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Disputa pela prefeitura

"O PSB tem todo o direito de ter candidato em Vitória", diz presidente do PT

Partido do governador Casagrande colocou Tyago Hoffmann no jogo. Petistas vão lançar João Coser, mas não agora. "O Coser não é um nome colocado para fazer negociação e depois retirar. É um projeto sério", afirmou Jack Rocha à coluna

Publicado em 12 de Agosto de 2023 às 02:10

Públicado em 

12 ago 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
A deputada federal Jack Rocha, no gabinete, em Brasília
A deputada federal Jack Rocha, no gabinete, em Brasília Crédito: Letícia Gonçalves
Jack Rocha foi eleita deputada federal em 2022. Com 51.317 votos, ela se tornou a primeira parlamentar preta do Espírito Santo na Câmara e a única mulher da bancada atual, entre os representantes do estado. Desde fevereiro, exerce o primeiro mandato eletivo. Bem antes disso, em dezembro de 2019, contudo, passou a comandar o PT estadual, cargo que ocupa até hoje.
A deputada recebeu esta colunista no gabinete, em Brasília, na última quinta-feira (10). Naquele mesmo dia, a coluna havia registrado que a Executiva estadual do PSB decidiu lançar o deputado estadual Tyago Hoffmann à Prefeitura de Vitória.
Os socialistas são parceiros dos petistas nos governos federal e estadual, mas concorrentes na corrida pelo Executivo da Capital do Espírito Santo. A prioridade do PT em 2024, de acordo com Jack Rocha, é eleger João Coser prefeito de Vitória.
Para isso, ela gostaria de contar com o apoio do partido do governador Renato Casagrande e prefere não jogar lenha na fogueira:  "O PSB tem todo o direito de colocar um candidato, não vejo isso com estranheza. Afinal, é o partido do governador".
 "Apresentar os nomes agora até facilita um aproximação para a gente poder dialogar sobre o que vai acontecer em 2024", avaliou Jack Rocha.
Questionada, então, sobre quando PT vai anunciar oficialmente a pré-candidatura de Coser, aí ela ponderou: "É uma responsabilidade muito grande. O nome do Coser não é colocado para fazer negociação e retirar lá na frente. O PT está indo para um projeto sério".
A deputada afirmou que, de "forma otimista", imagina que PT e PSB possam estar juntos no pleito do ano que vem em Vitória ainda antes do primeiro turno. Para isso, os socialistas teriam que desistir da pré-candidatura de Tyago Hoffmann.
Em 2022, foi o que o PT fez, ao recuar do lançamento do senador Fabiano Contarato ao governo estadual para caminhar ao lado de Casagrande, reeleito após uma disputa dura, em que precisou contar com toda a ajuda possível.
Mas Jack Rocha prefere não "colocar isso na balança agora", ou seja, não exigir a contrapartida.
Enquanto isso, Hoffmann não pode nem ouvir falar na tese de que a Executiva estadual do PSB aprovou o nome dele como pré-candidato em Vitória apenas para recuar mais à frente e figurar, por exemplo, numa vaga de vice: "Minha candidatura é para valer (...) Não sou uma marionete para ser usado em negociação política".
Detalhe do gabinete de Jack Rocha, em Brasília
Detalhe do gabinete de Jack Rocha, em Brasília Crédito: Letícia Gonçalves
Uma estratégia possível seria o campo dito progressista lançar duas candidaturas, para garantir um segundo turno contra o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). A presidente estadual do PT avaliou, porém, que é melhor PSB e PT unirem forças logo: "Não há motivo para apostar em estratégias de divisão".
As eleições municipais, via de regra, seguem uma lógica diferente do pleito nacional. Temas mais afeitos ao dia a dia das pessoas, referentes aos serviços prestados pela prefeitura, é que dão o tom.
Para usar uma palavra da moda, as últimas eleições foram "disruptivas" e muito do que se supunha não se concretizou. Em 2020, Pazolini conseguiu o feito de ser o primeiro político de direita a ser escolhido para comandar a Capital.
Ele venceu, no segundo turno, justamente João Coser.
E fez isso ao adotar um discurso moderado. Em 2022, não declarou voto em Jair Bolsonaro (PL), expoente da extrema direita nacional que não foi reeleito para a Presidência da República.
Agora, o partido do prefeito se aproxima do PP e de outras siglas do mesmo espectro político. O Republicanos deve tentar atrair, por exemplo, o PL, que já lançou a pré-candidatura de Capitão Assumção.
Tudo indica que pode haver uma polarização ideológica, oficial ou extraoficialmente, a pressionar os eleitores de Vitória.
Por fora, correm o ex-prefeito da cidade Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e outros "candidatos a candidato" que integram a federação dos tucanos com o Cidadania: Sérgio Majeski, Mazinho dos Anjos e Fabrício Gandini.
EM BRASÍLIA, 19 HORAS
O horário mencionado acima foi quando esta coluna foi escrita, na sexta-feira (11), na cidade sede da Voz do Brasil. 
A votação foi simbólica, não nominal, mas o Projeto de Lei 5384/20, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), contou com o apoio de Jack Rocha. Ela também foi relatora da proposta que resultou na Lei da Igualdade Salarial, para mulheres. E, no mandato, defende, invariavelmente, o governo Lula.
Jack é vice-líder do PT na Câmara.
A Casa é majoritariamente conservadora e refratária ao presidente. Para reverter isso, o petista ofereceu ministérios ao PP e ao Republicanos, partidos do Centrão. Há controvérsias sobre o quão republicano é isso.
"O ódio ao PT não é ódio ao partido e sim a classes sociais discriminadas. Agentes políticos usam esse discurso para afastar as pessoas da política"
Jack Rocha - Deputada federal
A deputada do Espírito Santo fala da provável reforma ministerial com ar otimista e acredita que o PSDB e o Cidadania também vão se juntar à base aliada.
Na bancada capixaba, contudo, Evair de Melo diz que vai seguir na oposição. Da Vitória pretende continuar dizendo-se independente. Os dois são do PP.
No Republicanos, Amaro Neto segue as orientações do partido. Já Messias Donato afirma que não vota com o governo de jeito nenhum.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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