Nos últimos anos, novas tecnologias trouxeram mudanças significativas para o mercado de trabalho, principalmente com a popularização da Inteligência Artificial (IA). Com isso, se tornou necessário entender e se adaptar a essas transformações, mas sempre incentivando o pensamento crítico e lembrando da importância do papel do olhar humano nessa nova realidade.
Incentivar este debate foi o objetivo do Painel Educares, que teve como tema “Longevidade, IA e o Novo Mercado de Trabalho”. O encontro, aberto ao público, aconteceu nesta terça-feira (19) na sede da Rede Gazeta, em Vitória, reunindo especialistas e lideranças para discutir as novas competências exigidas por um mercado cada vez mais digital.
Participaram do painel a repórter especial da TV Globo, Renata Ceribelli, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti-ES), Jales Cardoso, e o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípedes Pedrinha.
Abrindo a programação, Renata Ceribelli apresentou a palestra “Da Máquina de Escrever ao ChatGPT: a Competência Eterna”. A repórter da TV Globo destacou a importância de se reinventar e encarar com curiosidade as mudanças que o mercado impõe, mas que a habilidade humana segue sendo fundamental.
Trazendo para a minha profissão, como repórter, tem partes do nosso trabalho que não tem IA que faça, principalmente as partes em que lidamos com o outro. Eu acho que é importante entender essas novas tecnologias e encará-las como uma ferramenta para te auxiliar, não como algo que vai competir com você.
Renata Ceribelli Repórter especial da TV Globo
Neste sentido, o diretor de Mercado da Rede Gazeta, Bruno Passoni, ressaltou que as empresas devem estar atentas às novas tecnologias, para implementá-las sem deixar de lado o estímulo ao pensamento crítico e ao lado humano dos negócios.
Eu acredito que esta discussão que o Painel Educares promove é muito relevante para o tempo em que estamos vivendo. O papel da comunicação é orientar as pessoas e demonstrar como elas devem lidar com a IA sem perder a capacidade cognitiva, que é o que a gente tem de mais forte.
Bruno Passoni Diretor de Mercado da Rede Gazeta
Inovação e adaptação no ES
Para preparar os futuros profissionais do mercado de trabalho para uma nova realidade, instituições de ensino e o poder público também precisam estar atentos aos desafios e oportunidades que estão surgindo. O secretário da Secti-ES, Jales Cardoso, destacou que a diversificação do mercado é um dos principais efeitos dessas transformações, que incluem IA e também fatores externos, como a Reforma Tributária, por exemplo.
A grande sacada dos estados e organizações que vão se desenvolver mais rápido a partir de agora é a capacitação, que é um ponto-chave para o governo do Espírito Santo hoje. A Secti tem um papel importante nesse processo, porque além de dialogar e integrar o ambiente de negócios, ela tem como função a popularização das informações necessárias sobre temas como a IA para esse ecossistema.
Jales Cardoso Secretário da Secti-ES
A Secti-ES também levou para o evento a Arena Secti, onde apresentou programas e iniciativas que vêm fortalecendo o ecossistema de inovação capixaba e ampliando oportunidades de qualificação e desenvolvimento para estudantes, pesquisadores, empreendedores e profissionais em diferentes regiões do Estado.
A mostra ocorreu simultaneamente ao painel que fechou o evento, intitulado “Educação em movimento: como aprender mais rápido que o futuro?”. Participaram deste momento o ex-secretário da Secti-ES, Bruno Lamas, o superintendente do Sesi-ES e diretor regional do Senai-ES, Geferson Santos, e a neuropsicóloga Lícia Assbu.
Oportunidades à vista
Para os empreendedores capixabas, a inteligência artificial já está mudando a rotina dos negócios e processos, assim como acontece em todo o mundo, segundo o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípedes Pedrinha. Ele reafirmou que este é um processo que traz desafios, mas que também traz muitas oportunidades.
Em especial quanto ao perfil dos empreendedores, a gente precisa de pessoas com muito mais repertório, com muito mais contexto, para transformar a IA numa aliada e não para ser substituída por ela. Em situações que antes exigiam muito trabalho, força e foco na operação, agora é possível aliar a inteligência natural à artificial, o que gera valor para o mercado.
Eurípedes Pedrinha Diretor técnico do Sebrae/ES