Lorenzo Pazolini na convenção estadual do PPCrédito: Letícia Gonçalves
Ao se lançar pré-candidato a prefeito de Vitória, o deputado estadual Capitão Assumção (PL) teceu críticas à administração do atual chefe do Executivo, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Para o militar da reserva da PM, a cidade está "esquecida no tempo". No curto vídeo em que o anúncio foi feito, o parlamentar não explicou o que o levou a tal conclusão.
Gilvan, deputado federal e correligionário de Assumção, também alfinetou Pazolini, disse que Vitória precisa de alguém de direita "de verdade".
O PL está largando na frente, talvez muito cedo, faltando um ano para as eleições de 2024. Pazolini, por enquanto, não diz se vai ou não tentar a reeleição.
Questionado pela coluna, neste sábado (15), sobre as declarações de Assumção e Gilvan, o prefeito evitou jogar mais lenha na fogueira.
"Vamos continuar trabalhando. Vitória é a capital do Brasil com maior investimento per capita com recursos próprios. Saímos de R$ 6,5 milhões, que era a previsão orçamentária quando chegamos, e hoje temos R$ 1,3 bilhão em investimentos na cidade. Hoje de manhã estávamos entregando o Cartão Vix Mais Cidadania. Amanhã tem outra inauguração", exemplificou.
"Todo dia tem uma ordem de serviço ou inauguração. A cidade é dinâmica, estamos devolvendo a alegria para o nosso povo", complementou Pazolini.
Presidente estadual do Republicanos, Erick Musso não descarta uma parceria com o PL, ainda que no segundo turno do pleito de 2024.
"Temos boa relação com o PL. É democrático o lançamento de qualquer pré-candidatura. O deputado Assumção e o PL têm o nosso respeito. Vamos manter o diálogo, não só em Vitória, mas nos municípios onde houver convergência", afirmou.
"Independentemente de termos duas candidaturas no primeiro turno, em se tratando de município que pode ter dois turnos, temos que manter diálogo com todas as correntes que acreditam nas mesmas coisas que a gente para convergir, se não no primeiro, no segundo turno", ponderou o presidente estadual do Republicanos.
O fato é que Pazolini é de direita, assim como o PL, daí a menção a "correntes que acreditam na mesma coisa que a gente".
Mas o prefeito de Vitória não é de extrema direita, o que explica o descontentamento de Gilvan da Federal, habituado a usar a bandeira do Brasil como um pano de prato – para quem coloca o pano de prato no ombro ao cozinhar, coisa que eu não faço, até porque raramente cozinho.
A aposta de Pazolini em 2020 foi a de moderar o discurso. Embora, na pré-campanha, ele tenha desfilado em trios elétricos ao lado de Magno Malta, na campanha evitou associar-se ao então ex-senador bolsonarista.
Em 2022, Pazolini não pediu votos para o bolsonarista Carlos Manato (PL) na corrida pelo governo do Espírito Santo. Ficou neutro. E tampouco se moveu por Jair Bolsonaro.
A estratégia de Assumção e Gilvan é oposta. O PL quer trazer para o plano municipal a guerra ideológica da política nacional. Em 2020, isso não deu certo em Vitória. Assumção disputou a prefeitura e ficou em quarto lugar, com 7,22% dos votos.
Via de regra, a eleição local não segue a lógica da corrida pela Presidência da República. Os eleitores estão mais preocupados, por exemplo, com a limpeza e o calçamento de ruas, a manutenção de escolas e a marca pessoal do candidato.
AS ARTICULAÇÕES DE PAZOLINI
Na resposta à coluna, neste sábado, o prefeito de Vitória se ateve a falar da gestão municipal. Ele realmente protagonizou agendas públicas relacionadas ao mandato, mas arranjou uma brecha para comparecer à convenção estadual do PP.
Foi lá que esta colunista o encontrou. O republicano exortou o Progressistas, do qual tem se aproximado e pode ser uma sigla parceira em 2024, falou em "dobradinha" entre o 10 (número de urna do Republicanos) e 11 (número do PP).
Assim, tenta se cercar de aliados enquanto possíveis adversários partem para o ataque.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.