Em entrevista ao Gshow, a cantora e apresentadora Xuxa mostrou o resultado de um transplante capilar feito há pouco mais de um ano e falou sobre a decisão de realizar o procedimento. "Eu já estava tirando foto, estava vendo uns buracos em mim, sabe? Ai eu falei: 'Eita, não está legal'. Agora que eu fiz isso aí [transplante capilar], para mim foi tão bom. Continuo com meu pouco cabelo, mas agora não estou com falha. Estão está tudo certo. O resultado está ótimo!", disse.
O médico Marcelo Nogueira explica que, basicamente, o procedimento consiste na retirada de unidades foliculares (raízes dos cabelos) do paciente de uma região, chamada de área doadora, para serem transplantadas em outra.
Segundo o médico, apesar dos homens serem os principais afetados pela alopecia androgenética, o transplante capilar não é indicado apenas para esse público. “Além de homens com alopecia androgenética, mulheres com a condição também se beneficiam do transplante capilar. Além disso, o procedimento também pode ser indicado para restaurar e/ou aumentar a densidade capilar de outras áreas, como barba e sobrancelhas, e para reduzir o tamanho da testa, por exemplo”.
O procedimento pode ser realizado com diferentes técnicas, mas, hoje, a conhecida como FUE (Extração de Unidade Folicular, em inglês) tem se destacado. “Ao contrário da técnica FUT (sigla em inglês para Transplante de Unidade Folicular), em que é retirada uma faixa de pele da área doadora, na técnica FUE os fios são extraídos individualmente por meio de micro incisões. A grande vantagem está no fato de causar cicatrizes puntiformes, praticamente imperceptíveis, ao contrário da FUT, que deixa uma cicatriz linear”, explica Marcelo Nogueira.
Mais recentemente, uma evolução da técnica FUE, chamada de No-shave (sem raspagem), tem ganhado popularidade por permitir que os fios sejam coletados sem a necessidade de raspar o cabelo, preservando o comprimento e a aparência natural dos fios da área doadora. “As grandes vantagens dessa técnica estão no fato de deixar o aspecto visual muito agradável no pós operatório imediato e possibilitar um retorno mais rápido à rotina normal, com o visual preservado durante a recuperação”, destaca.
Mas vale ressaltar que uma técnica não é necessariamente melhor que a outra. “Cada uma têm suas indicações e contraindicações e devem ser escolhidas de acordo com as características e necessidades do paciente”, diz o médico. Segundo ele, a técnica No-shave (sem raspagem), por exemplo, é recomendada para calvícies não muito avançadas, para figuras públicas ou para quem prefere discrição total. “O transplante é realizado folículo a folículo seguindo a angulação e a distribuição natural dos fios e os cabelos crescem com a mesma cor, textura e velocidade de crescimento da área em que foram retirados”, afirma.
O transplante capilar é um procedimento seguro quando o paciente realiza os exames laboratoriais necessários e há liberação médica para a cirurgia. Com exames adequados e sendo realizado em ambiente cirúrgico apropriado, o procedimento apresenta risco muito baixo de rejeição, desde que a região da área receptora seja bem avaliada previamente pelo médico. “Isso ocorre porque as unidades foliculares utilizadas são do próprio paciente, e a segurança depende de uma avaliação criteriosa e da correta execução do procedimento”, diz o médico.
“Além disso, os fios transplantados não carregam a genética da calvície, o que traz resultados extremamente duradouros. Ainda assim, como a calvície não tem cura, apenas controle, é fundamental manter o tratamento clínico em paralelo para evitar que os fios não transplantados (ou nativos) continuem a sofrer os efeitos da alopecia, prejudicando assim o resultado e a aparência”, afirma Marcelo Nogueira. Segundo ele, quando bem indicado e realizado com a técnica adequada, o procedimento devolve não apenas fios, mas também a confiança, reforçando seu papel como parte de um cuidado contínuo com a saúde capilar e com o bem-estar dos pacientes. “O transplante capilar deixou de ser visto como algo extremo ou a última alternativa. Agora, ele passou a ser um cuidado que pode ser adotado em diferentes fases da vida, com grandes benefícios para o bem-estar e a autoestima do paciente”, finaliza.