas à administração municipal.
Digo que foi algo aleatório porque não parecia ser o timing correto. A sessão tratou apenas da eleição da Mesa Diretora, mas o tucano resolveu, do nada, trazer à tona o tema Pazolini, que já se movimenta como pré-candidato ao Palácio Anchieta.
Em seguida, Denninho Silva discursou em defesa do trabalho da Prefeitura de Vitória e cobriu Pazolini de elogios.
Um sinal de que, na Assembleia, a eleição de 2026 já começou.
Aliás, o próprio Marcelo Santos é pré-candidato a deputado federal e já foi "lançado" pelos colegas, na segunda-feira, como "futuro presidente da Câmara dos Deputados" em meio à profusão de elogios.
"CAMPO PESSOAL"
O presidente da Assembleia Legislativa vai ter que ser o maestro, também, desse embate. Em 2024, o presidente da Assembleia apoiou a reeleição de Pazolini, mas já em dezembro, com a proximidade da eleição da Mesa Diretora da Assembleia, afirmou à coluna não ter nenhum compromisso com o prefeito de Vitória para 2026. Depois, firmou a aliança com Casagrande e Ricardo Ferraço.
"Naturalmente, o parlamentar vai se manifestar aqui. Temos um acordo (entre os parlamentares) de não perdermos o respeito um pelo outro e, principalmente, por uma pessoa que não pode se defender aqui no parlamento (um eventual pré-candidato ao Palácio Anchieta). Fazer críticas ou elogiar uma administração é normal. O que não pode é entrar no campo pessoal", afirmou Marcelo à coluna, em entrevista coletiva após ser reeleito.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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