"O PSB tem todo o direito de ter candidato em Vitória", diz presidente do PT
Disputa pela prefeitura
"O PSB tem todo o direito de ter candidato em Vitória", diz presidente do PT
Partido do governador Casagrande colocou Tyago Hoffmann no jogo. Petistas vão lançar João Coser, mas não agora. "O Coser não é um nome colocado para fazer negociação e depois retirar. É um projeto sério", afirmou Jack Rocha à coluna
A deputada federal Jack Rocha, no gabinete, em BrasíliaCrédito: Letícia Gonçalves
Jack Rocha foi eleita deputada federal em 2022. Com 51.317 votos, ela se tornou a primeira parlamentar preta do Espírito Santo na Câmara e a única mulher da bancada atual, entre os representantes do estado. Desde fevereiro, exerce o primeiro mandato eletivo. Bem antes disso, em dezembro de 2019, contudo, passou a comandar o PT estadual, cargo que ocupa até hoje.
Os socialistas são parceiros dos petistas nos governos federal e estadual, mas concorrentes na corrida pelo Executivo da Capital do Espírito Santo. A prioridade do PT em 2024, de acordo com Jack Rocha, é eleger João Coser prefeito de Vitória.
Para isso, ela gostaria de contar com o apoio do partido do governador Renato Casagrande e prefere não jogar lenha na fogueira: "O PSB tem todo o direito de colocar um candidato, não vejo isso com estranheza. Afinal, é o partido do governador".
"Apresentar os nomes agora até facilita um aproximação para a gente poder dialogar sobre o que vai acontecer em 2024", avaliou Jack Rocha.
Questionada, então, sobre quando PT vai anunciar oficialmente a pré-candidatura de Coser, aí ela ponderou: "É uma responsabilidade muito grande. O nome do Coser não é colocado para fazer negociação e retirar lá na frente. O PT está indo para um projeto sério".
A deputada afirmou que, de "forma otimista", imagina que PT e PSB possam estar juntos no pleito do ano que vem em Vitória ainda antes do primeiro turno. Para isso, os socialistas teriam que desistir da pré-candidatura de Tyago Hoffmann.
Em 2022, foi o que o PT fez, ao recuar do lançamento do senador Fabiano Contarato ao governo estadual para caminhar ao lado de Casagrande, reeleito após uma disputa dura, em que precisou contar com toda a ajuda possível.
Mas Jack Rocha prefere não "colocar isso na balança agora", ou seja, não exigir a contrapartida.
Detalhe do gabinete de Jack Rocha, em BrasíliaCrédito: Letícia Gonçalves
Uma estratégia possível seria o campo dito progressista lançar duas candidaturas, para garantir um segundo turno contra o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). A presidente estadual do PT avaliou, porém, que é melhor PSB e PT unirem forças logo: "Não há motivo para apostar em estratégias de divisão".
As eleições municipais, via de regra, seguem uma lógica diferente do pleito nacional. Temas mais afeitos ao dia a dia das pessoas, referentes aos serviços prestados pela prefeitura, é que dão o tom.
Para usar uma palavra da moda, as últimas eleições foram "disruptivas" e muito do que se supunha não se concretizou. Em 2020, Pazolini conseguiu o feito de ser o primeiro político de direita a ser escolhido para comandar a Capital.
Ele venceu, no segundo turno, justamente João Coser.
E fez isso ao adotar um discurso moderado. Em 2022, não declarou voto em Jair Bolsonaro (PL), expoente da extrema direita nacional que não foi reeleito para a Presidência da República.
Tudo indica que pode haver uma polarização ideológica, oficial ou extraoficialmente, a pressionar os eleitores de Vitória.
Por fora, correm o ex-prefeito da cidade Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e outros "candidatos a candidato" que integram a federação dos tucanos com o Cidadania: Sérgio Majeski, Mazinho dos Anjos e Fabrício Gandini.
EM BRASÍLIA, 19 HORAS
O horário mencionado acima foi quando esta coluna foi escrita, na sexta-feira (11), na cidade sede da Voz do Brasil.
A votação foi simbólica, não nominal, mas o Projeto de Lei 5384/20, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), contou com o apoio de Jack Rocha. Ela também foi relatora da proposta que resultou na Lei da Igualdade Salarial, para mulheres. E, no mandato, defende, invariavelmente, o governo Lula.
Jack é vice-líder do PT na Câmara.
A Casa é majoritariamente conservadora e refratária ao presidente. Para reverter isso, o petista ofereceu ministérios ao PP e ao Republicanos, partidos do Centrão. Há controvérsias sobre o quão republicano é isso.
"O ódio ao PT não é ódio ao partido e sim a classes sociais discriminadas. Agentes políticos usam esse discurso para afastar as pessoas da política"
Jack Rocha - Deputada federal
A deputada do Espírito Santo fala da provável reforma ministerial com ar otimista e acredita que o PSDB e o Cidadania também vão se juntar à base aliada.
Na bancada capixaba, contudo, Evair de Melo diz que vai seguir na oposição. Da Vitória pretende continuar dizendo-se independente. Os dois são do PP.
No Republicanos, Amaro Neto segue as orientações do partido. Já Messias Donato afirma que não vota com o governo de jeito nenhum.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.